Finanças admitem "pressões de liquidez" no curto prazo em Moçambique
O Ministério das Finanças moçambicano reconheceu hoje que Moçambique "enfrenta pressões de liquidez" no curto prazo, mas garante que as perspetivas económicas de médio prazo "permanecem estruturalmente sólidas", continuando a trabalhar num programa com o FMI.
"Moçambique está a consolidar os fundamentos de uma economia moderna, diversificada e competitiva. Ao longo desta trajetória de transformação, as autoridades reconhecem que o país enfrenta pressões de liquidez no curto prazo", lê-se num comunicado enviado hoje à Lusa, em que aquele ministério diz ter tomado nota da publicação, esta semana, do relatório da última consulta ao país do Fundo Monetário Internacional (FMI) e respetivas conclusões.
Essas pressões na tesouraria, explica, decorrem das "necessidades de desenvolvimento prementes", da "redução do apoio externo", e de "uma série sem precedentes de choques exógenos".
"Não obstante, as perspetivas económicas de médio prazo permanecem estruturalmente sólidas. A recuperação gradual da economia reflete as reformas fiscais e um conjunto de medidas de política para dinamizar o setor produtivo", sublinha.
Acrescenta que, "conforme salientado pelo FMI", os projetos de Gás Natural Liquefeito -- nomeadamente a retoma do megaprojeto da TotalEnergies em Cabo Delgado -- "deverão gerar receitas substanciais a partir de 2030", funcionando "como catalisador para cadeias de valor integradas e plataformas industriais centrais" à transformação económica do país.
Ainda na reação ao relatório da consulta do FMI, o Ministério das Finanças diz confirmar "que a estabilidade macroeconómica poderá ser assegurada através de um programa de reformas direcionado e alinhado com as prioridades nacionais", como uma "gestão proativa da dívida pública", para "reforçar a posição fiscal, reduzir riscos de refinanciamento e minimizar os custos do serviço da dívida libertando recursos para o desenvolvimento social e para a transformação estrutural da economia".
Insiste num "novo programa apoiado pelo FMI, para ancorar o pacote de reformas, catalisar financiamento de parceiros e proteger as populações mais vulneráveis" e com "reformas estruturais, destinadas a desbloquear potencial de crescimento de longo prazo de Moçambique e a consolidar quadros prudentes de gestão dos recursos públicos".
Acrescenta que, tal como a Lusa avançou em outubro passado, o Governo contratou a norte-americana Alvarez & Marsal como "assessor financeiro para apoiar a implementação desta estratégia".
"Permanecemos empenhados num diálogo construtivo com todas as partes interessadas, incluindo credores e parceiros de desenvolvimento, à medida que avançamos neste processo de transformação económica", concluiu-se no comunicado.
O FMI não antecipa decisões sobre o novo apoio a Moçambique, recordando que o crédito pendente junto da instituição já atingiu 226% da quota, segundo a mais recente avaliação ao país, consultada hoje pela Lusa.
"Uma avaliação pós-financiamento está prevista para agosto de 2026", lê-se nas recomendações do FMI após as consultas regulares, ao abrigo do artigo IV, realizadas em 2025, aprovados em 13 de fevereiro, que também antevê novas consultas em 12 meses, mas não adianta informação sobre a possibilidade de um novo programa com apoio financeiro, desejado por Moçambique.
Recorda que ao abrigo do último programa ECF (Facilidade de Crédito Alargado), aprovou em 2022 um financiamento a rondar 468 milhões de dólares (398,5 milhões de euros) para Moçambique. Contudo, esse programa foi suspenso em abril de 2025, quando tinham sido desembolsados cerca de 343 milhões de dólares (292 milhões de euros), em quatro tranches.
No relatório refere-se igualmente que Moçambique deverá pagar ao FMI, este ano, 98 milhões de dólares (83,4 milhões de euros), e em 2027 cerca de 107,5 milhões de dólares (91,5 milhões de euros), além de 129,3 milhões de dólares (110 milhões de euros) em 2028 e 136,4 milhões de dólares (116,1 milhões de euros) em 2029.