FMI e G8 recomendam vigilância de economia global em estabilização

A economia global começa a libertar-se da recessão, mas os sinais variam de região para região e desaconselham um "baixar da guarda", avalia o Fundo Monetário Internacional (FMI) na revisão das suas perspectivas económicas e financeiras. A leitura é sublinhada pelas declarações da cimeira do G8, onde os líderes dos países mais ricos alertam para a persistência de riscos.

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"Riscos importantes continuam a pesar sobre a estabilidade económica", lê-se numa declaração comum acertada em L'Aquila Mikhail Klimentyev, EPA

"As condições financeiras melhoraram mais do que o esperado, sobretudo devido à intervenção pública, e dados recentes sugerem que o ritmo de declínio na actividade económica está a moderar-se, embora em graus variáveis entre as regiões", sustenta o FMI na actualização do relatório World Economic Outlook, agora publicada.

Segundo as estimativas revistas do FMI, a economia mundial deverá sofrer este ano uma contracção de 1,4 por cento. Em Abril a previsão apontava para um recuo de 1,3 por cento. No entanto, a instituição dirigida por Dominique Strauss-Kahn antecipa um crescimento de 2,5 por cento para 2010, o que corresponde a uma revisão em alta de 0,6 pontos da estimativa lançada há três meses.

O volume do comércio mundial deverá regredir este ano em 12,2 por cento, mais 1,2 pontos face às previsões de Abril. Em 2010 o indicador deve atingir um crescimento de um por cento. "A estabilização é desigual" e a recuperação vai ser "provavelmente tímida", enfatiza o relatório do FMI.

Políticas fiscais para o pós-crise

Os planos de resgate "sem precedentes" gizados pelos governos e pelos diferentes bancos centrais, escrevem os relatores do Fundo Monetário Internacional, "reduziram o risco extremo de uma outra falha sistémica comparável ao naufrágio" do Outono, inaugurado com o colapso do banco norte-americano Lehman Brothers.

No Relatório sobre a Estabilidade Financeira no Mundo, também publicado esta quarta-feira, o Fundo avisa que, apesar dos sinais de estabilização, as "recentes melhorias no domínio financeiro" comportam os seus próprios riscos, desde logo a "tentação de baixar a guarda".

O FMI aconselha os governos e as autoridades monetárias a manterem políticas de apoio e de relançamento das economias. Aos bancos centrais são pedidos novos cortes nas taxas de juro.

Na mesma linha, porém, a organização chama a atenção para o ónus do endividamento decorrente de investimentos públicos, um problema que impõe a definição, a médio prazo, de políticas fiscais consolidadas: "Embora a política fiscal deva ser de apoio até 2010, devem ser feitos planos para reconstruir os equilíbrios fiscais e garantir caminhos sustentáveis para a dívida, depois de o crescimento estar firmemente restabelecido".

Cautela na cimeira do G8

As estimativas do Fundo Monetário Internacional foram conhecidas no dia em que os dirigentes dos oito países mais prósperos deram início a uma cimeira subordinada à crise internacional. Reunidos na cidade italiana de L'Aquila, castigada por um violento sismo em Abril, os líderes do G8 acompanharam o FMI na leitura de uma economia global com "sinais de estabilização" mas ainda mergulhada na incerteza.

"A situação permanece incerta e riscos importantes continuam a pesar sobre a estabilidade económica e financeira", lê-se numa declaração comum acertada em L'Aquila pelas delegações do G8 (Estados Unidos, Japão, Canadá, Alemanha, Grã-Bretanha, França, Itália e Rússia).

O G8 divisa "sinais de estabilização", nomeadamente "uma retoma dos mercados bolsistas", mas ressalva que "os efeitos da crise económica sobre os mercados de trabalho podem pôr em causa a estabilidade social".

À semelhança da presidência sueca da União Europeia, ou do executivo comunitário de Durão Barroso, os dirigentes das oito potências consideram "necessário" delinear "estratégias de saída" para o pós-crise, tendo por objectivo uma "viabilidade orçamental a médio prazo". Uma posição que, na Europa a 27, tem suscitado as reservas do Governo francês, favorável a uma separação entre as "boas" e as "más" despesas no momento de reconquistar os países-membros para a disciplina orçamental do Pacto de Estabilidade e Crescimento.

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