Empresários do Alto Minho exigem investimento de "migalhas" para o porto de Viana
Viana do Castelo, 22 abr (Lusa) - Os empresários do Alto Minho exigiram hoje ao Governo prioridade na construção dos acessos rodoviários do porto de mar de Viana do Castelo, dizendo tratar-se de um investimento de "migalhas" que tarda em avançar.
Em comunicado, as direções da Associação Empresarial de Viana do Castelo e da Confederação Empresarial do Alto Minho dizem que "ano após ano, de quadro comunitário de apoio em quadro comunitário de apoio, de plano estratégico em plano estratégico", a região vê "goradas" as "expectativas" de investimentos em "áreas fundamentais e propiciadoras da fixação e atração de atividade empresarial, da criação de emprego e de riqueza".
"A história está prestes a repetir-se. É essa a intenção do Governo quando pretende, nos próximos sete anos, duplicar o transporte de mercadorias nos portos e ferrovias e não reserva um euro para as acessibilidades ao porto de mar de Viana do Castelo. Surpreendente", lê-se no mesmo comunicado conjunto, enviado hoje à Lusa.
Em causa está, nomeadamente, a nova acessibilidade rodoviária direta ao porto de mar da cidade, excluída das prioridades do Governo no Plano Estratégico no domínio de Transportes e Infraestruturas, no âmbito do quadro de fundos comunitários 2014-2020.
Trata-se de uma nova via com menos de dez quilómetros, para ligar o porto ao nó da A28, em São Romão de Neiva, permitindo retirar o tráfego de pesados pelo interior de vias urbanas. O projeto, de nove milhões de euros, está concluído desde 2008 e grande parte das expropriações dos terrenos necessários já foram efetuadas, dependendo a obra de uma candidatura a fundos comunitários.
"Não se trata de priorizar investimentos por estratégia, esforço financeiro ou custo de oportunidade, mas sim de condenar um dos sete maiores portos nacionais, o único que não merece umas `migalhas` de um significativo orçamento", apontam os representantes dos empresários da região do Alto Minho.
Recordam que "com o necessário investimento" o porto de mar de Viana do Castelo "verá aumentar o movimento de mercadorias, nomeadamente a carga de exportação", até porque a região já conta com "grandes empresas que o utilizam e pretendem continuar a utilizar".
"E outras se fixarão se tivermos um porto de mar eficiente e competitivo", rematam os empresários, que além das acessibilidades - rodoviárias e marítimas - exigem ao Governo um investimento em meios de elevação naquela infraestrutura.
O porto de Viana do Castelo voltou a ser predominantemente exportador em 2013, apesar da quebra na carga movimentada por quase 200 navios, explicada pela administração portuária com as situações de mau tempo no final do ano.
Em todo o ano de 2013 aquele porto movimentou mais de 496 mil toneladas de carga, o correspondente a uma quebra de 1% face ao ano anterior. Deste total, cerca 290 mil toneladas dizem respeito a exportações.