Economia
"A melhor escolha para o futuro". Lufthansa é a vencedora da privatização parcial da TAP
O Governo escolheu a Lufthansa como vencedora da privatização parcial da TAP. A decisão, anunciada esta quarta-feira pelo primeiro-ministro, será ainda seguida de uma última fase de negociação e de autorizações regulatórias.
(em atualização)
Outros dois pontos foram realçados pelo ministro, ambos à roda da ideia de ser “uma grande oportunidade”. Por um lado, uma oportunidade para a TAP, permitindo que a empresa cresça, faça parte de um grupo mundial, com mais aviões, mais rotas, maior atividade.
E, por outro lado, uma “grande oportunidade” para Portugal, com o impacto no turismo, mas também outras áreas industriais associadas, com o intuito de criar uma “base industrial cada vez mais sólida”.
Em causa está a venda de até 49,9 por cento do capital da companhia aérea portuguesa, dos quais 44,9 por cento se destinam ao vencedor do concurso e até cinco por cento estão reservados aos trabalhadores, mantendo o Estado a maioria do capital.
“Avaliadas as propostas, a decisão do Governo recai sobre o grupo Lufthansa, cuja proposta financeira é 16% superior à proposta concorrente e com menor grau de incerteza”, declarou o primeiro-ministro após o Conselho de Ministros desta quarta-feira.
Segundo Luís Montenegro, “esta é a melhor escolha para o futuro da empresa e a que melhor protege o interesse nacional”.
A operação representa um encaixe financeiro de 1.201 milhões de euros na primeira fase. Na segunda fase será de 1.351 milhões. No total, a valorização total direta da companhia será de 2.552 milhões de euros.
Segundo Luís Montenegro, “esta é a melhor escolha para o futuro da empresa e a que melhor protege o interesse nacional”.
A operação representa um encaixe financeiro de 1.201 milhões de euros na primeira fase. Na segunda fase será de 1.351 milhões. No total, a valorização total direta da companhia será de 2.552 milhões de euros.
Este valor está “muitíssimo acima das avaliações independentes perspetivadas há alguns anos ou mesmo há alguns meses”, vincou o chefe do Governo.
A integração da TAP na Lufthansa “é equivalente a colocar a nossa companhia aérea dentro de um dos maiores grupos europeus”, mas também “o quarto maior grupo a nível global se estivermos a falar em receitas”.
“Estamos a garantir o crescimento da TAP, o crescimento da frota, o crescimento dos passageiros, o crescimento dos destinos e das ligações, e também o crescimento do investimento” e dos empregos, afirmou Luís Montenegro, destacando a criação de uma nova escola de pilotos em Tancos, um centro de inovação em Aveiro ou um centro de serviços corporativos em Santa Maria da Feira.
“Estamos a garantir o crescimento da TAP, o crescimento da frota, o crescimento dos passageiros, o crescimento dos destinos e das ligações, e também o crescimento do investimento” e dos empregos, afirmou Luís Montenegro, destacando a criação de uma nova escola de pilotos em Tancos, um centro de inovação em Aveiro ou um centro de serviços corporativos em Santa Maria da Feira.
“A nossa ambição é dar asas à TAP para que ela voe cada vez mais e voe cada vez mais longe”, disse Montenegro, acrescentando que este negócio traz “esperança a todos os portugueses”.
Governo admite privatização total até 2028
“Desde o início assumimos o nosso objetivo de recuperar o valor” injetado na TAP para os portugueses, dinheiro que “ao ser canalizado para a companhia deixou de estar disponível para outras despesas públicas”, declarou Luís Montenegro.
“Por isso, fomos firmes e exigentes na negociação de forma a obtermos as melhores condições e contrapartidas e reduzir a exposição futura do Estado”.
A parceria aponta para “o caminho da recuperação total do valor que os portugueses investiram na TAP”, acrescentou.
Assim sendo, o Governo “encara a possibilidade de, numa segunda fase até 2028, como propõe de resto os candidatos, trocar o capital remanescente por uma participação social na holding do respetivo grupo”.
“A oferta da Lufthansa para uma segunda fase inclui uma verba de mais 488 milhões de euros e uma permuta de ações que pode vir a posicionar o Estado português como o segundo maior acionista desta companhia, que é a maior companhia aérea europeia, e por via disso colher os respetivos dividendos ano após ano”.
“Desde o início assumimos o nosso objetivo de recuperar o valor” injetado na TAP para os portugueses, dinheiro que “ao ser canalizado para a companhia deixou de estar disponível para outras despesas públicas”, declarou Luís Montenegro.
“Por isso, fomos firmes e exigentes na negociação de forma a obtermos as melhores condições e contrapartidas e reduzir a exposição futura do Estado”.
