Escuteiros ameaçam processar Media Markt por campanha ofensiva
Lisboa, 30 Jan (Lusa) - O Corpo Nacional de Escuteiros está ofendido com a campanha publicitária da Media Markt, com o slogan "Eu é que não sou parvo", e ameaça a empresa com um processo judicial caso não a suspenda.
O chefe do Corpo Nacional de Escuteiros, Carlos Alberto Pereira, remeteu um ofício à empresa denunciando que a campanha é "clara, objectiva e intoleravelmente ofensiva para os 80.000 escuteiros portugueses e suas famílias" e solicita "a suspensão imediata da referida campanha publicitária e a cessação da menção aos escuteiros". "De outro modo, teremos de agir judicialmente, quer civil, quer criminalmente", lê-se no ofício.
A Media Markt lamentou já "a errada interpretação que foi dada por alguns", sustentando que a campanha "baseia-se no nosso slogan usado a nível internacional "Eu é que não sou parvo", adaptado à língua materna de cada país", acrescentando que no caso teve "como ideia central a criação de uma nação fictícia - a Parvónia - onde vivem os seus originários cidadãos: os Parvos".
Em comunicado enviado à Agência Lusa, a empresa defende que "todo o tom da campanha é humorado e bem disposto, não querendo nunca ofender, retratar de forma agressiva ou ferir a susceptibilidade de qualquer grupo ou entidade social".
Para a empresa, "os intervenientes são apenas caricaturas de personagens pertencentes" da "comitiva" que, em contacto com uma "nova realidade se comportam de uma forma "patusca".
A Media Markt salienta que nunca quis "retratar classes políticas ou sociais nem (...) denegrir a imagem de grupos sociais tão importantes e fundamentais para a sociedade como o são todas as corporações de escuteiros, que para muitos jovens portugueses foram e são uma grande escola de vida".
Além da personagem do escuteiro, a campanha apresenta outros três "cidadãos da Parvónia" de visita a Portugal, anunciados como o presidente e a miss deste país imaginário e ainda um general.
"Todos os cidadãos da Parvónia têm como principal característica a sua parvoíce. São desligados do mundo, vivem no antigamente e basicamente...são parvos!", descreve o sítio da empresa na Internet.
Nuno Castela Canilho, dirigente do Agrupamento de Escuteiros 1037 da Mealhada e primeiro signatário de uma petição na Internet que soma já mais de 3.500 assinaturas, disse hoje à Agência Lusa que a petição exige "a retirada do anúncio e um pedido de desculpas".
"A publicidade não precisava de um escuteiro para dar a ideia dos parvos", defendeu o dirigente escutista, sustentando que "se não estivesse fardado era igual".
Nuno Canilho explicou que teve contacto com a campanha no domingo, sentindo-se "ultrajado" e "insultado" com a utilização "perfeitamente gratuita" da imagem escutista, que "tem um movimento global de 30 milhões no mundo".
De acordo com Nuno Castela Canilho, os primeiros "spots" publicitários despertaram a atenção de "dirigentes, escuteiros e pais", apesar de nos novos anúncios da campanha "o escuteiro ser ainda mais ridicularizado", sintetizando: "Afinal é o maior parvalhão de todos".
"A campanha está a piorar para os escuteiros", frisou o dirigente escutista, considerando que "a Media Markt está a ignorar o protesto".
JPS.
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