Economia
Economia parada. Autarcas de Leiria e Marinha Grande temem presente e futuro
O jornalista Vítor Gonçalves entrevistou domingo à noite no final do Telejornal, os presidentes de Câmara dos dois concelhos mais afetados pelo mau tempo: Leiria e Marinha Grande.
Cinco dias depois da tempestade, a falta de energia é o maior problema. Perante as necessidades gigantescas, o futuro apresenta-se incerto.
Os apoios de 2.500 milhões de euros anunciados este domingo pelo governo, são por isso "bem-vindos" pelo alívio que irão trazer "às empresas e às famílias", referiu o presidente da Câmara de Leiria.
"Temos empresas completamente devastadas uma vez que perderam as suas coberturas", disse Gonçalo Lopes, lembrando que as máquinas estão à mercê das intempéries que se anunciam para a próxima semana.
"Os prejuízos são muito, muito elevados", lamentou, invocando o encerramento de multinacionais, "como a Rocca, que emprega mais de mil pessoas". É semelhante "ao que aconteceu com o Covid: a economia pára", exemplificou Gonçalo Lopes, devido às reparações que terão de ser realizadas.
O grau de devastação foi tal que é ainda difícil aos autarcas terem uma ideia dos prejuízos e orçamentar o que virá a ser necessário para recuperar casas e empresas.
Já o autarca da Marinha Grande, Paulo Vicente, teme que os apoios não sejam suficientes.
“Eu temo muito sinceramente que não seja suficiente. O nosso tecido económico, as nossas indústrias estão paralisados”, lamentou. “Há fábricas completamente arrasadas. Os próprios trabalhadores, que ainda não tinham recebido os seus salários, estão em pânico”.
Ainda na entrevista à RTP, o autarca de Leiria também disse estar preocupado com os empregadores e os empregados, alertando que eventuais lay-offs vão “provocar o arrefecimento da economia” e “algum desemprego”.
“Já temos situações de pessoas que estavam em trabalho temporário e que foram as primeiras a sair logo a seguir ao evento”, contou. Soluções
Uma medida que poderá apoiar a população local nas suas deslocações poderá ser "a suspensão imediata das portagens da A8 entre a Marinha Grande e Leiria”, sugeriu Paulo Vicente.
“Temos a estrada nacional 242 que neste momento” já não consegue dar resposta aos “milhares” de viaturas, explicou ao jornalista Vítor Gonçalves.
“Com a recuperação das habitações vai haver muita interrupção de trânsito, pelo que, seria necessário, por um período de tempo, que as portagens deste troço da autoestrada fossem suspensas”, defendeu.
“Temos a estrada nacional 242 que neste momento” já não consegue dar resposta aos “milhares” de viaturas, explicou ao jornalista Vítor Gonçalves.
“Com a recuperação das habitações vai haver muita interrupção de trânsito, pelo que, seria necessário, por um período de tempo, que as portagens deste troço da autoestrada fossem suspensas”, defendeu.
Ambos os autarcas ponderam igualmente o regresso do ensino à distância devido aos danos nas escolas.
Em Leiria, as escolas vão estar encerradas até quarta-feira. “Nós temos 126 escolas onde vão todos os dias cerca de 15 mil alunos. Isto representa também um atraso no ensino. Não estamos em condições de as abrir”, afirmou o autarca.
“Vamos ter de encontrar alternativas”, disse Gonçalo Lopes à RTP. “Vai ser um grande desafio”.
Na Marinha Grande, apenas “um pequeno número” de escolas poderá ser reaberto esta semana, adiantou o autarca do município.
Eletricidade, água, comunicações
A necessidade mais imediata em ambos os concelhos continua a ser a reposição de energia, cuja falta dificulta o fornecimento de água e a o regresso das comunicações.
“O concelho de Leiria tem cerca de 83 mil pontos de eletricidade – sejam
casas, sejam indústrias – e atualmente temos 50 mil que não têm”,
detalhou Gonçalo Lopes.
O vento derrubou as torres de comunicações e de alta tensão, e ambos os responsáveis camarários desconhecem quando voltarão a ser repostas as ligações.
Também o fornecimento de água permanece difícil em ambos os concelhos, já que só consegue ser feito à custa de geradores.
“Estima-se que durante a semana ainda haja muitas casas sem eletricidade”, acrescentou.
Paulo Vicente recordou por seu lado as dificuldades de comunicações que isolaram totalmente a Marinha Grande após a depressão Kristin atingir terra.
“Estivemos durante mais de 12 horas completamente isolados”, relembrou o autarca.
“Não tínhamos comunicações, não tínhamos eletricidade, as vias de comunicação estavam obstruídas, portanto tivemos nós de, com os nossos meios, desimpedir as comunicações principais”, disse ao jornalista Vítor Gonçalves.
Paulo Vicente alertou ainda que, até ontem, havia pilhagens dos cabos que alimentavam os quadros e também alguns geradores. “Depois do nosso apelo para que fosse reforçada a segurança, estamos mais descansados”, afirmou.
“Não tínhamos comunicações, não tínhamos eletricidade, as vias de comunicação estavam obstruídas, portanto tivemos nós de, com os nossos meios, desimpedir as comunicações principais”, disse ao jornalista Vítor Gonçalves.
Paulo Vicente alertou ainda que, até ontem, havia pilhagens dos cabos que alimentavam os quadros e também alguns geradores. “Depois do nosso apelo para que fosse reforçada a segurança, estamos mais descansados”, afirmou.