Indústria de moldes alerta para situação extremamente difícil nas empresas da Marinha Grande
O secretário-geral da Cefamol -- Associação Nacional da Indústria de Moldes, Manuel Oliveira, alertou hoje para a "situação extremamente difícil" de empresas da Marinha Grande e pediu o rápido restabelecimento da energia e das comunicações.
Em declarações à agência Lusa, Manuel Oliveira disse que "as empresas estão paradas, quer por falta de energia e de comunicações, quer devido aos danos" provocados pela passagem da depressão Kristin.
Segundo o responsável, desapareceram coberturas e entrou água que "estraga e danifica um conjunto de equipamentos que são de muito valor e necessários para trabalhar".
"A situação é efetivamente difícil, mas não podemos quantificar, porque nem sequer conseguimos falar com as empresas, uma vez que não há comunicações na região", lamentou.
Pelo mesmo motivo, Manuel Oliveira disse não saber se há, ou não, saques a empresas de moldes.
Uma empresária da Marinha Grande pediu hoje que o Exército realize patrulhas nas zonas industriais da região e garantiu que as empresas estão a ser saqueadas.
"Precisamos que o Exército nos venha ajudar a proteger as empresas, Marinha Grande, Vieira de Leiria, em Leiria, porque as empresas estão a começar a ser saqueadas", disse à Lusa Maria Almeida, coproprietária de uma empresa de moldes na Marinha Grande.
A empresária apontou que uma das empresas no concelho da Marinha Grande já foi alvo de roubos de cablagem.
"Para já não nos foi relatada essa parte, mas também não foi relatado nada porque não conseguimos falar. Daí a necessidade de a energia e de as comunicações serem colocadas o mais rapidamente possível, até para evitar esse tipo de situações", afirmou Manuel Oliveira.
O secretário-geral da Cefamol também não consegue avaliar, para já, qual o risco de a indústria ficar sem as peças produzidas na Marinha Grande.
"Não conseguimos ter informação suficiente para perceber o nível de impacto que isto poderá causar, quer o momentâneo, quer futuramente", frisou.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.