Crise imobiliária na China agrava-se com forte queda nas vendas em janeiro
A crise imobiliária na China prolongou-se para 2026, com nova queda acentuada nas vendas de casas novas e sinais de crescente pressão sobre os promotores mais endividados, segundo dados do setor hoje difundidos.
De acordo com a consultora China Real Estate Information Corporation (CRIC), os 100 maiores promotores do país registaram vendas combinadas de 165,5 mil milhões de yuan (cerca de 20 mil milhões de euros) em janeiro, uma descida de 27% face ao mesmo mês de 2025.
O impacto foi especialmente severo entre os promotores com dívida emitida em dólares. De acordo com um relatório do Barclays divulgado na segunda-feira, os 18 principais grupos com obrigações `offshore` viram as vendas cair 53,7% em janeiro face a dezembro, e 18,5% em termos homólogos, enfraquecendo ainda mais a capacidade de pagamento da dívida.
Mesmo após ajustamento sazonal, a queda mensal foi mais acentuada do que a média histórica do período pós-covid, que rondava 44%, indicou o banco britânico.
O Barclays descreveu o início do ano como sombrio, alertando que "não há sinais visíveis de estabilização sem um apoio político mais forte". A confiança dos compradores permanece baixa, as vendas de novos projetos estão a abrandar e vários empreendimentos enfrentam atrasos.
Segundo estimativas do banco, apenas 38% das novas habitações lançadas em janeiro foram vendidas nas principais cidades da China - um valor próximo do mínimo dos últimos cinco anos e bastante inferior à média de 58,6% registada em 2025.
O banco de investimento norte-americano Morgan Stanley também traçou um cenário pessimista, prevendo que as vendas continuem a cair no primeiro trimestre e que a crise do setor habitacional se prolongue até 2027.
A retração também se reflete no mercado de terrenos. Até 25 de janeiro, as transações de terrenos em todo o país totalizavam 62,2 mil milhões de yuan (7,5 mil milhões de euros) - uma queda de 90% em relação a dezembro e de 59% face ao período homólogo -, o que aponta para uma futura redução na oferta e nas vendas.
A China Vanke, uma das maiores promotoras estatais do país e anteriormente vista como financeiramente sólida, revelou na sexta-feira perdas recorde de 82 mil milhões de yuan (10 mil milhões de euros) em 2025.
A empresa explicou que menos projetos foram concluídos e registados como receita, ao mesmo tempo que aumentou as provisões para perdas com crédito e desvalorização de ativos.
Apesar do apoio estatal, a Vanke enfrenta dificuldades crescentes para gerir a dívida. Na semana passada, o principal acionista - a empresa pública Shenzhen Metro - concedeu um empréstimo de emergência de 2,36 mil milhões de yuan (288 milhões de euros) para cobrir pagamentos de duas obrigações domésticas.
As medidas apenas oferecem um alívio temporário, advertiu o Barclays, permitindo evitar o incumprimento imediato, mas sem resolver os problemas de liquidez.
"Consideramos que o novo agravamento da crise imobiliária e os resultados da Vanke evidenciam a sua frágil posição financeira e a limitada capacidade de serviço da dívida sem apoio contínuo do Estado", apontou o banco.