Governo avalia estruturas do Mondego para responder a fenómenos extremos

Governo avalia estruturas do Mondego para responder a fenómenos extremos

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) vai avançar com uma avaliação às infraestruturas físicas do Rio Mondego para perceber se estão preparadas para responder às atuais condições climatéricas e a fenómenos meteorológicos extremos como os que Portugal viveu nas últimas semanas.

Rita Faria Fernandes - Antena 1 /
João Marques - RTP

A decisão foi anunciada pela ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, depois de uma reunião com o presidente da APA, José Carlos Pimenta Machado, que vai coordenar a operação, que começa pelo Mondego — uma escolha que resulta das lições aprendidas com as cheias recentes e com as tempestades das últimas semanas.

O objetivo é avaliar a capacidade de resposta de diques e outras infraestruturas hidráulicas e, se necessário, reforçá-las para melhor enfrentar episódios extremos.A ministra do Ambiente diz que o plano de infraestruturas do Mondego foi desenhado na década de 1970, para uma realidade climática muito diferente da atual.

"Neste momento temos de nos adaptar às alterações climáticas. Temos fenómenos meteorológicos muito diferentes dos anos 70 e, por isso, pedimos à APA que, em conjunto com os maiores especialistas do momento, volte a olhar para o sistema de infraestruturas físicas do Mondego e avalie se está, de facto, adaptado às condições de hoje", afirmou.

A ministra adiantou ainda que, em breve, o primeiro-ministro vai apresentar um plano nacional para a recuperação de infraestruturas, pensado não só para responder aos estragos provocados pelo mau tempo, mas também para preparar o país para eventos climáticos extremos.A avaliação não se fica pelo Mondego. O Governo quer alargar este trabalho ao rio Tejo e ao Sado. O presidente da APA garantiu que os trabalhos no Mondego começam "já hoje".


A ministra do Ambiente avança também com um novo modelo de governação da bacia do Mondego, baseado na co-gestão entre várias entidades. O grupo vai integrar presidentes de câmara, agricultores, industriais e outros atores locais, num modelo semelhante ao que já existe para os parques naturais, mas agora aplicado aos rios.

O objetivo é reforçar a articulação no terreno e melhorar a tomada de decisão em situações como as que o país viveu com a tempestade Kristin e as que se seguiram e, depois, com as cheias.
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