Hong Kong convoca cônsul do Panamá para criticar anulação de concessão no canal
O Governo de Hong Kong convocou o cônsul-geral do Panamá para criticar a anulação da concessão ao grupo local CK Hutchison de dois portos do canal, avançou hoje a imprensa da região chinesa.
De acordo com a emissora pública RTHK, o secretário para o Comércio e Desenvolvimento Económico, Algernon Yau Ying-wah, convocou na sexta-feira o cônsul José Ramón de Jesús Varela Fábrega.
Algernon Yau manifestou "forte insatisfação e oposição" à decisão do Supremo Tribunal do Panamá de invalidar a concessão de dois portos situados nas duas extremidades do canal do Panamá a uma subsidiária do CK Hutchison.
O secretário salientou que a Panama Ports Company (PPC) investiu fortemente no porto de Cristobal, no lado do Atlântico, e no de Balboa, no lado do Pacífico, e criou inúmeros postos de trabalho no país centro-americano ao longo dos anos.
Yau disse que a decisão prejudicou a reputação do Panamá e causará "danos profundos" ao ambiente de negócios e ao desenvolvimento económico do país, além de "comprometer seriamente" as regras do comércio internacional.
O dirigente instou o Governo do Panamá a respeitar o espírito dos contratos e a proporcionar um ambiente de negócios "justo e equitativo" às empresas que operam legalmente no país, garantindo que os seus direitos e interesses legítimos não são violados.
Yau salientou que as empresas de Hong Kong que operam e investem no Panamá devem receber um tratamento e proteção "justos e razoáveis".
Em 30 de janeiro, o Supremo Tribunal do Panamá invalidou a concessão de que a PCC beneficiava para explorar os dois portos.
Os Estados Unidos manifestaram-se satisfeitos com a decisão judicial, mas Pequim prometeu "proteger os direitos e interesses legítimos das empresas" chinesas.
O Governo chinês denunciou uma decisão "extremamente absurda" e advertiu que o Panamá ia pagar um "preço elevado" se não mudasse de rumo, de acordo com a agência noticiosa Bloomberg.
Na quarta-feira, o Presidente do Panamá rejeitou a ameaça da China.
"Rejeito veementemente a declaração do Gabinete de Assuntos de Hong Kong e Macau", na sequência da decisão do Supremo Tribunal de Justiça do Panamá "relativa ao contrato portuário", afirmou José Raul Mulino na rede social X.
Mulino acrescentou que "o Panamá é um Estado de direito" e respeita as decisões judiciais.
A subsidiária do grupo CK Hutchison, de Hong Kong, anunciou ter iniciado um processo de arbitragem contra o Panamá, alegando "graves prejuízos" depois do cancelamento da concessão.
Ao denunciar "uma campanha do Estado panamiano dirigida especificamente" contra a empresa, a PPC afirmou na terça-feira, em comunicado, estar a sofrer uma "série de ações abruptas" por parte do país da América Central.