Lucro da Corticeira Amorim cai 20,3% para 55,6 milhões de euros em 2025
O lucro da Corticeira Amorim caiu 20,3%, para 55,6 milhões de euros, em 2025 face a 2024, com a rentabilidade a ser condicionada pelo `mix` de produto e menores volumes, anunciou hoje o grupo.
Num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a empresa de Mozelos, Santa Maria da Feira, detalha que o EBITDA (resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) consolidado atingiu 141 milhões de euros, o que compara com os 157,6 milhões registados em 2024.
Na assembleia-geral de acionistas agendada para 04 de maio, o Conselho de Administração da Corticeira Amorim vai propor a distribuição de um dividendo bruto total de 0,35 euros por ação, a pagar na totalidade em maio.
No ano passado, as vendas consolidadas da Corticeira Amorim totalizaram 861 milhões de euros, registando uma quebra de 8,3% face ao exercício anterior devido a "pressões sobre os volumes e `mix` de produto decorrentes de um contexto de mercado desafiante", que afetou todas as unidades de negócio.
Excluindo o efeito de alteração do perímetro de consolidação decorrente da alienação participação na Timberman Denmark, as vendas teriam caído 5,3%.
Já a Amorim Cork Solutions viu as vendas caírem 24,0%, penalizadas por "menores níveis de atividade, particularmente no segmento de pavimentos, e pelo impacto da alteração do perímetro de consolidação". Excluindo este efeito, o decréscimo das vendas teria sido de 11,4%.
No final de dezembro, a dívida remunerada líquida da Corticeira Amorim ascendia a 75,9 milhões de euros, uma redução de 119,8 milhões face aos 195,7 milhões do final de 2024 que o grupo destaca ter sido possível graças à "forte geração de fluxos de caixa" (175,9 milhões de euros) e apesar do pagamento de dividendos (42,6 milhões) e do investimento em ativo fixo (42,8 milhões).
Citado no comunicado, o presidente e presidente executivo (CEO) da Corticeira Amorim refere que a atividade do grupo em 2025 "foi condicionada por um contexto de elevada incerteza, marcado por tensões geopolíticas e por transformações significativas no comércio internacional, num ambiente de transformação dos hábitos de consumo de álcool que impõe pressões adicionais sobre o setor vitivinícola".
"A reduzida previsibilidade e a contração da procura levaram os nossos clientes a adotar políticas de compra mais conservadoras e a implementar planos de redução de custos, tendências que se intensificaram ao longo do ano", explica António Rios de Amorim.
Segundo o CEO, estes desafios "exigiram uma elevada capacidade de adaptação, priorizando-se a proteção da rentabilidade e a redução do nível de endividamento", continuando a empresa a implementar "iniciativas orientadas para a melhoria da eficiência operacional e para a otimização da estrutura de custos".
Rios de Amorim afirma ainda que o novo modelo organizativo da Amorim Cork Solutions "produziu benefícios claros", promovendo a integração das operações do negócio `não rolha` numa única unidade de negócio e posicionando-a como "um relevante `driver` de crescimento a prazo" da Corticeira Amorim.
Relativamente ao exercício em curso, o CEO diz encará-lo "com prudência", dado o ainda "desafiante" contexto externo, e salienta as "oportunidades de consolidação de mercados e de diferenciação" que se apresentam ao grupo "através de iniciativas estruturais orientadas para competitividade, inovação e sustentabilidade, assegurando a criação de valor a longo prazo".