"Lição do que vimos no Mondego". Governo quer relatório urgente sobre as cheias

"Lição do que vimos no Mondego". Governo quer relatório urgente sobre as cheias

O Ministério do Ambiente e Energia está já a trabalhar no pós-crise e Maria da Graça Carvalho anunciou um despacho que servirá para reavaliar a gestão da bacia do Mondego. Além disso, o Governo pediu um relatório técnico com caráter de urgência sobre o impacto das cheias.

Inês Moreira Santos, Joana Raposo Santos - RTP /
Foto: Manuel de Almeida - Lusa

No final da reunião desta quarta-feira com a APA, a ministra do Ambiente anunciou que o Governo solicitou um relatório técnico com caráter de urgência sobre o impacto das cheias no rio Mondego e avaliação dos modelos de gestão de risco, para adaptar o sistema de infraestruturas da bacia do rio.

Em declarações aos jornalistas, a ministra recordou que o rio Mondego, um dos mais afetados pelas recentes cheias, tem uma infraestrutura física de diques que foi desenhada nos anos 1970 e que agora é preciso adaptar a novas realidades.

"Neste momento temos de nos adaptar às alterações climáticas, temos fenómenos climáticos muito diferentes dos anos 1970, e pedimos à APA que se junte com os maiores especialistas do momento para olhar para o sistema de infraestruturas físicas do Mondego e ver se ele está adaptado às condições de hoje", explicou.

A ministra referiu que o objetivo é corrigir o possível, para evitar eventos semelhantes no futuro, porque "os tempos hoje são difentes do passado", quando foram construídos os diques. "Espírito de prevenção"
Outro ponto essencial discutido na reunião com a APA foi "a boa articulação com as câmaras municipais, com a Proteção Civil, com os atores no local".

"Isso foi essencial para termos evitado uma tragédia maior".


Maria da Graça Carvalho destacou dois episódios marcantes durante o período do mau tempo. Um primeiro, quando o caudal do Mondego esteve perto do valor limite dos diques e houve a decisão de retirar as pessoas da área de risco.

"Foi esse espírito de prevenção e de união que fez com que tudo decorresse de uma forma muito mais tranquila. Houve tempo, porque o rompimento do dique só ocorreu mais de 24 horas depois"
.
O segundo ponto que a ministra salientou foi quando o dique do Mondego rompeu e, juntamente com as autoridades locais, viu "as imagens do escoamento".

"Houve, nos momentos seguintes, a decisão de cortar a A1", frisou. "Foi o estarmos todos juntos e termo imediatamente telefonado que fez com que essa decisão que salvou muitas vidas".Maria da Graça Carvalho não tem dúvidas de que "teria sido um desastre complicado" se não tivessem "cortado imediatamente a A1".

Por isso, considerou "crucial esta boa relação entre os atores locais, as autarquias, os utilizadores, as pessoas que moram na margem, os industriais".

"É uma lição a ter para o futuro", disse, acrescentando que o Ministério está já a trabalhar no pós-crise. "Há muito a fazer".

Para começar foi lançado um despacho para que se realize um estudo de como tornar "a rede mais resiliente".

"E hoje vamos publicar um despacho que é uma lição daquilo que vimos no Mondego", continuou, explicando que o objetivo é ver se o esquema de diques está "adequado aos dias de hoje".

O despacho refere ainda "o modelo de governança" da bacia do Mondego, porque, justificou a ministra, em tempos de crise deve adotar-se um modelo de cogestão, que junte os presidentes das câmaras, os agricultores e os industriais para tornar "mais institucional" o modelo de gestão que foi adotado para os dias de cheias da semana passada.

c/ Lusa
Tópicos
PUB