Comissão Europeia melhora previsões para crescimento da economia em Portugal

por RTP
Bruxelas revela-se mais otimista para este ano do que o Governo português. Foto: Pedro A. Pina - RTP

A Comissão Europeia prevê uma melhoria do crescimento económico de Portugal para este ano, antecipando também um aumento para 2025, impulsionado pelo consumo privado e pelo investimento.

Nas previsões económicas de primavera, divulgadas esta quarta-feira em Bruxelas, regista-se uma melhoria das previsões de crescimento relativamente à última projeção, realizada em fevereiro.

O executivo comunitário prevê agora que a economia portuguesa cresça 1,7% este ano e 1,9% no próximo, valores impulsionados pela implementação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e pela melhoria da confiança dos investidores.

Bruxelas revela-se mais otimista para este ano do que o Governo português, que no Programa de Estabilidade inscreveu uma taxa de crescimento de 1,5% este ano, enquanto o Banco de Portugal (BdP) prevê uma expansão do PIB de 2%, o Fundo Monetário Internacional (FMI) de 1,7% e o Conselho das Finanças Públicas (CFP) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico de 1,6%.
Andrea Neves - correspondente da Antena 1 em Bruxelas

A Comissão Europeia prevê ainda um excedente orçamental de 0,4% este ano, uma décima acima do Governo português, e um rácio da dívida pública de 95,6%.
Taxa de desemprego estável este ano
Bruxelas prevê ainda a continuação do aumento da oferta de emprego, com a taxa de desemprego a manter-se estável nos 6,5% este ano, devendo baixar para os 6,4% em 2025.

"Os dados mostram um aumento substancial da população em idade ativa no início de 2024, o que é explicado pelos fluxos migratórios positivos", refere.

O executivo comunitário acredita que o desemprego irá diminuir ligeiramente nos próximos meses, uma vez que a criação de emprego deverá absorver gradualmente o aumento da oferta de trabalho.

Destaca ainda que, uma vez que alguns setores da economia continuam a registar "condições de contratação restritivas", os salários deverão crescer ligeiramente mais rápido do que a inflação, apoiados também por margens de lucro sólidas no setor corporativo.
Inflação de 2,3% este ano
Relativamente à inflação, estas previsões apontam um abrandamento para 2,3% em 2024 e 1,9% no próximo ano.

Bruxelas recorda que, em termos trimestrais, a taxa de inflação homóloga atingiu 2,4% no último trimestre de 2023, mas subiu para 2,5% no primeiro trimestre de 2024, principalmente devido a efeitos de base nos preços dos produtos energéticos.

No entanto, a inflação dos serviços moderou-se a um ritmo muito mais lento para 5% (em termos homólogos) no primeiro trimestre de 2024, impulsionada pelo "forte crescimento salarial" e pelas pressões da procura derivadas de atividades relacionadas com o turismo.

Tudo somado, a Comissão Europeia está confiante de que o défice do Estado deverá continuar a baixar, embora de uma forma mais lenta, fixando-se em 95,6% do PIB este ano e baixando para 91,5% em 2025.
Redução da inflação na Zona Euro
Já em relação à Zona Euro, está prevista uma redução da inflação para 2,5% em 2024 (menos 0,2 pontos percentuais) e para 2,1% no próximo ano, já praticamente alinhada com o objetivo do Banco Central Europeu (BCE).

Nas previsões económicas da primavera, o executivo comunitário aponta para um abrandamento da inflação face ao que tinha antecipado no anterior exercício intercalar de inverno, divulgado em fevereiro, e onde apontava para uma taxa de 2,7% este ano e de 2,2% em 2025, medida pelo Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC).

Para a União Europeia, Bruxelas prevê uma taxa de inflação também medida pelo IHPC de 2,7% em 2024 e 2,2% em 2025, um abrandamento face às previsões anteriores que apontavam para 3,0% e 2,5%.

O executivo comunitário melhora também a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da UE para 1% este ano, face aos 0,9% inscritos nas previsões intercalares de inverno, e manteve o da zona euro em 0,8%.

"Após uma ampla estagnação económica em 2023, um crescimento melhor do que o esperado no início de 2024 e a redução em curso da inflação criaram o cenário para uma expansão gradual da atividade ao longo do horizonte de previsão", assinala, esperando que "quase todos os Estados-Membros" regressem ao crescimento este ano.

A taxa de desemprego, por seu lado, deverá ficar nos 6,6% este ano recuando para 6,5% em 2025 nos países da área do euro e, respetivamente, nos 6,1% e 6,0% no conjunto dos 27 Estados-membros.
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