Economia
Empresas portuguesas tentam vingar na arte dos videojogos
Não é fácil, mas parece possível. Num setor dominado por um pequeno conjunto de multinacionais, há empresas portuguesas a dar cartas nos videojogos. São sobretudo projetos de pequena dimensão, onde a verdadeira paixão representa um segundo emprego. Tudo porque, na maioria das vezes, é preciso mais do que talento para conseguir vencer.
A oportunidade apareceu e Nélio agarrou-a em 2008. “Havia várias empresas em Portugal à procura de outras que pudessem produzir jogos para publicitar os seus produtos e serviços”, explica um dos fundadores da Battlesheep. A empresa emprega hoje duas pessoas a tempo inteiro e recorre a freelancers e a outros estúdios quando é necessário.
“É uma forma de reduzirmos os nossos custos ao mínimo”, justifica Nélio Codices, que marca presença na primeira edição da Lisboa Games Week. A empresa começou por produzir apenas para clientes, mas acabou por iniciar a criação própria de videojogos, para aumentar a sua independência. De um total de 12 jogos próprios, o Bounty Monkey é o mais famoso, somando cerca de 300 mil downloads.

“É uma forma de reduzirmos os nossos custos ao mínimo”, justifica Nélio Codices, que marca presença na primeira edição da Lisboa Games Week. A empresa começou por produzir apenas para clientes, mas acabou por iniciar a criação própria de videojogos, para aumentar a sua independência. De um total de 12 jogos próprios, o Bounty Monkey é o mais famoso, somando cerca de 300 mil downloads.
“É um número interessante, sobretudo porque não fizemos uma grande campanha de marketing”, explicou o jovem à RTP. O jogo está disponível para Android e iOS de forma gratuita, com as receitas a serem provenientes da publicidade e de algumas subscrições pagas que permitem aceder a conteúdo adicional. Mesmo assim, são muito poucos os clientes que aderem ao conteúdo pago.
As lojas online, sobretudo para dispositivos móveis, tornaram muito mais fácil a publicação de jogos. “Nesta década, que ainda não chegou a metade, Portugal já produziu mais jogos, quer em quantidade como em qualidade, do que na década passada”, explica Ivan Barroso, autor do livro “História dos Videojogos”.
Mas a facilidade em publicar não significa que o mesmo tenha a visibilidade necessária.
Investir em marketing
“Há pessoas que têm conseguido viver, mas é mais sobreviver”, desabafa Nélio. “Como não há investimento, não temos capacidade para fazer campanhas de marketing e fazer com o que os nossos produtos sejam visíveis.
Uma preocupação que não é exclusiva de Nélio. Aos 23 anos, Ana Bettencourt está a criar um jogo com mais uma dezena de colegas. Não constituíram ainda uma empresa e estão já cientes das dificuldades para que o seu produto se torne realmente visível.Para muitos, a produção de videojogos é mais um hobby, sendo necessário ter outro emprego.
“Mesmo quem já tem uma faturação constante, não sente a confiança para abandonar o trabalho do dia-a-dia”, explica Nélio.
“É um risco que tem de ser muito bem analisado”, conclui o jovem empreendedor.
“Podemos ter o melhor jogo do mundo, se as pessoas não souberem dele, não serve de nada”, receia a jovem. O grupo quer continuar a desenvolver o jogo, para depois procurar um publisher ou um investidor que os possa ajudar nesta missão. Por agora, continuam em trabalho contínuo para concluir o projeto.
“Acordo de manhã, sento-me ao computador, almoço no computador, janto no computador e vou dormir”, explica Ana. Mesmo sem empresa, ela e os seus companheiros entregam-se de corpo e alma a um projeto no qual acreditam.


“Quem tiver uma ideia, nós desenvolvemos as ferramentas de desenvolvimento, fornecemos equipamento e ajudamos a colocá-las em todo o mundo”, explica Alexandre Mestre, gestor de produto da Xbox. Os jogos ficam disponíveis na loja online da consola, havendo mais alguns estúdios nacionais com projetos em andamento, segundo o representante da Microsoft.
"O fisco devora as pernas"
Os produtores nacionais lamentam a falta de apoio para o setor. “O fisco devora as pernas nos primeiros anos”, considera o especialista na área Ivan Barroso. Refere que falta sustentabilidade a uma atividade que, acredita, poderia ser uma bandeira do país.
“Há possibilidade de tornar isto uma grande representação de Portugal lá fora”, afirma, considerando que é um produto que é facilmente exportável, por conseguir chegar rapidamente a uma grande quantidade de público.
