Cerca de 118 mil clientes da E-Redes sem energia pelas 08h00
Cerca de 118 mil clientes da E-Redes continuavam às 08h00 de hoje sem fornecimento de energia em Portugal continental, na sequência dos danos provocados pela depressão Kristin na rede elétrica, na quarta-feira, informou a empresa.
O distrito de Leiria é o mais afetado com 85 mil clientes sem energia, seguido de Santarém com 20 mil clientes, Castelo Branco com oito mil e Coimbra com dois mil.
Os clientes da E-Redes correspondem a "pontos de entrega de energia" como habitações, empresas ou lojas com ligação elétrica, sendo assim difícil quantificar o número de pessoas que estão a ser afetadas.
No anterior balanço, correspondente às 18h00 de segunda-feira, 134 mil clientes da E-Redes, sobretudo em Leiria, estavam sem energia elétrica, no dia em que o mau tempo da madrugada provocou novas avarias na rede, segundo a empresa.
Baixa de Alcácer do Sal outra vez inundada com subida do Rio Sado
A Avenida dos Aviadores em Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, voltou a ficar inundada hoje de madrugada, devido à subida do Rio Sado, que continua com um "nível muito elevado", disse a Proteção Civil.
Por isso, durante a madrugada, "alagou um pouco a marginal do lado da câmara municipal, mas já baixou, e inundou a Avenida dos Aviadores até ao mercado municipal, subindo cerca de um metro, sem baixar", precisou a mesma fonte.
Leiria lança operação "Telhado Solidário"
A Câmara de Leiria lançou hoje a operação "Telhado Solidário", iniciativa especialmente direcionada a técnicos qualificados e empresas com o objetivo de reparar telhados, com a garantia de alojamento aos participantes que não sejam do concelho.
"Depois da campanha de distribuição de lonas plásticas para proteção imediata dos telhados e da campanha de recolha de telhas, o Município lança agora a Operação `Telhado Solidário`, uma iniciativa que visa contratar empresas e mobilizar entidades e autarquias com capacidade para disponibilizar equipas técnicas qualificadas para a reparação de telhados afetados".
Numa nota de imprensa, a Câmara assegurou que o objetivo "é assegurar a colocação de telhas ou de soluções provisórias de proteção, como lonas, em habitações de pessoas que, pela idade, condição física ou ausência de meios técnicos, não têm capacidade para realizar trabalhos desta natureza, que implicam risco e exigem especialização".
A autarquia apelou à "colaboração de empresas do setor da construção e da reabilitação, entidades com equipas técnicas capacitadas, autarquias e outras entidades que possam disponibilizar recursos humanos para este esforço solidário".
"Para as equipas que se desloquem de fora do concelho de Leiria, o Município assegurará alojamento, de forma a facilitar uma resposta rápida, eficaz e coordenada".
As entidades participantes "deverão ter capacidade de atuação autónoma, dispondo dos seus próprios recursos humanos e materiais necessários à intervenção".
Para participar na operação "Telhado Solidário", os interessados devem manifestar interesse através do endereço de e-mail reerguerleiria@cm-leiria.pt ou do telefone 961 668 537, disponível para prestar todos os esclarecimentos necessários.
A campanha surge na sequência da depressão Kristin que atingiu o concelho de Leiria, "provocando danos significativos em numerosas habitações", com a autarquia a sublinhar que "continua a reforçar a resposta no terreno, com especial atenção às situações de maior vulnerabilidade social".
Autocarro com crianças e idosos ficou preso na neve em Castro Daire
Um autocarro ficou ao início da manhã de hoje retido na neve na Estrada Municipal (EM) 550, em Castro Daire, e os bombeiros estão a retirar crianças e idosos para os levar ao destino, disse à agência Lusa fonte da Proteção Civil.
Segundo a fonte do Comando Sub-regional de Viseu Dão Lafões, a EM 550, que liga Pinheiro a Castro Daire, ficou cortada devido à queda de neve durante a noite.
