Governo nega abandono do interior durante crise dos combustíveis

| Economia
Governo nega abandono do interior durante crise dos combustíveis

A ver: Governo nega abandono do interior durante crise dos combustíveis

Em entrevista ao Telejornal da RTP, o ministro da Economia refutou a ideia de que o país foi deixado ao abandono durante a crise dos combustíveis, apesar da decisão inicial de decretar serviços mínimos apenas para Porto e Lisboa. Pedro Siza Vieira referiu ainda que o afluxo aos postos de combustível dos últimos dias foi inesperado e que essa afluência gerou maior escassez nos pontos de abastecimento.

Horas depois do fim do protesto dos motoristas de transporte de matérias perigosas – greve que motivou a corrida aos postos de abastecimento de combustível nos últimos dias – o ministro da Economia esclareceu que os serviços mínimos foram decretados “na sequência de proposta das associações patronais”.

Questionado no Telejornal da RTP sobre a prioridade dada a Lisboa e Porto quando foram decretados inicialmente os serviços mínimos, Pedro Vieira da Silva refere que o Governo procurou o alargamento desses serviços mínimos ao resto do território e, ainda antes disso, procurou estabelecer pontos estratégicos de abastecimento nos restantes concelhos.

“No próprio dia de quarta-feira, ainda antes de haver alargamento dos serviços mínimos, o Governo definiu uma rede de postos de abastecimento estratégicos que teriam prioridade de abastecimento, espalhados por todo o país. Era necessário assegurar que chegasse combustível a esses postos de abastecimento e que se salvaguardassem as reservas necessárias para abastecer serviços essenciais”, sublinhou o ministro.
"Afluxo inesperado"

Pedro Vieira da Silva reconhece que os últimos dias ficaram marcados por “um afluxo inesperado aos postos de abastecimento de combustível”.

“Na rede da Galp, na terça-feira, o consumo de gasolina foi equivalente a três dias normais de funcionamento. O consumo de gasóleo foi equivalente a dois dias e meio. Quando todas as pessoas afluem ao mesmo tempo, a procurar o mesmo bem…se formos todos ao supermercado buscar leite, deixa de haver leite nas prateleiras”, apontou.

O ministro destacou ainda a importância das autoridades e forças de segurança para assegurar o cumprimento dos serviços mínimos. Estavam, inclusive, mobilizados “280 motoristas de pesados para assegurar operações de abastecimento às infraestruturas críticas”.

“As forças de segurança foram indispensáveis na salvaguarda da ordem pública e na salvaguarda da regularidade das operações. Foi graças à sua intervenção, serenidade, e capacidade de operação que foi possível garantir o abastecimento às nossas infraestruturas essenciais”, isto sem a perturbação da ordem pública, referiu.

No balanço desta greve, Pedro Siza Vieira destaca que não houve “perturbações significativas” da atividade económica ou de ordem pública, nem interrupção do funcionamento das grandes infraestruturas do país.

“De alguma maneira, apesar de alguma situação de afluxo mais intenso aos postos de abastecimento de combustíveis, não tivemos situações generalizadas de falta de combustível”, enfatizou.
"Não espero ver uma nova greve"

O ministro destacou a importância de garantir o diálogo entre as partes envolvidas neste conflito laboral, mas que a prioridade do executivo passou também por garantir o cumprimento dos serviços mínimos.

“O Governo reagiu sempre de forma progressiva e adequada, respeitando os direitos dos grevistas mas assegurando as condições de abastecimento das infraestruturas. Logo na manhã do primeiro dia de greve, na segunda-feira, começou a ser claro que os serviços mínimos não estavam a ser cumpridos Ao inicio da tarde, foram dadas instruções às forças de segurança, particularmente à GNR, para começarem a aceder aos locais de abastecimento de combustível para assegurar que os serviços mínimos poderiam ser cumpridos em tranquilidade”, referiu o ministro.

Pedro Siva Vieira assinalou ainda que, menos de 24 horas depois do início da greve, foi declarada a requisição civil dos motoristas.
Reconhecendo que foi “uma questão laboral com consequências para o público em geral”, o ministro destaca a importância de se ter garantido um “início de um processo de diálogo sindical (…) que permitisse atingir alguns pontos que correspondiam a aspirações legítimas dos motoristas de matérias perigosas”.

“Desde início que quisemos distinguir bem aquilo que são as preocupações desta classe social e o seu legítimo exercício do direito à greve, da salvaguarda de interesses fundamentais do país, como é a preservação de serviços públicos essenciais”, destacou.

Motoristas e patrões inicial agora um processo negocial com a intenção de chegar a acordo no máximo até ao final do ano. O ministro da Economia acredita que o diálogo será bem-sucedido. “Não espero ver uma nova greve”, afirmou Pedro Siza Vieira.

Relacionados:

A informação mais vista

+ Em Foco

Debates, perfis, notícias da campanha. Toda a informação sobre as Eleições Europeias de 2019, que se realizam a 26 de maio.

    Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em conteúdos de serviço público. Notícias para acompanhar diariamente na página RTP Europa.

      Em cada uma destas reportagens ficaremos a conhecer as histórias de pessoas ou de projectos que, por alguma razão, inspiram ou surpreendem.