FMI avisa que conflito no Médio Oriente pode levar a recessão global

FMI avisa que conflito no Médio Oriente pode levar a recessão global

O Fundo Monetário Internacional não traz boas notícias: além da previsão ligeiramente a baixo do crescimento económico global, devido ao impacto do conflito no Médio Oriente, há ainda o risco de uma recessão a nível mundial.

Inês Moreira Santos - RTP /
Benoit Tessier - Reuters

As previsões do FMI para este ano, com a guerra no Irão desencadeada pelos Estados Unidos e Israel, apontam para uma redução de 3,3 para 3,1 por cento. Os impactos económicos deste conflito deverão ser elevados.

E, segundo as previsões, com uma escalada maior da guerra na região, pode haver uma recessão global.


“O panorama global deteriorou-se abruptamente após o início da guerra no Médio Oriente”, escreveu Pierre-Olivier Gourinchas, conselheiro económico do FMI, no relatório Perspetivas da Economia Mundial, divulgado na terça-feira.

A revisão de ligeira redução do crescimento económico é num contexto em que a guerra será "relativamente de curta duração". Nessa perspetiva, prevê-se também que a inflação global também suba para 4,4 por cento este ano e que a escalada do conflito provoque uma “crise energética global sem precedentes”.

Mas o FMI projetou dois cenários para o caso de o conflito no Irão se prolongar. No pior cenário, em que os preços do gás natural e do petróleo sobem entre 100 e 200 por cento, o crescimento económico global seria apenas de 2 por cento em 2026. O que pode equivaler, segundo as advertências de Gourinchas, a “quase uma recessão global”, definida como crescimento económico abaixo dos dois por cento. Isto é: em caso de uma guerra prolongada e com os preços dos setores da energia continuamente mais elevados, o FMI alerta para o risco de o mundo enfrentar uma “situação crítica de recessão global” pela quinta vez desde 1980 – tal como aconteceu mais recentemente devido à pandemia de covid-19 em 2020 e após a crise financeira de 2008.

“É claro que, a cada dia que passa, e a cada dia que temos mais perturbações nos mercados de energia, estamos a aproximar-nos cada vez mais do cenário adverso”, disse Gourinchas.

Perante a ameaça de uma escalada maior da guerra no Médio Oriente, o FMI considerou que a melhor forma de limitar os danos económicos seria o fim do conflito. Até porque, antes de escalar o conflito no Médio Oriente, a economia global apresentava um desempenho melhor do que o previsto anteriormente, com um crescimento que se previa em alta.

Se não fosse a guerra no Médio Oriente, as previsões económicas para este ano seriam revistas em alta.


Todas as previsões dependem da duração do conflito, do impacto prolongado que este pode produzir nos preços da energia e da amplitude dos danos em infraestruturas energéticas.
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