No local estão cinco operacionais e três veículos da GNR e dos bombeiros, a transportar "entre 25 a 30 passageiros" para a sede de concelho.
A mesma fonte acrescentou que não se encontra cortada mais qualquer estrada devido à queda de neve na zona da Serra de Montemuro.
Caudal do rio Douro subiu no Porto e capitania pede atenção à população
O caudal do rio Douro subiu durante a noite, na zona da Alfândega, Porto, mas sem impacto para estabelecimentos e moradores, disse o comandante adjunto da Capitania do Douro, reforçando o apelo à população para que se mantenha vigilante.
"O mais alto foi na Alfândega. Em Miragaia não chegou à cota de referência", disse o comandante adjunto da Capitania do Douro, à agência Lusa.
Sublinhando que "o Serviço Municipal de Proteção Civil do Porto, bem como o de Vila Nova de Gaia mantêm presença no local e vão fazendo as leituras das cotas, avaliando as zonas mais sensíveis e alagáveis", Pedro Cervaens aproveitou para fazer apelos à população.
"Temos a convicção que as pessoas estão atentas porque têm sido emitidos imensos alertas. Estão atentas e preparadas e algumas até já tomaram medidas preventivas. O que nos preocupa é que isto vai durar alguns dias, portanto não é algo que vá terminar amanhã, e claro que depois pode haver aquela tendência de flexibilizar as medidas", disse, insistindo no apelo para que as pessoas evitem o risco e mantenham a vigilância.
O Porto mantém-se em alerta com previsão de chuva intensa e risco de cheias no Douro.
Sequências de tempestades são raras e a culpa é do anticiclone dos Açores
O especialista em clima Pedro Matos Soares diz serem raras sequências de tempestades como as da semana passada e explica-as com o anticiclone dos Açores, mas recusa ligá-las às alterações climáticas.
Em entrevista à Lusa, o físico da Atmosfera e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa admite que um conjunto de depressões como as da semana passada "não é uma coisa muito frequente", mas relativiza, afirmando: "Sempre tivemos e sempre teremos estes processos, chamados comboios de depressões".
"Faz parte do nosso clima, porque nós estamos num clima de transição. No entanto, a frequência destes episódios é relativamente baixa. Mas não é uma coisa sem precedentes, de modo nenhum", diz, explicando que tal se relaciona com o posicionamento do anticiclone dos Açores de forma persistente em latitudes mais a sul do que o normal.
Nesta posição a sul costuma haver um movimento de pulsação, entre o norte e o sul, o que não está a acontecer nas últimas semanas.
Com uma conjugação de anticiclones persistentes nas latitudes elevadas (Escandinávia), este fenómeno permite haver uma faixa por onde estão a passar as tempestades.
As tempestades não passam pelos sistemas de anticiclones, de altas pressões, mas o anticiclone mais a sul criou um corredor para as depressões que se geram no Atlântico Norte e que estão a vir para leste, para Portugal e até ao Reino Unido.
A depressão Kristin, com especificidades, com precipitação e vento muito intenso, tem a ver com a geração de uma "tempestade de ferrão" ou "sting jet".
Segundo Pedro Matos Soares, estes "sting jet" são relativamente raros em Portugal, mas já aconteceram em 2009 e depois em 2018, associado ao furacão Leslie.
O resultado foi uma tempestade sem precedentes do ponto de vista do vento.
Mas o especialista diz que também aqui é preciso cautela, porque a capacidade de observar hoje a Terra é bem diferente do que era há um século ou há 50 anos, porque o histórico de observação das tempestades, com a qualidade e precisão atuais, é relativamente recente.
O que é certo, acrescenta, é que num clima de transição como o de Portugal, entre o clima subtropical e o das latitudes médias, qualquer oscilação, sendo pouco expressiva do ponto de vista do planeta, tem muito impacto no país.
