Governo recomenda que presidente da TAP não se imiscua em questões do acionista

por RTP
Nuno Patrício - RTP

O presidente da TAP defendeu que o Estado deve manter uma participação na companhia aérea após a privatização. Em resposta, o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, recomendou que o presidente da TAP se foque na gestão, em vez de se “imiscuir em problemas que são do acionista”.

Em entrevista ao Financial Times, publicada esta terça-feira, o presidente da TAP, Luís Rodrigues, defendeu que o Estado deve manter-se como acionista da companhia aérea no momento da privatização.

Para Luís Rodrigues, esta é a melhor forma do Estado garantir a defesa do interesse nacional.

“A minha recomendação seria que o Governo português mantivesse uma posição, fizesse parte de todo o processo de desenvolvimento”, disse o líder da TAP. Desta forma, garante-se que "se os atores mudarem, ninguém entrará com uma agenda diferente", defendeu Luís Rodrigues, apontando como exemplo a necessidade de servir as regiões autónomas da Madeira e dos Açores.

O CEO da TAP diz que o calendário para a privatização ainda não está definido e que o grupo de compradores deve incluir investidores de outros setores de atividade de forma a não levantar problemas de concorrência europeia.

Em Bruxelas, o ministro das Infraestruturas reagiu a estas declarações. Miguel Pinto Luz pede ao presidente da TAP para se concentrar na gestão da companhia e deixar as questões da privatização para o acionista.

“Eu concordo que o presidente da TAP se deve focar na gestão da TAP e não se imiscuir em problemas que são do acionista”, disse Miguel Pinto Luz.


“O presidente da TAP deve-se focar na gestão da TAP e a TAP bem precisa de boa gestão e, nesta altura, é isso, cada um deve desempenhar o seu papel”, acrescentou. “O Governo assume as suas responsabilidades, a gestão da TAP deve assumir as suas”, rematou.
Sindicato "satisfeito" com opinião do CEO
O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) mostrou-se satisfeito com a posição do presidente da TAP sobre a manutenção de uma participação Estado após privatização.

"Ficamos satisfeitos quando o CEO [presidente executivo] da TAP tem sobre esta matéria a mesma opinião que o sindicato", afirmou Ricardo Penarróias em nota enviada à Lusa
, esta terça-feira, lembrando que o SNPVAC sempre defendeu "que o Estado, numa futura privatização, deve manter uma percentagem pública para que possa ter uma influência nos desígnios estratégicos da companhia".

O anterior Governo socialista deu início ao processo de reprivatização da TAP no ano passado e esperava ter a operação concluída ainda no primeiro semestre deste ano, mas a operação ficou em suspenso devido à dissolução do parlamento e convocação de eleições legislativas antecipadas, em março, que deram a vitória à Aliança Democrática (PSD, CDS-PP E PPM).

Na sexta-feira passada, o ministro das Infraestruturas disse, no parlamento, que o processo de privatização da TAP aberto pelo anterior executivo não foi fechado pelo atual, adiantando que o calendário não está definido e que esta é uma fase de recato.

c/Lusa
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