Grécia deve receber em novembro mais oito mil milhões de euros

A Grécia pode receber, já no início de novembro, a próxima tranche do empréstimo internacional, se o FMI e o Eurogrupo, aprovarem as conclusões do relatório da troika que hoje foi divulgado. A equipa de inspetores internacionais que concluiu a revisão das contas gregas avisa, no entanto, que as metas do défice para 2011 já não serão cumpridas e que apesar de as novas medidas de austeridade anunciadas pelo governo de Atenas serem suficientes para 2012 terão de ser aplicadas medidas adicionais em 2013 e 2014.

RTP /
Manifestante do setor público segura uma foto de família do governo grego com a legenda "despeçam-nos agora" durante um protesto contra a austeridade no centro de Atenas Simela Pantartzi, EPA

Os oito mil milhões de euros que a Grécia deve receber vão permitir ao país evitar, uma vez mais, a bancarrota, já que Atenas tinha anunciado que só dispunha de dinheiro até meados de novembro.

Inicialmente, estava previsto que a quinta parcela do empréstimo internacional fosse entregue em setembro, mas a revisão de contas sofreu vários atrasos, na sequencia de desentendimentos entre os inspetores da troika e o Governo grego.

Ainda assim os gregos têm poucas razões para respirar fundo já que relatório da troika aponta um panorama negro para os próximos anos.

Meta para 2011 "já não está ao alcance"
No documento, os inspetores do Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu admitem que o Governo grego conseguiu “uma grande redução do défice” apesar da recessão. No entanto, avisam que as metas para o défice de 2011 “já não estão ao alcance”, em parte por causa de uma queda superior ao previsto do PIB grego, mas também por causa “de derrapagens na implementação das medidas que já tinham sido acordadas”.

Já a meta do défice para 2012 deverá ser cumprida, sem recurso a medidas adicionais, “se houver uma implementação determinada” do plano de austeridade do Governo, lê-se no relatório. No entanto, para 2013 e 2014 serão necessárias novas médias de austeridade para a Grécia conseguir atingir as metas do défice, apesar dos “importantes progressos” que as autoridades gregas têm vindo a fazer em matéria de consolidação fiscal.

“Para garantir uma redução adicional do défice, de uma forma socialmente aceitável, e para estabelecer o cenário para uma recuperação, é essencial que as autoridades ponham mais ênfase nas reformas estruturais do sector público e da economia”, lê-se na declaração conjunta da troika.

Recuperação só depois de 2013Segundo os inspetores, a recessão superior às previsões, significa que a a Grécia só deverá começar a recuperação a partir de 2013. “Não há indícios de uma melhoria no sentimento dos investidores e o aumento nos investimentos, em parte devido ao ímpeto da reforma, não ganhou a massa crítica necessária para começar a transformar o clima de investimento”, lê-se na declaração.

Para os economistas que leem nas entrelinhas, torna-se uma vez mais patente que a estratégia europeia para resgatar a Grécia não está a resultar e que será necessária uma abordagem nova para o problema da dívida grega.

“Uma vez mais a Grécia perdeu o autocarro”, disse um economista independente de Atenas, Vangelis Agapitos, citado pela Associated Press. “A troika está a cumprir as suas obrigações e a Grécia, uma vez mais, está a falhar as metas nas privatizações, na diminuição do défice e em dar os passos necessários para colocar a economia num modo competitivo e eficiente”.

As “derrapagens” na implementação das reformas, citadas no relatório da troika, têm obrigado o Governo grego a acumular cada vez mais medidas de austeridade com sucessivos aumentos de impostos e cortes nos salários e nas pensões, o que por sua vez, está a causar uma onda cada vez maior de contestação popular, traduzida em greves dos serviços públicos e privados e manifestações por todo o país.

A cimeira da esperançaMuitos olhares viram-se agora para a cimeira de líderes europeus e da Zona Euro que terá lugar em Bruxelas a 23 de outubro.

Espera-se que a reunião revele a nova estratégia para lidar com a crise da dívida, que foi anunciada no passado domingo, sem pormenores adicionais, pela chanceler alemã Angela Merkel e pelo presidente francês Nicholas Sarkozy. Espera-se também que seja desbloqueado um novo pacote de resgate para a Grécia e novas medidas para fortalecer o sector bancário europeu, ameaçado por uma bancarrota helénica.

Aguarda-se também que seja, por fim, implementado o reforço dos poderes do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, que em julho ficou decidido no papel mas ainda não entrou em vigor, por estar dependente da aprovação dos parlamentos nacionais.






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