Eurodeputados em visita oficial à China para abordar tensões comerciais com a UE
Uma delegação de eurodeputados inicia hoje uma visita de três dias à China para abordar tensões comerciais com Pequim, após o acordo sobre veículos híbridos e no âmbito dos planos comunitários para reforçar instrumentos de defesa comercial.
O eurodeputado alemão Engin Eroglu, membro da delegação da Comissão do Comércio Internacional do Parlamento Europeu e presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com a China, confirmou a chegada a Pequim na rede social X, onde explicou que manteve reuniões individuais com representantes de empresas alemãs, organizadas pela Câmara de Comércio Alemã na China, logo após a chegada.
Referindo-se a uma reunião anterior com empresários alemães em maio, Eroglu disse que "muita coisa mudou desde então". "Não só nas relações entre a China e a Europa, mas também no contexto económico e político em que as nossas empresas operam diariamente", salientou.
O eurodeputado defendeu a necessidade de "ir-se além de falar da China à distância" e de se manterem contactos diretos com quem investe, produz e desenvolve atividades empresariais no país asiático, face ao que descreveu como um momento de "questões incómodas" na União Europeia.
Noutra publicação, afirmou que "a solução para a indústria europeia não está na China, mas sim nas capitais dos 27 Estados-Membros e em Bruxelas", embora tenha considerado necessário conhecer-se em primeira mão a realidade económica chinesa.
A delegação, liderada pelo presidente da Comissão do Comércio Internacional do Parlamento Europeu, o social-democrata alemão Bernd Lange, visitará Pequim, Hangzhou e Xangai até quinta-feira, na segunda visita deste órgão parlamentar à China desde 2018.
Os representantes da União Europeia pretendem abordar com os interlocutores chineses o excesso de capacidade industrial, as restrições de acesso ao mercado, a dependência europeia de matérias-primas críticas e a crescente entrada de produtos chineses baratos.
A visita surge depois de Bruxelas e Pequim terem chegado a um entendimento para limitar as exportações chinesas de veículos híbridos para a UE, considerado por ambas as partes um avanço, embora com interpretações diferentes quanto ao alcance.
O acordo prevê, segundo fontes comunitárias, um quota inicial de 350.000 veículos por ano, que aumentará progressivamente.
A missão surge também depois de os líderes europeus terem exigido novos instrumentos de defesa comercial face aos desequilíbrios com a China e de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ter anunciado para dezembro a apresentação de um instrumento destinado a reduzir as dependências estratégicas.
Lange alertou que o acordo sobre veículos híbridos constitui apenas "o ponto de partida" de relações comerciais nas quais, segundo o Parlamento Europeu, a UE regista um défice com a China de cerca de mil milhões de euros por dia.