E por ser um país de grande variabilidade climática (Gerês e Alcoutim são respetivamente e em média as zonas onde chove mais e menos da Europa) é também "muito atreito a ter essa variabilidade exponenciada", com períodos de seca severa, cada vez mais frequentes devido às alterações climáticas, e depois anos muito húmidos.
O especialista não associa o momento atual às alterações climáticas, mas acrescenta que quando se olha para as evidências há um traço comum a todas elas, que é de que a região geográfica de Portugal será acometida mais frequentemente de extremos de precipitação, muita chuva ou a falta dela.
"Isto é, digamos, o estado da arte científica. Agora se temos uma semana, dois meses muito chuvosos, não podemos logo dizer que são as alterações climáticas, que isto é anormal", avisa.
Mas acrescenta que todas as projeções são coerentes e indicam que Portugal terá temperaturas mais elevadas e maior frequência de ondas de calor.
Essas ondas de calor já existem e "não há dúvida nenhuma que estão associadas a alterações climáticas", como estão as "grandes mudanças nos padrões de precipitação".
"Não se projeta uma grande alteração do número, por exemplo, de tempestades que nos atingem, mas quando essas tempestades nos atingem, as projeções mostram que elas vão ser mais intensas. Temos temperaturas mais elevadas, logo temos mais evaporação, temos mais conteúdo de vapor de água na atmosfera", temos "um sistema mais energético quando se formam estas depressões" e um oceano com mais energia acumulada, explica, para justificar as tempestades mais severas.
Proteção civil registou cerca de 40 ocorrências entre as 00h00 e as 8h30
Em declarações à agência Lusa, Miguel Oliveira, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), disse que a "noite foi calma, comparativamente aos dias anteriores, não tendo sido reportadas situações significativas.
Quanto à situação do nível das águas, Miguel Oliveira indicou que não há alterações significativas, mantendo-se as autoridades a monitorizar a situação, continuando vigilantes para um possível agravamento.
Bombeiros Voluntários de Leiria já angariaram mais de 52 mil euros
O valor angariado irá servir para a reconstrução do quartel, obras imediatas para repor a capacidade operacional e também para substituir equipamentos essenciais perdidos ou danificados.
Vários distritos com avisos devido à chuva, vento, neve e ondulação
Portugal continental irá começar a sentir os efeitos da depressão Leonardo "inicialmente com a aproximação ao Baixo Alentejo e Algarve de um sistema frontal a ela associado, a partir do final da tarde" de hoje, "com precipitação persistente e por vezes forte e rajadas de vento que podem atingir 75 quilómetros/hora no litoral a sul do Cabo Mondego e 95 quilómetros/hora nas terras altas".
O sistema frontal irá estender-se gradualmente às outras regiões do continente durante quarta-feira, prevendo-se que "o período com valores acumulados de precipitação mais elevados e vento mais intenso seja na noite" de quarta para quinta-feira.
Cidadã de nacionalidade moçambicana morre em Portugal durante tempestade
Uma cidadã de nacionalidade moçambicana morreu em Portugal durante a passagem da tempestade Kristin, confirmou a embaixadora de Moçambique em Lisboa, adiantando que as autoridades locais estão a investigar o caso.
"Confirmamos que deu entrada no hospital de Leiria [em Portugal] de um corpo de uma mulher de 28 anos, natural de Moçambique, em Maputo, que estava em Portugal há menos de um mês", avançou a embaixadora moçambicana em Portugal, Stella Pinto, citada hoje pela comunicação social.
A diplomata avançou ainda que o corpo da vítima, natural de Maputo, foi transferido para o instituto de Medicina Legal da Coimbra, "por forma que pudesse ser conservado e, obviamente também se fazer a autopsia para identificar as causas da morte", que coincidiu com a passagem da tempestade Kristin.
Nas mesmas declarações, a diplomata avançou que outros nove cidadãos moçambicanos estão internados desde 31 de janeiro, após inalarem um gás tóxico de um gerador que funcionava dentro da residência onde se encontravam, tendo sido atendidos no Hospital Bernardino Lopes de Oliveira, em Alcobaça, após serem socorridos pelo corpo de bombeiros locais.
