FMI revê drasticamente em baixa previsões de crescimento para Médio Oriente e Ásia Central
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu hoje drasticamente em baixa as previsões de crescimento para o Médio Oriente e a Ásia Central em 2026, com as economias do Golfo a sofrerem as efeitos do conflito na região.
No mais recente relatório, a instituição prevê uma contração de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) na região em 2026, quando há seis meses apontava para um crescimento positivo de 1,9%.
Esta revisão reflete "um encerramento do estreito de Ormuz mais prolongado" do que o previsto, explica o FMI, que antecipa uma recuperação acentuada em 2027, apostando na reabertura gradual desta via marítima, essencial para os países produtores de petróleo e gás da região.
Desde o início do conflito no Médio Oriente, desencadeado no final de fevereiro por ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, Teerão reivindica o controlo do estreito e ataca regularmente os navios que ali se aventuram sem autorização do país persa.
Washington impõe, por sua vez, um bloqueio naval aos portos iranianos e escolta os petroleiros, cada vez mais numerosos a atravessar o estreito. No entanto, as negociações encontram-se num impasse e a situação pesa sobre a economia regional.
Os países mais afetados pelas perturbações ao nível dos transportes, mas também da produção, na sequência dos ataques contra instalações energéticas do Golfo no início da guerra, são Iraque, Kuwait, Qatar e Bahrein, de acordo com o FMI.
Estes países deverão registar uma queda de dois dígitos no PIB este ano, antes de uma recuperação em 2027 "à medida que a produção, as exportações e a logística se normalizarem".
A Arábia Saudita, a maior economia da região e o maior exportador mundial de petróleo bruto, está relativamente "menos afetada" graças a "vias de exportação mais diversificadas", sublinha o Fundo. A economia deverá, ainda assim, contrair 3,3% em 2026, antes de retomar o crescimento de 7,9% no próximo ano.
O reino beneficiou do oleoduto Este-Oeste, que liga os principais campos petrolíferos do leste ao terminal de Yanbu, no mar Vermelho, e lhe permite contornar o estreito de Ormuz.
No entanto, a infraestrutura foi temporariamente encerrada em setembro, após ter sido atingida por ataques lançados a partir do Iraque, enquanto outras instalações petrolíferas foram recentemente alvo dos rebeldes Huthis do Iémen, que combatem o governo iemenita reconhecido internacionalmente, aliado de Riade.
A ofensiva relâmpago destes combatentes pró-iranianos ao longo da costa do mar Vermelho, que agora controlam na totalidade, afeta também fortemente a Arábia Saudita, ameaçando os navios saudita, com uma queda do tráfego no estreito de Bab el-Mandeb, que liga a Europa à Ásia através do canal do Suez.
Os Emirados Árabes Unidos deverão igualmente ver o PIB cair 3,9%, enquanto Omã deverá ser o único país do Golfo a registar um crescimento positivo este ano, de 2,4%.
O FMI também reviu em baixa as previsões para a economia do Irão, estimando um recuo de 7,6% devido à guerra, ao bloqueio e às sanções norte-americanas.
Os restantes países árabes, por outro lado, deverão manter-se "relativamente resilientes" face ao aumento dos preços da energia e dos alimentos, estima o FMI.