Governo de Timor-Leste envia pela primeira vez trabalhadores para Nova Zelândia
O Governo de Timor-Leste enviou hoje pela primeira vez um grupo de trabalhadores timorenses para trabalhar na Nova Zelândia ao abrigo de um acordo de mobilidade laboral assinado no ano passado.
O acordo de Empregador Sazonal Reconhecido foi assinado entre a Nova Zelândia e Timor-Leste em abril de 2025, para colmatar a falta de mão de obra nos setores da horticultura e viticultura do arquipélago.
O grupo, de dez trabalhadores timorenses, deverá partir para a Nova Zelândia ainda este mês.
O secretário de Estado para a Formação Profissional e o Emprego, Rogério Mendonça, disse aos trabalhadores que são embaixadores de Timor-Leste, salientando que representam o país na primeira experiência ao abrigo do acordo de mobilidade laboral.
"Mostrem a vossa dedicação e responsabilidade, demonstrem maturidade enquanto cidadãos, mostrem o vosso compromisso e uma atitude positiva perante os outros", afirmou Rogério Mendonça, na cerimónia de assinatura dos contratos de trabalho.
O secretário de Estado salientou também que, no futuro, o número de trabalhadores poderá aumentar, mas que depende da avaliação de desempenho feita pelos empregadores aos trabalhadores enviados.
Na fase inicial de abertura das vagas concorreram 20.859 timorenses, mas muitos foram eliminados durante as fases de seleção documental e entrevistas conduzidas diretamente pelos empregadores.
Além da Nova Zelândia, o Governo timorense tem acordos de mobilidade laboral com a Austrália, Coreia do Sul e Japão.
Segundo o Banco Mundial, a migração laboral está a assumir um papel cada vez mais vital na estratégia de desenvolvimento de Timor-leste.
"Mais de 200 mil timorenses trabalham no estrangeiro, incluindo cerca de 4.700 em programas formais", salienta o Banco Mundial, no relatório económico, divulgado em setembro de 2025.
As remessas dos trabalhadores timorenses no estrangeiro já ultrapassam 11% do Produto Interno Bruto não petrolífero e são uma fonte de rendimento familiar, que impulsiona o consumo interno, refere aquela instituição.
Segundo o Banco Central de Timor-Leste, no primeiro semestre de 2025, as remessas dos trabalhadores timorenses no estrangeiro totalizaram 80,4 milhões de dólares (cerca de 68 milhões de euros).