Estabilização macroeconómica. Robert E. Hall e Michael Woodford são os vencedores do Nobel da Economia de 2026

Estabilização macroeconómica. Robert E. Hall e Michael Woodford são os vencedores do Nobel da Economia de 2026

Os dois norte-americanos desenvolveram ferramentas teóricas que ajudam os economistas, os governos e Bancos Centrais a compreender melhor os efeitos das suas decisões e a avaliar formas de reduzir as oscilações económicas.

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
O anúncio dos vencedores foi feito esta manhã, em Estocolmo, na Suécia. Anders Wiklund - AFP

Os investigadores norte-americanos Robert E. Hall, da Universidade de Stanford, e Michael Woodford, da Universidade de Columbia, são os vencedores do Prémio Nobel da Economia de 2026.

O anúncio foi feito esta segunda-feira, às 10:45, pela Academia Sueca das Ciências, em Estocolomo, e o prémio foi atribuído graças à contribuição dos dois economistas para a reconstrução de modelos económicos fundamentais para a revitalizar as políticas de estabilização macroeconómica.


Durante a conferência de imprensa, a Academia Sueca explicou que a investigação desenvolvida por Robert E. Hall e Michael Woodford "gerou uma mudança de paradigma na política de estabilização". 

A porta-voz do anúncio dos laureados adiantou ainda que "os modelos neokeynesianos, resultado da investigação, permitem-nos explicar e quantificar a forma como a política de estabilização afeta os ciclos económicos e são agora utilizados por bancos centrais e ministérios das Finanças em todo o mundo”, afirma a Academia Sueca.

Em vez de se basearem nas relações estatísticas entre variáveis macroeconómicas, como a inflação, a produção e o consumo, optaram por desenvolver modelos assentes numa abordagem microeconómica. Esta abordagem, explicou a Academia Sueca, procura compreender de que forma as decisões e os comportamentos individuais das famílias e das empresas, em conjunto, influenciam o funcionamento da economia.

Em comunicado, a Academia das Ciências refere salienta que Robert E. Hall e Michael Woodford foram galardoados por demonstrarem como os modelos económicos podem ser reconstruídos para revitalizar as políticas de estabilização. 

De referir que, no ano passado, o Prémio Nobel da Economia, denominado Prémio do Banco da Suécia para as Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel, foi entregue a Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt.

Joel Mokyr foi premiado por identificar os fatores necessários para o progresso tecnológico sustentado.

Já Philippe Aghion e Peter Howitt receberam o Nobel pela teoria do crescimento baseado na destruição criativa.

Quem são os laureados

Robert E. Hall nasceu a 13 de agosto de 1943 em Palo Alto, na Califórnia, EUA. É um dos economistas de referência nas áreas da macroeconomia, do mercado de trabalho e da política económica. É professor emérito de Economia na Universidade de Stanford e investigador associado do Hoover Institution.

Em termos de investigação económica, Hall estudou o emprego, os salários, a inflação, a tecnologia, a concorrência, o consumo e as políticas monetária e orçamental. 

Uma das principais ideias é que, para compreender a economia no seu conjunto, não basta observar indicadores como a inflação, a produção ou o consumo. É também necessário perceber como as famílias e as empresas tomam decisões e como essas escolhas, em conjunto, influenciam a economia.

No que diz respeito ao percurso de Robert Hall, destaca-se o aconselhamento a organismos governamentais norte-americanos, incluindo a Reserva Federal, o Departamento do Tesouro e o Departamento de Justiça. 

Presidiu à American Economic Association em 2010 e integra a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

Já Michael Woodford nasceu em 1955 em Chicopee, Massachusetts, EUA. É um dos economistas mais influentes na área da macroeconomia e da política monetária. É professor de Economia Política na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, onde desenvolve investigação sobre o funcionamento da economia e o papel dos Bancos centrais.
Em termos concretos, quando um Banco Central altera as taxas de juro ou comunica as suas intenções para o futuro, não influencia apenas o custo do crédito no imediato: pode também alterar as expectativas das famílias e das empresas, condicionando as decisões de consumo, poupança e investimento.

Os dois laureados vão receber 12 milhões de coroas suecas, cerca de 1 milhão e 70 mil euros, valor que será dividido em partes iguais, cabendo 535 mil euros a cada um dos vencedores.


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