Economia
Conversa Capital
"Governar sob o medo é péssimo". Centeno desafia Montenegro a apresentar explicações
O antigo ministro das Finanças desafia o primeiro-ministro a explicar-se: "O que é que ele sabe que nós não sabemos?", questiona.
Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas
Mário Centeno diz que o primeiro-ministro, ou o ministro das Finanças, deviam explicar também onde é que o Governo vai cortar 12 mil milhões de euros para cumprir as metas europeias, porque acredita que se não houver uma revisão das metas orçamentais por parte de Bruxelas, o Estado vai ter de cortar, nos próximos dois anos, 12 mil milhões de euros.
O antigo Governador do Banco de Portugal avisa que as contas públicas estão em défice e alerta que não há verdadeiramente a margem orçamental de que se fala para a aprovação de medidas mitigadoras do aumento do custo de vida.
Nesta entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, Mário Centeno afirma que Portugal já teve excedentes que podiam dar agora muito jeito para adotar medidas mitigadoras do aumento do custo de vida, sem prejuízo do equilíbrio das contas públicas, mas que foram desbaratados nos últimos anos.
No Conversa Capital, Mário Centeno critica as medidas do Governo de redução do IRS e de atribuição de um bónus aos pensionistas e mostra-se igualmente muito crítico das propostas do PS e do Chega de IVA zero nos bens alimentares e de redução do IVA nos combustíveis.
Centeno defende uma combinação de apoios mais inclusivos para as famílias e empresas e reconhece que concorda com a aplicação de uma sobretaxa extraordinária sobre os lucros do setor petrolífero, desde que seja temporária.
O economista diz ainda não entender a lógica de investir 400 milhões de euros na compra de capital da REN e deixa um aviso: “estamos a brincar com o fogo na questão do endividamento”.
Entrevista conduzida por Mário Rui Cardoso, da Antena 1, e Diana Ramos, do Jornal de Negócios.