Portugal continental foi atingido, entre 22 e 28 de janeiro, por três tempestades consecutivas - Ingrid, Joseph e Kristin -, a última das quais deixou pelo menos dez mortos e um rasto de destruição sobretudo nos distritos de Leiria, Coimbra e Santarém.
O Governo decretou situação de calamidade até ao domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio no valor de até 2,5 mil milhões de euros.
A Lusa noticiou segunda-feira que a Proteção Civil portuguesa registou 1.327 ocorrências nas últimas 24 horas, elevando para um total de 11.839 desde que a tempestade Kristin atingiu Portugal continental, na quarta-feira passada.
A adjunta de operações do comando nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Daniela Fraga, referiu as quedas de árvores e estruturas, as inundações e movimentos em massa foram as ocorrências mais frequentes, sobretudo, nas regiões de Coimbra, Leiria, Oeste, Lisboa e Beira Baixa.
Para os próximos dias está previsto vento forte e agitação marítima, sendo o mau tempo agravado pela depressão Leonardo, segundo a adjunta de operações da ANEPC.
Daniela Fraga alertou ainda para a ocorrência de inundações em zonas urbanas, de cheias e instabilidade de vertentes, conduzindo a deslizamentos, derrocadas, entre outras consequências.
Ainda dentro dos efeitos expectáveis da depressão, está o piso escorregadio, possíveis acidentes na orla costeira e arrastamento para vias rodoviárias de objetos soltos ou desprendimento de estruturas móveis.
Linha do Norte reaberta para comboios de longo curso entre Braga e Lisboa
A circulação ferroviária na Linha do Norte para o serviço de longo curso entre Braga e Lisboa, e a Linha do Minho foi retomada hoje, prevendo-se a realização de todos os comboios, informou a CP pelas 06:00.
De acordo com a empresa será ainda reposto hoje o serviço Intercidades, na Linha da Beira Alta, em todo o trajeto.
Numa nota divulgada na rede social Facebook, a CP indica que, na sequência do temporal de quarta-feira, a circulação ferroviária continua suspensa na Linha do Douro, entre a Régua e Pocinho, a Linha do Oeste e os Urbanos de Coimbra.
Na sequência da passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, 10 pessoas morreram.
A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Depressão Leonardo vai afetar Portugal continental a partir da tarde de terça-feira
Proteção Civil com 1.420 ocorrências até às 22h00
Portugal continental registou até às 22:30 de segunda-feira 1.420 ocorrências relacionadas com o mau tempo, que afetaram sobretudo a região Centro e Lisboa e Vale do Tejo, adiantou à Lusa fonte da Proteção Civil.
Entre as 00:00 e 22:30 de hoje a região Centro foi a mais afetada com 543 ocorrências, seguida de Lisboa e Vale do Tejo (515), Norte (207), Alentejo (103) e Algarve (52), referiu Telmo Ferreira, oficial de operações da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
Durante o dia de um hoje um bombeiro ficou ferido no concelho de Ourém, distrito de Santarém, durante uma operação de recuperação, adiantou a mesma fonte.
As principais ocorrências foram queda de árvores (592), seguido de queda de infraestruturas (304), inundações (233), movimento de massas (155) e limpeza de vias (130).
A Proteção Civil registou ainda um salvamento terrestre e cinco aquáticos, tendo sido empenhados no total 4.800 operacionais, apoiados por 1.900 viaturas.
Desde o dia 27 de janeiro às 16:00 até às 16:00 de hoje a ANEPC registou 11.839 ocorrências, sendo as quedas de árvores e estruturas, as inundações e movimento de massa as mais frequentes, sobretudo, nas regiões de Coimbra, Leiria, Oeste, Lisboa e Beira Baixa.
Telmo Ferreira sublinhou ainda, num balanço à Lusa pelas 23:15, que os meios estão posicionados no terreno para fazer face às situações derivadas do mau tempo, como a subida dos rios.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.