EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Empresas dos EUA temem mais um abrandamento da economia chinesa do que tarifas

Empresas dos EUA temem mais um abrandamento da economia chinesa do que tarifas

As empresas dos Estados Unidos estão mais preocupadas com a desaceleração da economia chinesa do que com as fricções comerciais entre os dois países, segundo um inquérito divulgado hoje.

Lusa /

Entre as 368 empresas que responderam à sondagem da Câmara de Comércio Americana na China (AmCham China), 64% indicaram o abrandamento económico da segunda maior economia mundial como a principal preocupação, enquanto 58% apontaram as tensões comerciais sino-americanas como um dos principais desafios.

Segundo o relatório, uma das razões poderá ser o facto de muitas das empresas operarem com foco no mercado interno chinês -- com cerca de 1,4 mil milhões de consumidores -- e não dependerem diretamente das exportações para os EUA.

A economia chinesa cresceu cerca de 5% em 2025, mas os economistas preveem um abrandamento adicional este ano. As exportações superaram as importações no ano passado, originando um excedente comercial recorde de quase 1,2 biliões de dólares (mais de 1 bilião de euros).

Apesar das incertezas, o sentimento empresarial melhorou face a 2024: mais de metade das empresas inquiridas indicou ter registado lucros no último ano, contra menos de metade no ano anterior.

O ambiente tem sido volátil para os negócios norte-americanos desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca há quase um ano. No entanto, a trégua comercial alcançada entre Washington e Pequim -- após a imposição de tarifas até 145% sobre importações chinesas -- trouxe algum alívio.

Está prevista uma visita de Trump a Pequim em abril e, segundo a AmCham, o Presidente chinês, Xi Jinping, poderá deslocar-se aos EUA ainda este ano.

Apesar disso, o investimento estrangeiro na China tem vindo a diminuir. Segundo dados oficiais, o investimento direto estrangeiro fixou-se em 693 mil milhões de yuan (cerca de 85 mil milhões de euros) nos primeiros 11 meses de 2025, uma queda de 7,5% face ao ano anterior.

"As nossas empresas têm de lidar com as realidades políticas, mas continuam focadas nas oportunidades de negócio", afirmou o presidente da AmCham China, Michael Hart, numa conferência de imprensa. "Temos sentido que o Governo chinês quer atrair investimento estrangeiro, incluindo dos EUA", apontou.

O estudo revelou ainda que 48% das empresas inquiridas manifestaram otimismo quanto ao crescimento dos negócios na China nos próximos dois anos, face aos 37% registados em 2024.

Durante a conferência anual de trabalho económico, realizada em dezembro em Pequim, os líderes chineses reconheceram a necessidade de reformar e melhorar os mecanismos de promoção de investimento estrangeiro.

O inquérito da AmCham foi realizado entre 22 de outubro e 20 de novembro, na mesma altura em que Trump e Xi se encontraram na Coreia do Sul e acordaram prolongar a trégua comercial.

Tópicos
PUB