Economia
Impasse grego e risco espanhol sobre a mesa do Eurogrupo
Chegou ao fim o período de relativa acalmia que se seguiu à viabilização do segundo pacote de resgate financeiro da Grécia. Os ministros das Finanças dos 17 países da Zona Euro voltam hoje a debruçar-se sobre o dossier de Atenas, onde perdura o impasse político e é cada vez mais improvável a constituição de um elenco governativo de coligação. Ao enredo grego junta-se o contexto de incerteza em torno das contas públicas de Espanha.
A tensão está de regresso aos corredores de Bruxelas. A Grécia é, uma vez mais, a mãe de todas as preocupações no seio do Eurogrupo. Fortemente penalizadas pelo eleitorado nas legislativas de 6 de maio, as formações políticas gregas que subscreveram o programa da troika revelam-se incapazes de congregar vontades políticas para a formação de uma aliança governativa com suficiente apoio parlamentar. As últimas rondas de conversações de iniciativa presidencial, no domingo, não acabaram com o impasse.
Espera-se que os ministros das Finanças dos países da moeda única escolham a firmeza nas palavras a reservar a Atenas. Uma mensagem que passará por recordar aos dirigentes políticos gregos que, sem as reformas estruturais e os cortes impostos pelos sucessivos pacotes de resgate, União Europeia e Fundo Monetário Internacional acabarão por fechar a torneira do financiamento.
À France Presse, uma fonte diplomática europeia lembrou que já começaram a ser enviadas “mensagens muito severas enviadas à Grécia”. Resta saber, segundo a mesma fonte, se essa linha de pressão terá alguma influência “no cérebro dos homens políticos”. Uma das declarações mais vigorosas partiu de Durão Barroso, que deixou uma porta aberta à exclusão da Grécia do grupo do euro. “Se os acordos não são respeitados, não estão reunidas as condições para continuar com um país que não respeita os seus compromissos”, afirmava na sexta-feira, em Roma, o presidente da Comissão Europeia.
Da Alemanha saíram declarações análogas. O presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, advertiu que, “se Atenas não mantém a palavra, isso será uma escolha democrática”, mas “a consequência será que a base para novas ajudas vai desaparecer”. De resto, o próprio ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, já veio advogar que “a Zona Euro pode suportar uma saída da Grécia”.
“Teor político”
A reunião desta segunda-feira, que deverá começar ao início da tarde, será, segundo um responsável europeu citado pela agência Lusa, “fundamentalmente de teor político”. Porque foi para as estruturas de poder político que se deslocou, entretanto, o epicentro do abalo do Velho Continente. Além da indefinição grega, está por perceber o alcance da inversão prometida pelo Presidente francês eleito, François Hollande. Outro ingrediente desta conjuntura de agitação é a demissão do Governo holandês.
No domínio orçamental, o papel de espinho cabe agora à Espanha. Apesar das sucessivas tentativas de contenção de danos do Governo conservador de Mariano Rajoy, ganha força o cenário de um défice das contas públicas acima dos prometidos três por cento em 2013 – as últimas estimativas da Comissão Europeia, conhecidas na sexta-feira, calculam a derrapagem espanhola do próximo ano em 6,3 por cento do Produto Interno Bruto.
Uma das fontes diplomáticas ouvidas pela France Presse adiantou que “a questão” é agora a de “saber como e quando” é que as instituições europeias “vão enfrentar o problema” espanhol. Para não enviar “maus sinais aos mercados”, explicou, o Eurogrupo deverá abster-se, por agora, de assumir posições de peso, preferindo esperar pelas recomendações que Bruxelas fará no final de maio sobre as reformas estruturais planeadas por cada um dos países-membros.
Os dossiers de Portugal e da República da Irlanda serão também analisados pelos ministros das Finanças. Mas com uma atenção menor do que aquela que será dedicada a Madrid. Isto porque “a implementação dos programas” português e irlandês “está a correr muito bem”, nas palavras do responsável citado pela Lusa, que, no caso de Portugal, faz assentar a sua avaliação nos “recentes números das exportações”.
Espera-se que os ministros das Finanças dos países da moeda única escolham a firmeza nas palavras a reservar a Atenas. Uma mensagem que passará por recordar aos dirigentes políticos gregos que, sem as reformas estruturais e os cortes impostos pelos sucessivos pacotes de resgate, União Europeia e Fundo Monetário Internacional acabarão por fechar a torneira do financiamento.
À France Presse, uma fonte diplomática europeia lembrou que já começaram a ser enviadas “mensagens muito severas enviadas à Grécia”. Resta saber, segundo a mesma fonte, se essa linha de pressão terá alguma influência “no cérebro dos homens políticos”. Uma das declarações mais vigorosas partiu de Durão Barroso, que deixou uma porta aberta à exclusão da Grécia do grupo do euro. “Se os acordos não são respeitados, não estão reunidas as condições para continuar com um país que não respeita os seus compromissos”, afirmava na sexta-feira, em Roma, o presidente da Comissão Europeia.
Da Alemanha saíram declarações análogas. O presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, advertiu que, “se Atenas não mantém a palavra, isso será uma escolha democrática”, mas “a consequência será que a base para novas ajudas vai desaparecer”. De resto, o próprio ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, já veio advogar que “a Zona Euro pode suportar uma saída da Grécia”.
“Teor político”
A reunião desta segunda-feira, que deverá começar ao início da tarde, será, segundo um responsável europeu citado pela agência Lusa, “fundamentalmente de teor político”. Porque foi para as estruturas de poder político que se deslocou, entretanto, o epicentro do abalo do Velho Continente. Além da indefinição grega, está por perceber o alcance da inversão prometida pelo Presidente francês eleito, François Hollande. Outro ingrediente desta conjuntura de agitação é a demissão do Governo holandês.
No domínio orçamental, o papel de espinho cabe agora à Espanha. Apesar das sucessivas tentativas de contenção de danos do Governo conservador de Mariano Rajoy, ganha força o cenário de um défice das contas públicas acima dos prometidos três por cento em 2013 – as últimas estimativas da Comissão Europeia, conhecidas na sexta-feira, calculam a derrapagem espanhola do próximo ano em 6,3 por cento do Produto Interno Bruto.
Uma das fontes diplomáticas ouvidas pela France Presse adiantou que “a questão” é agora a de “saber como e quando” é que as instituições europeias “vão enfrentar o problema” espanhol. Para não enviar “maus sinais aos mercados”, explicou, o Eurogrupo deverá abster-se, por agora, de assumir posições de peso, preferindo esperar pelas recomendações que Bruxelas fará no final de maio sobre as reformas estruturais planeadas por cada um dos países-membros.
Os dossiers de Portugal e da República da Irlanda serão também analisados pelos ministros das Finanças. Mas com uma atenção menor do que aquela que será dedicada a Madrid. Isto porque “a implementação dos programas” português e irlandês “está a correr muito bem”, nas palavras do responsável citado pela Lusa, que, no caso de Portugal, faz assentar a sua avaliação nos “recentes números das exportações”.