Desinformação repete padrão das legislativas e teve impacto

A desinformação nas presidenciais revelou um padrão semelhante ao das legislativas de 2025, e teve maior impacto do que o esperado, explicou hoje à Lusa o académico Branco Di Fátima.

Lusa /

Branco Di Fátima é um dos autores do estudo de monitorização da desinformação nas redes sociais dos candidatos presidenciais feito pelo LabCom - Laboratório de Comunicação da Universidade da Beira Interior (UBI) e afirmou que "nas presidenciais houve uma repetição de um padrão, muito semelhante ao identificado nas legislativas".

O investigador começou por explicar que, em legislativas, os partidos tendem a polarizar mais a sociedade, enquanto nas presidenciais, disputadas por candidatos independentes, alguns com apoio de partidos, seria expectável "uma menor polarização da sociedade em termos de desinformação".

O académico afirmou estar "surpreendido", uma vez que acreditava haver um número muito menor de casos de desinformação nas presidenciais.

Nas legislativas de 2025, o LabCom detetou 16 casos de desinformação, e nestas presidenciais o número ainda não está fechado, mas centra-se em 17 situações.

Branco Di Fátima justificou este aumento com a polarização da sociedade, visto que "quanto mais temas fraturantes existem na sociedade, mais hipóteses há de utilizar a desinformação como uma estratégia política ancorada justamente nesses temas", como a habitação ou a saúde no caso português.

Até 13 de janeiro, os conteúdos desinformativos tinham atingido 7.712.000 visualizações nas redes sociais (todas as vezes que o conteúdo aparece aos utilizadores, incluindo repetições), e geraram 324.555 reações, 51.922 comentários e 24.543 partilhas.

Ainda assim, o investigador salientou que "a desinformação não molda significativamente os resultados eleitorais e não compromete o processo democrático, mas pode condicionar".

"Há candidatos que utilizam processos de desinformação mais intensos e constroem uma estratégia de campanha, com o interesse de influenciar a forma como as pessoas pensam e votam", explicou.

Assim, "existe um número significativo de eleitores que vão votar, considerando as informações que consumiram e procuravam distorcer a perceção da realidade".

O académico referiu ainda ser possível medir o número de mensagens desinformativas que os candidatos produzem e o seu alcance, mas "não se consegue medir exatamente como o eleitorado decide o seu voto a partir da desinformação. Existe um espaço de grande preocupação", rematou.

Em 16 de janeiro a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) abriu dois processos de contraordenação contra o responsável da página de Instragram Intrapolls e contra o Folha Nacional por violação das regras de divulgação do inquérito de opinião.

A ERC assinou em novembro de 2025 um protocolo com o LabCom para monitorizar e identificar conteúdos de desinformação publicados nas redes sociais durante a pré-campanha e campanha das presidenciais, de que resultaram a abertura destes processos.

As eleições presidenciais, disputadas por número recorde de candidatos (11), estão marcadas para domingo.

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