BE fala em "gritante falta de empatia"
PCP quer saber se trabalhadores afetados vão receber totalidade dos salários
“Garante que os milhares de trabalhadores que enfrentam a situação nas zonas afetadas vão receber os 100 por cento dos seus salários, como foi publicamente anunciado, ou vai dar o dito por não dito?”, perguntou ao primeiro-ministro.
Luís Montenegro respondeu que o Governo tem várias medidas para a ajuda as empresas e ao emprego, passando a enumerá-las.
Livre quer Governo a apoiar comissão de acompanhamento sobre a catástrofe
“Acho que não termos uma cultura de prevenção é uma fatalidade”, considerou, adiantando que o seu partido vai apresentar uma proposta para “uma comissão eventual de acompanhamento em relação a esta catástrofe”.
“Quero ouvir da sua parte que o Governo apoiará esta proposta”, afirmou Rui Tavares, dizendo ainda que está disposto a discutir um orçamento retificativo.
O primeiro-ministro respondeu que houve uma comunicação do Governo ao país e que o próprio gabinete de Luís Montenegro emitiu um comunicado, tendo depois participado em reuniões e briefings com as autoridades.
“Nós estamos sempre a tempo de afinar procedimentos” e “corrigir uma ou outra deficiência que seja detetada”, mas a crítica do Livre é “injusta e injustificada”, considerou.
Quanto à comissão de acompanhamento que o Livre vai propor, Luís Montenegro disse que se justifica uma comissão eventual para o acompanhamento da execução do PTRR e “muitas das medidas que possam nele ser integradas, incluindo as vindas dos partidos políticos”.
Montenegro promete apresentar amanhã versão inicial do PTRR
A líder da Iniciativa Liberal quis saber concretamente quanto mais tempo as pessoas afetadas vão ter de esperar pela reposição de serviços essenciais, como a energia ou a água.
Quanto ao PTRR, “o problema é que ninguém sabe em que consiste, quem vai apoiar, sobre que infraestruturas críticas vai incidir, quais os municípios abrangidos, qual o valor alocado, como se vai financiar”, enumerou.
O primeiro-ministro respondeu que não tem a possibilidade de garantir às pessoas afetadas uma data concreta para a reposição da normalidade.
Sobre o PTRR, Luís Montenegro disse que será apresentada amanhã uma versão inicial desse programa e que na próxima semana será apresentado o documento aos partidos políticos para “ser alvo de aprofundamento”.
Montenegro diz que não será prolongada a situação de calamidade
O socialista quis saber se o Governo está disposto a prolongar a situação de calamidade de modo a agilizar a entrega de apoios à recuperação.
O primeiro-ministro respondeu que não vai ser prolongada a situação de calamidade e que as medidas de recuperação estão contempladas no PTRR.
Montenegro diz que Carneiro "tem saudades de ser MAI"
Empunhando a Lei de Bases da Proteção Civil, o socialista acusa o primeiro-ministro de falhar redondamente na prevenção, na precaução e na ação.
“O primeiro-ministro não espera por orientações da Proteção Civil, o primeiro-ministro dá ordens à Proteção Civil”, afirmou.
“Porque não ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil?”, pergunta Carneiro.
Luís Montenegro sacode as críticas e responde dizendo que José Luís Carneiro "tem saudades de ser MAI".
"Governo chegou tarde e a más horas à emergência", acusa Carneiro
“O Governo chegou tarde e a más horas à emergência”, acusou, mas o PS não fará da tragédia instrumento de luta política. Mas já que o Estado falhou não pode falhar agora no auxílio, disse o socialista.
O secretário-geral do PS defendeu a apresentação mensal no Parlamento da execução de um orçamento retificativo decorrente da necessidade de auxílio das vítimas da intempérie.
O primeiro-ministro agradeceu as palavras de Carneiro, mas disse que não há por agora indícios que apontem para a necessidade de um orçamento retificativo.
Chega quer saber porque é que "o SIRESP voltou a falhar"
“Enquanto pessoas morriam a recompor telhados, os senhores deviam ter mexido o Estado. Não o fizeram. É culpa vossa também”, apontou o líder do Chega.
Luís Montenegro considerou “deplorável” que Ventura diga que houve pessoas que morreram a concertar os seus telhados por responsabilidade do Estado.
Conselho de Ministros aprova sexta-feira linhas gerais do PTRR
O primeiro-ministro anunciou hoje que o Conselho de Ministros vai aprovar na sexta-feira as linhas do programa "Portugal Recuperação, Transformação e Resiliência", para o qual quer a colaboração dos restantes partidos e do atual e futuro Presidente da República.
"Estamos todos convocados e este desafio coletivo representa uma responsabilidade partilhada e coincide, de resto, com uma nova fase do ciclo político, com um horizonte de três anos e meio sem eleições nacionais e com um novo Presidente da República empossado", afirmou Luís Montenegro no debate quinzenal no parlamento.
Montenegro vai propor novo MAI na próxima semana
Ventura acusa Montenegro de falhar "redondamente" e quer saber quem é o próximo MAI
“Apesar de esta bancada três semanas antes lhe ter dito que a senhora ministra da Administração Interna não tinha nenhumas condições para continuar no cargo, insistiu em mantê-la”, frisou o líder do Chega.
“Senhor primeiro-ministro, já não é só incompetência da ministra da Administração Interna, que já não está aqui. É sua incompetência na gestão deste problema”.
Ventura quis saber se Luís Montenegro já escolheu ou não um novo ministro para assumir essa pasta.
Na resposta, o primeiro-ministro disse que quem falhou foi André Ventura porque “não foi capaz de dizer que, perante uma ocorrência cujos contornos não eram completamente antecipáveis, a Proteção Civil acionou todos os seus instrumentos para estar em prontidão”.