“Já há bons estúdios, conseguimos fazer alguns bons jogos, e há tendência para que se desenvolva”, considera Pedro Silveira, membro da organização da Lisboa Games Week.
“Como é óbvio, não estamos na linha da frente. Mas acho que quando nos metemos nas coisas, caminhamos para chegar ao topo”, acrescenta.Num setor onde vencer é difícil, são centenas de jovens que seguem o sonho. Ana Bettencourt, ainda no princípio, salienta o espírito da comunidade e dos restantes grupos e empresas.
“Não fazia ideia que havia esta comunidade, ajudam-se uns aos outros”, afirma, considerando que foram muito bem recebidos. “A maior parte deles trabalha que se desunha e não ganha nada e, mesmo assim, faz montes de coisas”, afirma.
Também ela está confiante que conseguirá fazer um bom produto, mas há ainda lacunas na promoção dos videojogos nacionais, para assegurar que estes cheguem ao maior número de pessoas possível. Também nos videojogos é preciso mais do que talento para se vencer.
As lojas online, sobretudo para dispositivos móveis, tornaram muito mais fácil a publicação de jogos. “Nesta década, que ainda não chegou a metade, Portugal já produziu mais jogos, quer em quantidade como em qualidade, do que na década passada”, explica Ivan Barroso, autor do livro “História dos Videojogos”.
Mas a facilidade em publicar não significa que o mesmo tenha a visibilidade necessária.
Investir em marketing
“Há pessoas que têm conseguido viver, mas é mais sobreviver”, desabafa Nélio. “Como não há investimento, não temos capacidade para fazer campanhas de marketing e fazer com o que os nossos produtos sejam visíveis.
Uma preocupação que não é exclusiva de Nélio. Aos 23 anos, Ana Bettencourt está a criar um jogo com mais uma dezena de colegas. Não constituíram ainda uma empresa e estão já cientes das dificuldades para que o seu produto se torne realmente visível.Para muitos, a produção de videojogos é mais um hobby, sendo necessário ter outro emprego.
“Mesmo quem já tem uma faturação constante, não sente a confiança para abandonar o trabalho do dia-a-dia”, explica Nélio.
“É um risco que tem de ser muito bem analisado”, conclui o jovem empreendedor.
“Podemos ter o melhor jogo do mundo, se as pessoas não souberem dele, não serve de nada”, receia a jovem. O grupo quer continuar a desenvolver o jogo, para depois procurar um publisher ou um investidor que os possa ajudar nesta missão. Por agora, continuam em trabalho contínuo para concluir o projeto.
“Acordo de manhã, sento-me ao computador, almoço no computador, janto no computador e vou dormir”, explica Ana. Mesmo sem empresa, ela e os seus companheiros entregam-se de corpo e alma a um projeto no qual acreditam.
“É impossível fazer um jogo e não acreditar no que se está a fazer”, até porque, admite, “a coisa mais fácil é desistir”.
Ana começou a trabalhar no jogo Beetle’s Land há mais de um ano, com um colega. Hoje são mais de uma dezena de jovens que se dedicam ao projeto, sem uma certeza de rendimento, nem garantias de lucros para todos. “O sonho é maior”, relembra a jovem de 23 anos.
"Dá para sobreviver"
À medida que a tecnologia avança as empresas multiplicam-se. Para muitos jovens, os videojogos passam de uma diversão à verdadeira profissão. É o caso de Maike Domingues, que tem hoje 24 anos.
“Sempre tive aquela vontade de fazer jogos”, afirma o jovem que foi desenvolvendo conhecimentos ao longo dos anos. Os amigos foram-se juntando, foram conhecendo novas pessoas, até que uma editora se mostrou interessada no projeto. Todos acabaram por deixar a Faculdade, para dedicar-se em exclusivo aos videojogos. Em 2013, surgiu a empresa Arkavi que emprega seis jovens a tempo inteiro.
“É um bocado um mito que é muito difícil viver dos videojogos”, considera, embora realce que “não vivemos à grande e à francesa”, mas “dá para sobreviver”.
O jogo de estratégia está hoje à venda no portal Steam. Lords of the Black Sun começou a ser vendido, a preço inferior, ainda na fase de desenvolvimento, permitindo a entrada de fundos e o aperfeiçoamento do software. A empresa partilha as receitas da venda com uma editora e com a plataforma onde o jogo é vendido.Mike Domingues considera que é preciso mais investimento e mais experiência na área. Mas não duvida que esta será a sua profissão: “Não me imagino a fazer outra coisa”, afirma o jovem de 24 anos.
