Junta de Felgar (Torre de Moncorvo) desconhece pormenores do investimento dos australianos da Rio Tinto

Porto, 21 out (Lusa) -- O presidente da Junta de Freguesia de Felgar, Torre de Moncorvo, disse hoje à Lusa que oficialmente desconhece o interesse e os pormenores do investimento que os australianos da Rio Tinto pretendem concretizar nas minas de ferro daquela freguesia.

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Neste caso, disse o autarca António Manuel, "tenho de ver para crer", admitindo, contudo, que "todos os investimentos que venham para a freguesia são sempre bem-vindos".

"Ainda não tenho conhecimento de nada. Ouviu-se recentemente o ministro da Economia falar que havia um investimento, mas não se sabia se era mesmo para aqui ou para onde era. Ainda não li nada sobre isso", afirmou, em declarações à Lusa.

O autarca contou que "têm andado a fazer umas perfurações e pesquisas" na zona das minas, mas disse desconhecer qual o objetivo, assim como a empresa, que andava no terreno.

António Manuel disse ainda à Lusa que apesar de "todas as vantagens" deste investimento para a sua freguesia há uma questão que não quer ver esquecida: "Não sei qual será o sistema de extração, é preciso ver a questão do impacto ambiental".

As minas de ferro de Felgar estão localizadas nos lugares de Carvalhal e Cabeço da Mua, numa zona de pinhal.

"Se aquilo for tudo `descabeçado`, essa paisagem verde que temos agora desaparece. Não sei qual será o método de exploração. Temos de saber para depois podermos analisar", acrescentou.

Assegurada a questão ambiental, o autarca assume que "um investimento desta envergadura será sempre bem-vindo, até porque vai gerar muitos postos de trabalho. Espero que se vier traga um bom desenvolvimento para a região e que ajude a fixar aqui os jovens", frisou.

De acordo com os últimos censos, a freguesia de Felgar, concelho de Torre de Moncorvo, tem 954 habitantes.

As minas ali localizadas são um dos maiores depósitos de minério de ferro da Europa, com recursos medidos e indicados de 552 milhões de toneladas de minério e recursos inferidos de mil milhões de toneladas.

O investimento está a ser negociado entre o Governo, a empresa que detém a concessão da mina até 2070, a MTI -- Minning Technology Investments, e a Rio Tinto.

O Governo confirmou hoje o interesse da Rio Tinto em investir mil milhões nas minas de Moncorvo, em Trás-os-Montes, acrescentando que o projeto faz parte de uma reestruturação do setor em Portugal.

O secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, afirmou que o investimento da Rio Tinto em Moncorvo é um dos projetos em andamento, inserido numa estratégia do Governo de potenciar os recursos de Portugal.

"Temos vindo a potenciar as nossas estruturas, nomeadamente a direção-geral de Energia e Geologia e a Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM) para potenciar os nossos recursos", disse Henrique Gomes, adiantando que o projeto da Rio Tinto "é um deles" e que "haverá outros interessados", não só na zona de Trás-os-Montes "como noutras".

Álvaro Santos Pereira já tinha anunciado a 27 de setembro, na RTP, que existia uma multinacional que pretendia fazer um grande investimento em Portugal, escusando-se na altura a avançar com detalhes.

O investimento vai permitir, numa primeira fase, a criação de 420 novos postos de trabalho diretos e cerca de 800 indiretos, bem como a criação de um polo de investigação e desenvolvimento no Nordeste Transmontano, com parcerias com instituições locais e internacionais.

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