Impacto económico de desastres naturais recua em 2025 mas riscos persistem

As perdas económicas globais provocadas por desastres naturais diminuíram no ano passado, mas o impacto dos fenómenos extremos continua a gerar forte preocupação, alerta a seguradora alemã Munich Re - uma das maiores a nível mundial.

RTP /
Susana Vera - Reuters

Os prejuízos totais provocados por catástrofes naturais situaram-se em quase 200 mil milhões de euros (224 mil milhões de dólares), menos cerca de 40% do que no ano anterior, segundo o relatório anual da Munich Re citado pela agência AFP.

A redução é explicada, em grande medida, pela ausência de grandes furacões a atingir os Estados Unidos - uma exceção face aos anos recentes.

Ainda assim, a Munich Re alerta que a descida dos números globais não reflete uma diminuição do risco. Pelo contrário, a empresa considera que o quadro geral continua “alarmante”, apontando para a elevada incidência de inundações, tempestades severas e incêndios florestais ao longo do ano.

O desastre mais dispendioso do ano passado foram os incêndios florestais na área de Los Angeles, nos EUA, registados em janeiro, que causaram prejuízos estimados em cerca de 47 mil milhões de euros (53 mil milhões de dólares). Deste total, aproximadamente 36 mil milhões de euros (40 mil milhões de dólares) estavam cobertos por seguros, de acordo com a AFP.

A seguradora sublinha ainda que muitos dos eventos extremos observados em 2025 foram provavelmente influenciados pelas alterações climáticas, acrescentando que os prejuízos poderiam ter sido substancialmente mais elevados não fosse uma conjugação de circunstâncias favoráveis.

Mais de 17 mil vidas foram perdidas no ano passado em desastres naturais em todo o mundo, um número significativamente maior do que os cerca de 11 mil em 2024, mas abaixo da média de dez anos de quase 18 mil, segundo o relatório da Munich Re citado pela agência AFP.
“O planeta tem febre”
Tobias Grimm, climatologista-chefe da Munich Re, afirmou que 2025 foi um ano com “duas faces”. “O primeiro semestre do ano foi o período de perdas mais caro que o setor de seguros já experimentou, mas o segundo semestre registou as perdas mais baixas da década”, disse à agência AFP.

Grimm referiu ainda que “o planeta está com febre e, como resultado, estamos a assistir a uma série de fenómenos meteorológicos graves e intensos”.

Entre outros desastres de grande impacto ao longo do ano contam-se um sismo de grande magnitude na Ásia, ocorrido em março, com perdas estimadas em cerca de 11 mil milhões de euros (12 mil milhões de dólares), bem como vários ciclones tropicais, responsáveis por prejuízos na ordem dos 33 mil milhões de euros (37 mil milhões de dólares).

Os Estados Unidos concentraram a maior fatia das perdas, com cerca de 105 mil milhões de euros (118 mil milhões de dólares), dos quais cerca de 79 mil milhões de euros (88 mil milhões de dólares) estavam segurados.

Na região da Ásia-Pacífico, as perdas ascenderam a aproximadamente 65 mil milhões de euros (73 mil milhões de dólares), mas apenas oito mil milhões de euros (nove mil milhões de dólares) tinham cobertura de seguro.

A Austrália teve o seu segundo ano mais caro em termos de perdas globais causadas por catástrofes naturais desde 1980, devido a tempestades e inundações graves.

Em África, as catástrofes naturais causaram perdas em mais de dois mil milhões de euros (três mil milhões de dólares).

A Europa registou prejuízos estimados em cerca de dez mil milhões de euros (11 mil milhões de dólares).

Apesar da descida global face a anos anteriores, a Munich Re - através dos dados de 2025 - confirma que os fenómenos extremos estão a tornar-se mais frequentes e mais intensos, um padrão que muitos especialistas associam às alterações climáticas e que continua a representar um risco crescente para a economia mundial.
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