Apoios do Estado já são de 3,5 mil milhões de euros
O primeiro-ministro anunciou hoje que o montante global de apoios do Estado para responder às consequências do mau tempo já ascendem a 3,5 mil milhões de euros, defendendo que existiram respostas excecionais a "um desafio excecional".
"Nunca o país cortou tanto em burocracia", afirmou Luís Montenegro.
“O Estado nunca faz tudo de forma perfeita, mas nunca respondeu com esta rapidez e eficácia perante uma catástrofe”, acrescentou, afirmando que "a comparação com situações semelhantes, em Portugal e no estrangeiro, é capaz de o comprovar".
“A recuperação longa e exigente”, disse, adiantando que esta sexta-feira, o Conselho de Ministros aprovará as linhas gerais do PTRR (Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência).
"Não vamos deixar ninguém para trás"
“Desde a primeira hora coordenámos, comunicámos, decidimos e estivemos no terreno. Mobilizámos todos os recursos (…)”, garantiu o primeiro-ministro. “Não vamos deixar ninguém para trás”, acrescentou.
Montenegro realçou o trabalho de desobstrução de vias ferroviárias e rodoviárias, gestão de barragens e gestão das ligações elétricas e de água, afirmado que “o fornecimento de energia foi reposto em poucos dias para mais de um milhão de pessoas”.
“Tem-se feito tudo para responder às necessidades dos portugueses mais afetados”, asseverou. “Um desafio excecional exigiu medidas excecionais”.
Montenegro volta ao Parlamento para debate quinzenal com "desafio enorme" em pano de fundo
O confronto entre Governo e oposição estava agendado para o dia 11 de fevereiro. Foi então adiado para a sexta-feira seguinte, na sequência da demissão da ministra da Administração Interna. E perante um quadro meteorológico ainda preocupante, na Região Centro, acabou protelado pela segunda vez.
É ainda um primeiro-ministro a acumular a pasta da Administração Interna – e à frente de um país já sem qualquer município em situação de calamidade - aquele que se apresenta agora no debate quinzenal.A prorrogação do quadro de exceção tem sido uma reivindicação comum a vozes dos partidos da oposição.
Na quarta-feira, André Ventura reuniu mesmo o denominado "governo-sombra" do Chega para discutir os impactos do mau tempo. Ocasião para insistir na tecla do que o partido considera ser a “inoperacionalidade do Governo nesta crise” e reivindicar, uma vez mais, o prolongamento da situação de calamidade.
Por sua vez, o PS acusou o Executivo de insensibilidade, mostrando-se disponível para ir além do Governo nos apoios. Telejornal | 18 de fevereiro de 2026
Ainda na véspera do debate, Livre, PCP e Bloco de Esquerda requereram a apreciação parlamentar do decreto do Executivo que estabelece o lay-off simplificado na sequências intempéries das últimas semanas, defendendo que os salários dos trabalhadores abrangidos sejam pagos a 100 por cento.
Ventura anunciou entretanto que a apreciação parlamentar requerida pela esquerda terá o voto favorável do seu partido, admitindo ainda viabilizar um orçamento retificativo enquadrado pela assistência aos concelhos mais fustigados pelas depressões Kristin, Leonardo e Marta.
“Um desafio enorme”
A situação de calamidade vigorou em 68 concelhos entre 29 de janeiro e o passado domingo. O Governo adotou também um primeiro pacote de apoios avaliado em 2,5 mil milhões de euros, abrangendo ajudas à subsistência e reconstrução de casas e fábricas e linhas de crédito.
Posteriormente, seria anunciada a isenção parcial de portagens, medida já expirada.
Na semana passada, Montenegro lançou o que descreveu como PTRR, “um programa de recuperação e resiliência português” destinado à reconstrução da porção do território continental mais devastada pelas intempéries - a começar pelas “infraestruturas mais críticas”, designadamente rodoviárias, ferroviárias, de energia elétrica, abastecimento de água e diferentes serviços públicos.
“Temos pela frente um desafio enorme nos próximos anos de podermos recuperar e também de nos tornarmos mais resistentes para uma eventual repetição deste ou de outros fenómenos com igual gravidade”, reconhecia então o primeiro-ministro.
Já no início desta semana, à margem das reuniões do Eurogrupo e do Ecofin, em Bruxelas, o ministro das Finanças admitia não ter ainda disponível um cálculo do prejuízo total, atribuindo a prioridade à reconstrução do país sem deixar cair o equilíbrio das contas públicas.Joaquim Miranda Sarmento obteria, na terça-feira, a luz verde da Comissão Europeia para flexibilidade orçamental.
O debate quinzenal começa com a intervenção do chefe do Governo. André Ventura será o primeiro líder partidário da oposição a confrontar Luís Montenegro. Seguir-se-ão PS, IL, Livre, PCP, BE, PAN, JPP, a anteceder os grupos parlamentares que sustentam o Governo, CDS-PP e PSD.
Pós-corrida a Belém
O debate desta tarde é também o primeiro desde a eleição de António José Seguro para a sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa na Presidência da República.
Na véspera, Marcelo recebeu, para um almoço no Palácio de Belém, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, os líderes parlamentares e os “vices” do Parlamento.
Aguiar-Branco escreveu nas redes sociais que se tratou de “uma boa oportunidade para agradecer ao presidente Marcelo Rebelo de Sousa pelos seus mandatos”.
“Uma década de serviço público, de entrega e de dedicação que marcaram o país. Foi uma honra acompanhar de perto os últimos dois anos deste percurso”, acrescentou.
c/ Lusa