Governo espera definir o pós-resgate "umas semanas antes" de 17 de maio


A ministra das Finanças remeteu esta segunda-feira para abril a decisão governativa sobre a forma como o país sairá do resgate financeiro, insistindo na ideia de que continuam em aberto os cenários de uma linha cautelar ou de uma "saída limpa", análoga à da República da Irlanda. Após a primeira reunião de 2014 do Eurogrupo, Maria Luís Albuquerque quis também afiançar que ainda não teve qualquer "discussão prévia" com Bruxelas. "O que sei é o que está nos jornais", confessou.

RTP /
Maria Luís Albuquerque conversa com o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, e com os homólogos da Irlanda, Michael Noonan, e de Espanha, Luis de Guindos Olivier Hoslet, EPA

À saída da reunião de ministros das Finanças da Zona Euro, Maria Luís Albuquerque tratou de repetir que não existem ainda conversações com os credores internacionais sobre o que o país fará depois do dia 17 de maio. É esta a data prevista para o término do Programa de Assistência Económica e Financeira. A decisão, sugeriu a ministra, deverá consumar-se “umas semanas antes”.
Na conferência de imprensa que se seguiu à reunião ministerial desta segunda-feira, a ministra das Finanças disse ter propugnado junto do presidente do Eurogrupo e da Comissão Europeia o adiamento da discussão sobre o pós-resgate financeiro.

O derradeiro encontro do Eurogrupo antes do termo do programa português acontecerá a 5 de maio.

“Não marcámos ainda. O programa acaba a 17 de maio. Possivelmente, em abril. Mas em maio também há uma reunião do Eurogrupo, antes de dia 17”, respondeu, sem concretizar datas, a sucessora de Vítor Gaspar na pasta das Finanças.

A decisão, resumiu Albuquerque, “será tomada umas semanas antes, como aconteceu com a Irlanda”. Ainda segundo a governante, “sem estar mais perto” do fim do resgate financeiro o Governo português “não deve ter uma preferência”.

Ou seja, manter-se-ão em aberto as duas opções em cima da mesa: uma “saída limpa”, à semelhança do que decidiu o Executivo irlandês, ou um regresso aos mercados de financiamento com a rede de suporte de um programa dito cautelar.
“É cedo”

Confrontada pelos jornalistas com posições em defesa de uma linha cautelar para Portugal, entre as quais a do próprio presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, a ministra das Finanças reafirmou que “é cedo” para escolher. Maria Luís Albuquerque sustentou que será necessário aguardar pelos dados macroeconómicos finais de 2013. E recolher “mais dados sobre o acesso ao mercado”.


Foto: Yves Herman, Reuters

“Respeitamos essas opiniões, mas não resultam de uma discussão prévia connosco. Em boa verdade, relativamente a isso, eu sei o mesmo que os senhores, porque são vocês que reportam o que tem sido dito. Eu não tive conversas (…) relativamente ao programa cautelar”, insistiu a responsável, para então alegar que o que sabe “é o que está nos jornais”.

Maria Luís Abuquerque foi também questionada sobre a avaliação do PS, que já saiu a terreiro para estimar que a opção por um programa cautelar equivalerá a uma derrota do Governo de coligação. A ministra desvalorizou: “Os partidos da oposição também acharam que os números do défice foram uma má notícia”.

À entrada para a reunião de Bruxelas o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, havia atirado para “março ou abril” quaisquer decisões sobre a fórmula de saída do resgate português.
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