IGCP avisa deputados para atenção de investidores "ao que é dito em Portugal"

O número um do IGCP, João Moreira Rato, levou esta quarta-feira aos deputados da comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública a mensagem de que os mercados “estão sempre atentos ao que é dito em Portugal”. E afiançou que são “muitos” os investidores que “perguntam se o ajustamento é para continuar ou não”. Nesta mesma audição, o presidente da agência responsável pela gestão da dívida pública do país fez também contas aos custos para o Estado da chamada “almofada” financeira: 435 milhões de euros em 2013.

RTP /
O presidente do IGCP, João Moreira Rato, fotografado ao lado da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque Lusa (arquivo)

“Os investidores estão sempre atentos ao que é dito em Portugal”, quis vincar o presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública na comissão de Orçamento, onde martelaria a tecla da “importância” de a dívida pública ser colocada numa rota de sustentabilidade.
“Os investidores estão sempre atentos ao que é dito em Portugal pelos vários quadrantes políticos e pela opinião pública em geral”, frisou o presidente do IGCP.


Na ótica de João Moreira Rato, “à medida que os juros baixam, mais facilmente as empresas acedem ao mercado externo. Porque a redução dos juros soberanos leva os investidores a procurar rendibilidades em algumas empresas, cada vez mais”.

O facto de haver “grandes empresas e recorrer ao mercado”, continuou o responsável, “liberta recursos, por exemplo, na banca, para as PME”.

“À medida que as taxas de juro vão descendo o grupo de investidores vai-se diversificando. Por outro lado, para os investidores, a evolução do saldo primário nas contas públicas é muito importante. Dão Muita importância a que as contas públicas estejam a ajustar-se em sentido positivo”, avisaria em seguida Moreira Rato, para então falar do que descreveu como perguntas crónicas dos investidores.

“Há muitos investidores que nos perguntam se o ajustamento é para continuar ou não e quais são os riscos, isso é uma pergunta que nos é feita constantemente. Por isso o ajustamento das contas públicas é essencial, não só para as agências de rating como para os investidores”, advertiu.
O preço da “almofada”

Na mesma audição parlamentar, Moreira Rato avançou ainda com um número para o custo público da denominada “almofada” financeira do ano passado: 435 milhões de euros.

“Se olharmos para a composição do financiamento – 60 por cento de bilhetes do Tesouro e 40 por cento de obrigações do Tesouro - isso dá, para 2013, 15 milhares de milhões de euros”, explicou o responsável, que respondia a uma questão do PS.
Durante a audição desta quarta-feira, o presidente do IGCP disse estar “a trabalhar muito de perto” com as agências de notação financeira para “melhorar” o rating da dívida soberana portuguesa.


As contas não integram, porém, a fatia do pacote de resgate financeiro da troika reservada aos bancos que ainda não foi aplicada. Ou seja, 6,4 mil milhões de euros de um bolo de 12 mil milhões. Isto porque, segundo justificou Moreira Rato, o racional é outro, dado que estes montantes apenas podem ser utilizados em recapitalizações de entidades financeiras.

João Moreira Rato colocou a ênfase em “dois vencimentos importantes” em 2014, com reembolsos a rondar os nove mil milhões de euros.

Para este ano, estimou o presidente do IGCP, o custo da “almofada” financeira “já desceu para cerca de 2,1 por cento. Ainda segundo Moreira Rato, “o que pode fazer sentido” este ano é dispor de “uma almofada à volta de dez mil milhões de euros”.

Relativamente ao rácio de repartição da “almofada”, o responsável indicou que “40 por cento está junto da banca e 60 por cento está no Banco de Portugal”. “Seria muito complicado manter saldos tão elevados concentrados apenas no sistema financeiro português. Pensamos que faz sentido manter este rácio”, concluiu.
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