O jovem de Leiria quer agora receber críticas dos jogadores para poder ir melhorando o jogo, antes de poder lançar conteúdos adicionais para o projeto. Ao mesmo tempo, a Arkavi já se encontra a trabalhar num novo projeto, que deverá ser lançado em 2015 e se destina a um público diferente.
“Há pessoas que conseguem fazer disso profissão”, afirma o historiador de videojogos Ivan Barroso. Acrescenta que há também muitos que trabalham na área em part-time e que não deixam de ter sucesso. O jogo Quest of Dungeons é feito por uma só pessoa e será o primeiro jogo português a estar disponibilizado na Xbox One, a mais recente consola da Microsoft, explicou à RTP.
"Dá para sobreviver"
À medida que a tecnologia avança as empresas multiplicam-se. Para muitos jovens, os videojogos passam de uma diversão à verdadeira profissão. É o caso de Maike Domingues, que tem hoje 24 anos.
“Sempre tive aquela vontade de fazer jogos”, afirma o jovem que foi desenvolvendo conhecimentos ao longo dos anos. Os amigos foram-se juntando, foram conhecendo novas pessoas, até que uma editora se mostrou interessada no projeto. Todos acabaram por deixar a Faculdade, para dedicar-se em exclusivo aos videojogos. Em 2013, surgiu a empresa Arkavi que emprega seis jovens a tempo inteiro.
“É um bocado um mito que é muito difícil viver dos videojogos”, considera, embora realce que “não vivemos à grande e à francesa”, mas “dá para sobreviver”.
O jogo de estratégia está hoje à venda no portal Steam. Lords of the Black Sun começou a ser vendido, a preço inferior, ainda na fase de desenvolvimento, permitindo a entrada de fundos e o aperfeiçoamento do software. A empresa partilha as receitas da venda com uma editora e com a plataforma onde o jogo é vendido.Mike Domingues considera que é preciso mais investimento e mais experiência na área. Mas não duvida que esta será a sua profissão: “Não me imagino a fazer outra coisa”, afirma o jovem de 24 anos.
O jovem de Leiria quer agora receber críticas dos jogadores para poder ir melhorando o jogo, antes de poder lançar conteúdos adicionais para o projeto. Ao mesmo tempo, a Arkavi já se encontra a trabalhar num novo projeto, que deverá ser lançado em 2015 e se destina a um público diferente.
“Há pessoas que conseguem fazer disso profissão”, afirma o historiador de videojogos Ivan Barroso. Acrescenta que há também muitos que trabalham na área em part-time e que não deixam de ter sucesso. O jogo Quest of Dungeons é feito por uma só pessoa e será o primeiro jogo português a estar disponibilizado na Xbox One, a mais recente consola da Microsoft, explicou à RTP.
“Quem tiver uma ideia, nós desenvolvemos as ferramentas de desenvolvimento, fornecemos equipamento e ajudamos a colocá-las em todo o mundo”, explica Alexandre Mestre, gestor de produto da Xbox. Os jogos ficam disponíveis na loja online da consola, havendo mais alguns estúdios nacionais com projetos em andamento, segundo o representante da Microsoft.
"O fisco devora as pernas"
Os produtores nacionais lamentam a falta de apoio para o setor. “O fisco devora as pernas nos primeiros anos”, considera o especialista na área Ivan Barroso. Refere que falta sustentabilidade a uma atividade que, acredita, poderia ser uma bandeira do país.
“Há possibilidade de tornar isto uma grande representação de Portugal lá fora”, afirma, considerando que é um produto que é facilmente exportável, por conseguir chegar rapidamente a uma grande quantidade de público.
“Já há bons estúdios, conseguimos fazer alguns bons jogos, e há tendência para que se desenvolva”, considera Pedro Silveira, membro da organização da Lisboa Games Week.
“Como é óbvio, não estamos na linha da frente. Mas acho que quando nos metemos nas coisas, caminhamos para chegar ao topo”, acrescenta.Num setor onde vencer é difícil, são centenas de jovens que seguem o sonho. Ana Bettencourt, ainda no princípio, salienta o espírito da comunidade e dos restantes grupos e empresas.
“Não fazia ideia que havia esta comunidade, ajudam-se uns aos outros”, afirma, considerando que foram muito bem recebidos. “A maior parte deles trabalha que se desunha e não ganha nada e, mesmo assim, faz montes de coisas”, afirma.
Também ela está confiante que conseguirá fazer um bom produto, mas há ainda lacunas na promoção dos videojogos nacionais, para assegurar que estes cheguem ao maior número de pessoas possível. Também nos videojogos é preciso mais do que talento para se vencer.