A parceria aponta para “o caminho da recuperação total do valor que os portugueses investiram na TAP”, acrescentou.
Assim sendo, o Governo “encara a possibilidade de, numa segunda fase até 2028, como propõe de resto os candidatos, trocar o capital remanescente por uma participação social na holding do respetivo grupo”.
“A oferta da Lufthansa para uma segunda fase inclui uma verba de mais 488 milhões de euros e uma permuta de ações que pode vir a posicionar o Estado português como o segundo maior acionista desta companhia, que é a maior companhia aérea europeia, e por via disso colher os respetivos dividendos ano após ano”.
“Esta é uma reforma estrutural”, destaca ministro Finanças
Miranda Sarmento, ministro das Finanças, não tem dúvidas de classificar o que chama de significativa “reforma estrutural”. Considera que “o plano ambicioso para a TAP” terá impacto significativo na economia, desde a criação de emprego, ao crescimento económico por via do turismo e da indústria, como é o caso da indústria de manutenção.
Miranda Sarmento, ministro das Finanças, não tem dúvidas de classificar o que chama de significativa “reforma estrutural”. Considera que “o plano ambicioso para a TAP” terá impacto significativo na economia, desde a criação de emprego, ao crescimento económico por via do turismo e da indústria, como é o caso da indústria de manutenção.
Outros dois pontos foram realçados pelo ministro, ambos à roda da ideia de ser “uma grande oportunidade”. Por um lado, uma oportunidade para a TAP, permitindo que a empresa cresça, faça parte de um grupo mundial, com mais aviões, mais rotas, maior atividade.
E, por outro lado, uma “grande oportunidade” para Portugal, com o impacto no turismo, mas também outras áreas industriais associadas, com o intuito de criar uma “base industrial cada vez mais sólida”.
Lufthansa garante salvaguarda da marca TAP, mais aviões e respeito pelos trabalhadores
O ministro das Infraestruturas e Habitação falou, por sua vez, num “desafio de dois anos e meio” durante o qual o Governo cumpriu “escrupulosamente os prazos”.
Miguel Pinto Luz adiantou que tanto a Lufthansa como a Air France-KLM se tinham comprometido, enquanto candidatas, a assegurar as condições estratégicas críticas para o Governo, nomeadamente a conectividade territorial com as ilhas, a salvaguarda da marca TAP e sede com robustecimento do Hub em Lisboa, assim como o “respeito absoluto pelos trabalhadores e estabilidade laboral”.
A Lufthansa propõe ainda a TAP como plataforma para o Brasil e mercados lusófonos, assim como a manutenção no grupo Star Alliance. O Porto servirá como segunda base, com oito aeronaves de longo curso.
A frota terá 117 aeronaves em 2035 e 130 após 2035. Haverá igualmente a transferência de oito aviões A350-900 após 2030 e a modernização da “já velhinha” frota da Portugália, indicou o ministro.
A nível da engenharia, a proposta da Lufthansa prevê a integração da TAP M&E na rede Lufthansa Technik, com mais volumes, licenças OEM e centros de excelência, assim como o investimento de 300 milhões de euros e a criação de 700 postos de trabalho em Santa Maria da Feira.
O Executivo garante que a integração na Lufthansa permite o crescimento futuro da TAP, já que haverá um reforço da presença na Améria Latina, a otimização de custos pelos ganhos de escala da empresa conjunta e investimentos adicionais com a criação de uma escola de treino de pilotos em Tancos.
O ministro das Infraestruturas e Habitação falou, por sua vez, num “desafio de dois anos e meio” durante o qual o Governo cumpriu “escrupulosamente os prazos”.
Miguel Pinto Luz adiantou que tanto a Lufthansa como a Air France-KLM se tinham comprometido, enquanto candidatas, a assegurar as condições estratégicas críticas para o Governo, nomeadamente a conectividade territorial com as ilhas, a salvaguarda da marca TAP e sede com robustecimento do Hub em Lisboa, assim como o “respeito absoluto pelos trabalhadores e estabilidade laboral”.
A Lufthansa propõe ainda a TAP como plataforma para o Brasil e mercados lusófonos, assim como a manutenção no grupo Star Alliance. O Porto servirá como segunda base, com oito aeronaves de longo curso.
A frota terá 117 aeronaves em 2035 e 130 após 2035. Haverá igualmente a transferência de oito aviões A350-900 após 2030 e a modernização da “já velhinha” frota da Portugália, indicou o ministro.
A nível da engenharia, a proposta da Lufthansa prevê a integração da TAP M&E na rede Lufthansa Technik, com mais volumes, licenças OEM e centros de excelência, assim como o investimento de 300 milhões de euros e a criação de 700 postos de trabalho em Santa Maria da Feira.
