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Empresários moçambicanos pedem injeção de divisas a acompanhar redução da taxa de juros

Empresários moçambicanos pedem injeção de divisas a acompanhar redução da taxa de juros

Os empresários moçambicanos pedem a injeção de divisas na economia nacional como medida para acompanhar a anunciada redução da taxa de juros, aliviando a pressão cambial, refere um comunicado da confederação empresarial, consultado hoje pela Lusa. 

Lusa /

Para maximizar os efeitos positivos da política monetária sobre a economia real, a CTA [Confederação das Associações Económicas de Moçambique] defende que a redução da taxa MIMO deve ser acompanhada por intervenções mais ativas no Mercado Cambial Interbancário, nomeadamente através do aumento da injeção de divisas de modo a aliviar a pressão cambial, lê-se no documento dos empresários.

Na última quarta-feira, o Banco de Moçambique cortou, pela 12.ª vez consecutiva, a taxa de juro de política monetária MIMO, em 0,25 pontos, para 9,25%, prevendo a sua estabilização, mas alertando para o efeito das cheias nos preços.

Os empresários moçambicanos entendem que, em face da redução da taxa MIMO, a injeção de divisas vai permitir, igualmente, reduzir custos de importação e criar um ambiente mais estável para o planeamento empresarial. 

"A conjugação destas medidas reforçaria significativamente o impacto da política monetária sobre o setor produtivo", refere a CTA, que, apesar de reconhecer os desafios da conjuntura socioeconómica - agravada recentemente pelo impacto das cheias no sul do país -, saúda a medida tomada pelo banco central.

A organização dos empresários sublinha que a redução da taxa MIMO cria espaço para a diminuição dos custos do crédito bancário, podendo beneficiar as empresas através de juros mais baixos no financiamento de investimentos, reforço do capital de exploração e maior previsibilidade na gestão financeira, fatores cruciais num contexto de recuperação económica.

"A CTA saúda positivamente esta decisão, por constituir um sinal favorável à melhoria gradual das condições de financiamento na economia", lê-se no documento. 

A taxa de juro diretora em Moçambique esteve fixada em 17,25% desde setembro de 2022, após a intervenção do banco central, que depois iniciou cortes consecutivos a partir de 31 de janeiro de 2024, quando reduziu para 16,5%.

Em março do ano passado o Banco de Moçambique cortou a taxa para 15,75%, reduções que se foram repetindo em todas as reuniões seguintes, até chegar a 9,75% em setembro, 9,50% em novembro e agora 9,25%.

"Entretanto, em face do agravamento destes riscos e das incertezas, o CPMO considera que se aproxima o fim do ciclo de redução da taxa MIMO iniciado em janeiro de 2024", disse o governador do Banco e Moçambique, Rogério Zandamela, durante anúncio da redução, recordando que essa trajetória descendente poderia prolongar-se, na previsão inicial, até 36 meses.

"A perspetiva da inflação mantém-se em um dígito no médio prazo. Em dezembro de 2025, a inflação anual fixou-se em 3,2%, após 4,4% em novembro. Estamos como a inflação um sucesso, a um nível razoável, a um nível baixo da nossa inflação. É algo que nos orgulha", apontou.

O Comité de Política Monetária (CPMO) de Moçambique reúne-se a cada dois meses e a próxima reunião está agendada para 30 de março de 2026.

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