Governo e PS falham acordo para Conselho Europeu
Governo e PS não chegaram a acordo sobre as questões europeias a levar ao Conselho Europeu da próxima semana. A negociação terá falhado devido à falta de entendimento quanto ao papel que o Banco Central Europeu pode vir a ter na resolução da crise do Euro.
Em comunicado, fonte do Governo disse que, "apesar de todos os esforços de conciliação feitos pelo Governo para se obter um consenso político alargado em torno das grandes questões europeias, não foi possível chegar a um acordo com o Partido Socialista".
A mesma fonte lamenta que o PS "não se tenha associado a um texto ambicioso, quer no que toca à Iniciativa Europeia para o Crescimento e Emprego, quer para a estabilização financeira com o projeto da união bancária, quer ainda no aperfeiçoamento institucional da União Europeia".
A nota critica a "insistência" do PS em "incluir propostas e abordagens que estão fora do consenso europeu mais básico", bem como a sua "intransigência" na "inclusão de reivindicações que não estão em cima da mesa na Europa".
Em comunicado, o PS declara que "não compreende que o Governo esteja mais interessado em não desalinhar da senhora Merkel [chanceler alemã] do que em defender o interesse nacional", lembrando que apresentou várias propostas e tomou a iniciativa da "defesa do ato adicional ao tratado fiscal".
O Partido Socialista realça que defende "um papel mais ativo do Banco Central Europeu no financiamento dos Estados, ainda que no âmbito das suas competências", recordando que não aceita "tratamentos diferentes para os Estados-membros da União Europeia".
A nota acrescenta que "as mudanças do Governo e a sua aproximação às posições do PS não são suficientes para um combate eficaz e sustentável à crise económica e social" que Portugal e a Europa atravessam.
Pedro Passos Coelho lamenta que Governo e Partido Socialista tenham falhado o acordo mas relativiza o falhanço e diz mesmo que considera que se mantém uma visão de consenso com o PS sobre várias questões europeias.
O primeiro-ministro destacou o caminho de convergência que as negociações permitiram em muitas outras matérias.
O executivo e o maior partido da oposição vão agora apresentar no Parlamento, duas propostas de resolução sobre matéria europeia.