O Executivo garante que a integração na Lufthansa permite o crescimento futuro da TAP, já que haverá um reforço da presença na Améria Latina, a otimização de custos pelos ganhos de escala da empresa conjunta e investimentos adicionais com a criação de uma escola de treino de pilotos em Tancos.
“Boas-vindas à Lufthansa”
Em comunicado entretanto remetido às redações, a TAP dá “as boas-vindas ao Grupo Lufthansa”.
“A TAP agradece igualmente ao Grupo Air France/KLM o interesse demonstrado na Companhia, bem como o profissionalismo, empenho e seriedade com que participou neste processo”, lê-se na mesma nota.
“A decisão, anunciada no ano em que a TAP celebra 81 anos de atividade, representa um marco importante na história da Companhia e abre novas perspetivas de crescimento, escala e competitividade no mercado global”, prossegue a empresa.
No comunicado pode ler-se que “a futura entrada do Grupo Lufthansa no capital da TAP permitirá à Companhia beneficiar da dimensão e experiência de um grupo internacional de referência, reforçando as suas oportunidades de desenvolvimento e a sua posição nos mercados em que opera”. “A proposta selecionada contempla a preservação da marca, da sede em Portugal, do hub em Lisboa, bem como o desenvolvimento da operação no Porto, a expansão da frota e a relevância da área de Manutenção & Engenharia”.
A TAP faz ainda notar que “beneficiará das oportunidades decorrentes da futura integração na joint venture A++ no Atlântico Norte, reforçando a sua competitividade e criando novas perspetivas de crescimento”.
No decurso do processo de privatização, a TAP “manterá o foco na execução do plano estratégico 2026-2035, que continuará a orientar a gestão da Companhia nesta fase”.
Em comunicado entretanto remetido às redações, a TAP dá “as boas-vindas ao Grupo Lufthansa”.
“A TAP agradece igualmente ao Grupo Air France/KLM o interesse demonstrado na Companhia, bem como o profissionalismo, empenho e seriedade com que participou neste processo”, lê-se na mesma nota.
“A decisão, anunciada no ano em que a TAP celebra 81 anos de atividade, representa um marco importante na história da Companhia e abre novas perspetivas de crescimento, escala e competitividade no mercado global”, prossegue a empresa.
No comunicado pode ler-se que “a futura entrada do Grupo Lufthansa no capital da TAP permitirá à Companhia beneficiar da dimensão e experiência de um grupo internacional de referência, reforçando as suas oportunidades de desenvolvimento e a sua posição nos mercados em que opera”. “A proposta selecionada contempla a preservação da marca, da sede em Portugal, do hub em Lisboa, bem como o desenvolvimento da operação no Porto, a expansão da frota e a relevância da área de Manutenção & Engenharia”.
A TAP faz ainda notar que “beneficiará das oportunidades decorrentes da futura integração na joint venture A++ no Atlântico Norte, reforçando a sua competitividade e criando novas perspetivas de crescimento”.
No decurso do processo de privatização, a TAP “manterá o foco na execução do plano estratégico 2026-2035, que continuará a orientar a gestão da Companhia nesta fase”.
“A TAP chega a este momento depois de um percurso exigente, marcado por profundas transformações e pelo esforço e dedicação dos seus Trabalhadores, a quem quero deixar uma palavra especial de reconhecimento”, afirma o presidente do Conselho de Administração, Carlos Oliveira, citado no comunicado.
“Temos ainda etapas importantes pela frente. Até à conclusão da operação, continuaremos focados na nossa estratégia, nos nossos clientes e nas responsabilidades que temos perante a companhia. Encaramos o futuro com confiança, ambição e sentido de responsabilidade", remata o responsável.
“Temos ainda etapas importantes pela frente. Até à conclusão da operação, continuaremos focados na nossa estratégia, nos nossos clientes e nas responsabilidades que temos perante a companhia. Encaramos o futuro com confiança, ambição e sentido de responsabilidade", remata o responsável.
Grupo Air France está “naturalmente desapontado”
Depois do anúncio oficial do Governo português, a Air France diz que “embora o Grupo esteja naturalmente desapontado por não ter sido selecionado, aprecia o diálogo construtivo mantido ao longo do processo”.
A empresa acrescenta que “continuará a ligar Portugal ao mundo através dos seus hubs e bases e avaliará todas as opções para aumentar a sua presença no país, bem como na região da América do Sul”.
Depois do anúncio oficial do Governo português, a Air France diz que “embora o Grupo esteja naturalmente desapontado por não ter sido selecionado, aprecia o diálogo construtivo mantido ao longo do processo”.
A empresa acrescenta que “continuará a ligar Portugal ao mundo através dos seus hubs e bases e avaliará todas as opções para aumentar a sua presença no país, bem como na região da América do Sul”.