Limitação de dividendos pelo BCE é positiva para o crédito - Moody`s
A agência de notação financeira Moody`s disse hoje que a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de limitar os dividendos a distribuir pela banca até setembro de 2021 é positiva para o crédito, porque ajuda à capitalização do setor.
"A decisão do BCE de limitar o pagamento de dividendos é positiva para o crédito porque ajuda a proteger a capitalização dos bancos", de acordo com um relatório do Serviço a Investidores da Moody`s publicado hoje.
No documento, a agência de notação financeira espera que "a postura do BCE, que é mais restrita que a do Banco de Inglaterra, será seguida pelos supervisores nacionais para os bancos menos significativos que o BCE não supervisiona diretamente".
Segundo a Moody`s, "o impacto negativo da decisão no CET1 [rácio de capital] dos bancos, que ainda será mais baixo 20 pontos base, será compensado com os benefícios que os bancos ganharam com a recente aplicação do Regulamento de Requisitos de Capital da União Europeia 2 (`CRR quick fix`)".
Este sistema "relaxa os requisitos de capital para as exposições de alguns bancos, como aqueles em pequenas e médias empresas e no qual estimamos que resultou um aumento de 40 pontos base no rácio de capital CET1 na primeira metade de 2020".
No dia 15 de dezembro de 2020, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou que os bancos da zona euro podem voltar a pagar dividendos, mas com sujeição a limites, de forma a proteger o seu capital.
A distribuição de dividendos não deverá exceder os 15% dos lucros acumulados de 2019 e 2020 ou 20 pontos bases do rácio de capital CET1.
O BCE recomendou, no entanto, que os bancos "exerçam extrema prudência" nessa distribuição e considerem "não distribuírem nenhuns dividendos" até 30 de setembro de 2021.