João Cravinho explica que manifesto alerta que reestruturação é única saída para crescimento sustentável

O antigo ministro socialista das Obras Públicas João Cravinho explica que o manifesto assinado por 70 personalidades portuguesas alerta que a reestruturação da dívida pública portuguesa é a única forma para conseguir um crescimento sustentável do país. A ideia deste documento partiu de João Cravinho, em articulação com Eduardo Paz Ferreira, Bagão Félix e José Reis.

Sandra Henriques /

Foto: Lusa

“Sem crescimento robusto, sólido, não vamos ter condições para pagar a dívida, vamos entrar numa sucessão de políticas que, de facto, acabam por destruir por completo o tecido social português, que acabam por pôr as pessoas nas maiores dificuldades, e é preciso ter uma saída. Não há outra saída senão a preparação da reestruturação responsável da dívida pública para crescer sustentadamente”, afirma João Cravinho, em declarações ao jornalista da Antena 1 Nuno Rodrigues.

O ex-ministro sublinha que os subscritores do manifesto consideram que é essencial “observar e cumprir as boas práticas de rigorosa gestão das contas e das finanças públicas”. “Não é isso que está em causa – pelo contrário, reforça-se essa ideia. É necessário fazer uma reestruturação da dívida no contexto europeu da união económica e monetária, e portanto em cooperação com os outros estados-membros do euro, de modo a conciliar e tornar possível o crescimento, o pagamento integral da dívida, que neste momento não há condições do que se pode dizer dos números que se conhecem, porque a continuarmos assim não temos condições para pagar a dívida”, argumenta.

“Precisamos de ter condições para pagar a nossa dívida responsavelmente, precisamos de crescer e de fazer uma rigorosa prática das finanças públicas, no respeito das normas constitucionais e do bom senso para que haja futuro com responsabilidade financeira e social”, salienta.

Entre as 70 personalidades que assinam o texto que apela à reestruturação da dívida estão Francisco Louçã, Manuela Ferreira Leite, Freitas do Amaral, Adriano Moreira, Ferro Rodrigues e Carvalho da Silva. Para além das figuras políticas, o documento é subscrito por nomes de vários setores da sociedade, entre empresários, sindicalistas, académicos e constitucionalistas.

A notícia do lançamento do manifesto foi avançada esta manhã pelo jornal Público, que revela que os subscritores consideram que a reestruturação da dívida é condição essencial para que deixe de reinar a política da austeridade pela austeridade e para que haja crescimento e emprego.

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