"Despesa está controlada". Governo destaca superavit de 0,5% após primeiro trimestre "muito difícil"

"Despesa está controlada". Governo destaca superavit de 0,5% após primeiro trimestre "muito difícil"

O ministro das Finanças frisou esta quarta-feira que os números do INE "mostram como a despesa está controlada". O Instituto Nacional de Estatística avançou esta manhã que o Estado registou, até junho, um excedente orçamental de 0,5 por cento do Produto Interno Bruto.

Joana Raposo Santos, Carlos Santos Neves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Filipe Amorim - Lusa

No primeiro trimestre do ano, as contas públicas portuguesas haviam registado um défice de 0,7 por cento do PIB, valor associado à aplicação das medidas de apoio às regiões atingidas pelas depressões Kristin, Leonardo e Marta.

Depois de um primeiro trimestre muito difícil, com as tempestades, com o início do conflito do Irão, em que tivemos um défice (…) circunstancial, o acumular do primeiro semestre tem o superavit de 0,5” por cento, destacou Joaquim Miranda Sarmento em declarações aos jornalistas. “Isso dá-nos confiança para as metas orçamentais de um ligeiro excedente e próximo do equilíbrio orçamental”, acrescentou.

O ministro afirmou que “os números do INE também mostram como a despesa está controlada”, recordando que a despesa total do Estado em 2024, “mas sobretudo em 2025 e agora em 2026”, está “muito inflacionada pelas verbas PRR” por um lado e, por outro, “por um acelerar do investimento público financiado pelo Orçamento do Estado”.

“Quando olhamos para a despesa corrente primária sem medidas extraordinárias” como o suplemento de pensões ou o PRR, “ela cresceu em 2025 em torno de 5,5” por cento abaixo do PIB nominal, referiu o governante.

“Portanto, a despesa estrutural está a descer ligeiramente abaixo do PIB nominal”, assegurou, dizendo que com “alguns números que por vezes são avançados parece que a despesa estrutural está a crescer muito acima do PIB nominal” quando não é essa a realidade.
“País entrará em défice” por culpa do Chega e PS se redução do IVA passar, avisa ministro
Sobre as propostas dos dois partidos da oposição para a redução do IVA dos combustíveis e IVA Zero no cabaz alimentar, Miranda Sarmento frisou que estas “custam, no seu conjunto, cerca de dois mil milhões de euros durante um ano inteiro”.

“Se o Parlamento aprovar esta medida para vigorar um ano inteiro em 2027, sendo o saldo orçamental muito inferior a este valor (…), naturalmente que o país entrará em défice por responsabilidade exclusiva destes dois partidos”, avisou, referindo-se ao Chega e ao PS, já que “têm ambos de votar favoravelmente para uma proposta destas poder passar”.

O ministro alertou para escolhas que “coloquem em causa o equilíbrio orçamental, que levem a um défice”, condenando a “governamentalização do Parlamento”, que “não pode suceder”.

Joaquim Miranda Sarmento recordou que “muitos previram que em 2025 o país já estaria em défice orçamental” e “falharam redondamente”. “Espero que o Parlamento não venha para 2027 ou 2028 dar-lhes razão fora de tempo”, acrescentou.
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