Contas do Estado. Défice agravou-se para 2.553 milhões até maio
O défice das contas públicas agravou-se para 2.553 milhões de euros até maio. Os dados da execução orçamental indicam que a receita abrandou em relação ao ano anterior. O ministro das Finanças considera que a possibilidade de ser atingido um saldo orçamental equilibrado está na mão dos partidos políticos.
"As Administrações Públicas (AP) apresentaram, até maio de 2024, um défice de 2.553,2 milhões de euros, o que se traduz num decréscimo de 6.351,1 milhões de euros face ao período homólogo", segundo a síntese de execução orçamental, divulgada pela Direção-Geral do Orçamento (DGO) esta sexta-feira.
Para esta evolução contribuíram os efeitos conjugados da diminuição da receita e do aumento da despesa. De acordo com os dados, a receita cresceu nos cinco primeiros meses em 3,7 por cento, mas a despesa subiu 12,5 por cento com o impacto da atualização das pensões.
"No período de janeiro a maio, a receita fiscal apresentou uma quebra de 1,2 por cento (-236,3 milhões de euros) influenciada, em parte, pelos efeitos dos pagamentos relativos ao regime de ativos por imposto diferidos de IRC -- Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas (117 milhões de euros) em fevereiro de 2024 e pela prorrogação do pagamento de IVA -- Imposto sobre o Valor Acrescentado (-76,4 milhões de euros em maio de 2023 e 404,1 milhões de euros em maio de 2024)", lê-se na síntese de execução orçamental.
"Teremos oportunidade de trabalhar essas estimativas", começou por reagir o ministro das Finanças.
Segundo Joaquim Miranda Sarmento, "é muito importante, é fundamental para o país manter o equilíbrio orçamental e isso é responsabilidade" do Governo, "mas também daquilo que é aprovado no Parlamento".
"No final de maio, os pagamentos em atraso das entidades públicas ascenderam a 524 milhões de euros, o que representa uma diminuição de 93,3 milhões de euros relativamente ao período homólogo", lê-se no documento, que acrescenta que, em comparação com o mês anterior, verificou-se um acréscimo de 55,6 milhões de euros.
Para a evolução homóloga pesou a diminuição observada na área da saúde (-155,3 milhões de euros), nas Entidades Públicas Reclassificadas (-12,3 milhões de euros) e na Administração Local (-5,9 milhões de euros).
Esta redução foi atenuada pelo aumento na Administração Regional (48,8 milhões de euros) e na Administração Central (31,4 milhões de euros), excluindo o subsetor da saúde.
Já para a variação mensal contribuíram as Unidades de Saúde EPE (48,7 milhões de euros), a Administração Regional (10,6 milhões de euros), um impacto "parcialmente compensado" pelo recuo constatado na Administração Central (-2,9 milhões de euros), excluindo o subsetor da saúde.
As medidas para mitigar o efeito da crise energética e inflacionista custaram ao Estado 1.318,7 milhões de euros até maio, considerando o impacto na receita e na despesa.
"No âmbito da mitigação do choque geopolítico, apurou-se em maio uma diminuição da receita efetiva em 460,9 milhões de euros e um crescimento da despesa efetiva em 857,8 milhões de euros", lê-se também na síntese de execução orçamental da DGO.
Do lado da receita, destaca-se o impacto na receita fiscal, nomeadamente, a redução do ISP -- Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos equivalente à descida do IVA -- Imposto Sobre o Valor Acrescentado para 13 por cento, no montante de 300,2 milhões de euros.
Acresce ainda a devolução da receita adicional de IVA, via ISP, no valor de 113,2 milhões de euros.
No que se refere à despesa, evidenciam-se os pagamentos relativos à alocação de verbas ao Sistema Elétrico Nacional (SEN) para a redução da tarifa, no montante de 566 milhões de euros e, "em menor medida", o apoio extraordinário à renda, no valor de 133,8 milhões de euros, e a contribuição para o programa de apoio à Ucrânia, com 100,1 milhões de euros.
C/Lusa