Última Hora
BCE sobe juros em 25 pontos base pela segunda vez este ano

Gonçalo Almeida Ribeiro aprovado pelo Governo para CGI da RTP

Gonçalo Almeida Ribeiro aprovado pelo Governo para CGI da RTP

O jurista Gonçalo Almeida Ribeiro foi aprovado pelo Governo como membro do Conselho Geral Independente (CGI) da RTP na sexta-feira, dia em que foi ouvido no parlamento, disseram à Lusa fontes com acesso ao processo.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Apesar de a deliberação unânime por escrito -- mecanismo legal através do qual se ratificam os indigitados para o órgão de supervisão e fiscalização da estação pública -- ter sido firmada ainda na sexta-feira, os restantes elementos que integram o CGI só a receberam hoje.

Segundo as mesmas fontes, a deliberação unânime por escrito (DUE) foi assinada às 18:00 de sexta-feira pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro, com a tutela da comunicação social, e às 18:55 pelo secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, João Silva Lopes.

Assim, menos de 12 horas depois de ser ouvido na Comissão Parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, Gonçalo Almeida Ribeiro passou de indigitado a membro efetivo do CGI na RTP.

Esta rapidez é inédita no CGI, onde tradicionalmente decorre pelo menos um mês entre a audição parlamentar das personalidades propostas para o órgão e a sua efetiva entrada em funções, segundo disseram à Lusa três fontes distintas com acesso ao processo, nomeadamente às DUE, que não são documentos públicos (assemelham-se a atas de assembleia geral).

Com base nas mesmas fontes, e confirmando as datas das audições prévias na Assembleia da República (AR), é possível constatar que os atuais elementos do CGI entraram em funções, em média, mais de quatro meses após serem ouvidos pelos deputados.

O último a entrar para o CGI foi António Granado, designado pelo Conselho de Opinião da RTP corria o primeiro governo de Luís Montenegro. Ouvido no parlamento a 19 de fevereiro de 2025, a deliberação só foi aprovada quase oito meses depois (09 de outubro).

Ainda mais demorada foi a deliberação de Isabel Pires de Lima (cooptada pelos restantes membros do CGI ainda durante o governo de António Costa), ouvida no parlamento a 10 de janeiro de 2023, mas que só entraria em funções a 26 de setembro, mais de oito meses depois.

Na mesma data receberam a deliberação Isabel Medina (designada pelo Conselho de Opinião da RTP) e Vítor Caldeira (cooptado pelos restantes membros do CGI), ambos quatro meses após a audição parlamentar (09 de maio).

A deliberação unânime de Ana Margarida Carvalho, que atualmente preside ao órgão e que foi indicada pelo governo socialista de António Costa, foi a mais rápida, datando de 15 de outubro de 2021, um mês e uma semana depois da audição na AR.

Alberto Arons de Carvalho, indicado pelo executivo socialista de António Costa e que agora é substituído por Gonçalo de Almeida Ribeiro, teve deliberação a 06 de novembro de 2020, um mês depois da audição no parlamento. Em 18 de fevereiro, apresentou uma queixa à Entidade Reguladora da Comunicação (ERC), argumentanto que o seu mandato só termina em novembro, quando cumpre seis anos em funções.

Na audição de sexta-feira no parlamento, Gonçalo Almeida Ribeiro, professor universitário e ex-juiz do Tribunal Constitucional, afirmou que a televisão pública é "uma joia da coroa do setor empresarial do Estado".

Relativamente ao futuro da RTP, apontou a necessidade de interpretar o atual contexto audiovisual: "a televisão como forma está, penso eu, em declínio muito significativo, mas o conteúdo audiovisual nunca foi tão importante e tão delicado, nomeadamente no funcionamento de uma sociedade democrática como é hoje".

O professor universitário considera que a atual arquitetura da estação pública "promete um grau significativo e admirável de independência em relação ao poder político".

O CGI "foi um grande progresso na preservação da ideia do serviço público de rádio e televisão", reconheceu, realçando que "os órgãos de controlo ou de fiscalização são sempre órgãos indispensáveis".

Criado em 2014, o CGI tem como missão garantir a independência editorial, a autonomia e a imparcialidade da RTP e o cumprimento do contrato de serviço público, sendo composto por seis membros (um presidente e cinco vogais), com mandatos de seis anos, dois deles indicados pelo Governo, dois outros pelo Conselho de Opinião da RTP e os outros dois por cooptação entre os outros quatro membros.

A ERC emitiu parecer positivo à indigitação de Gonçalo Almeida Ribeiro no dia 24 de fevereiro, com duas declarações de voto de vencido.

O mandato da atual administração da RTP termina este ano.

 

 

Tópicos
PUB