Cristina Dias diz que saiu do ministério das Finanças com plano N+1 em andamento
A antiga chefe de gabinete da ex-ministra das Finanças, Cristina Sofia Dias, disse hoje que quando abandonou funções no Governo - em outubro de 2015 - o plano da N+1 para o Banif mantinha-se ativo e a ser negociado com Bruxelas.
"Até eu abandonar o ministério não havia nada que me fizesse pensar que a DG Comp [Direção-geral da Concorrência da Comissão Europeia] tivesse rejeitado o processo", advogou a responsável, que está a ser ouvida desde cerca das 18:20 na comissão parlamentar de inquérito ao Banif.
Bruxelas, reconhece, "tinha resistências" e "precisava de informação adicional", mas "estava a discutir" com as autoridades portuguesas o plano da empresa N+1 para o Banif.
Nos últimos meses do ano passado, o Banif tinha contratado a empresa espanhola N+1 para o assessorar na venda de um conjunto de ativos a investidores internacionais.
O objetivo da administração então liderada por Jorge Tomé era usar o dinheiro que conseguisse angariar para reembolsar o Estado do montante injetado na instituição e que ainda estava em dívida (700 milhões de euros referentes a ações e 125 milhões de `CoCos bonds`, dívida convertível em capital).
"O plano que se estava a trabalhar quando saí do Ministério das Finanças era o plano da N+1", insistiu Cristina Sofia Dias, em resposta a perguntas de vários deputados, entre os quais Carlos Abreu Amorim (PSD) e Luís Testa (PS).
A responsável deu como exemplo uma carta recebida pelo Ministério das Finanças a 29 de outubro: a missiva, enviada pela DG Comp, referia-se a uma reunião tida em Bruxelas no dia 08 do mesmo mês, e a entidade apresentava agora "um conjunto de questões" no seguimento dessa reunião sobre o plano N+1.
A viabilidade ou não do Banif e o momento em que alguns intervenientes no processo tomaram a resolução como inevitável ou, pelo menos, provável, é um dos debates centrais que a comissão de inquérito tem vindo a manter.
No âmbito da resolução do Banif, em dezembro de 2015, o Santander Totta comprou parte da atividade bancária por 150 milhões de euros, um negócio que foi alvo de polémica e está a ser escrutinado na comissão de inquérito a decorrer no parlamento.
Cristina Sofia Dias, hoje ouvida pelos deputados, começou a trabalhar com a antiga ministra das Finanças do Governo PSD/CDS-PP Maria Luís Albuquerque em outubro de 2012 e abandonou o ministério "no termo do 19.º Governo constitucional", a 30 de outubro de 2015.
A audição de hoje tem a particularidade de não ser televisionada e de não poderem ser registadas imagens fotográficas da depoente, que requereu a reserva do direito de imagem "com fundamento na salvaguarda de direitos fundamentais", vincaram os serviços da Assembleia da República.