Maus resultados económicos no primeiro ano de Chapo em Moçambique eram esperados

O jornalista e analista moçambicano Fernando Lima considerou hoje "muito baixos e maus" os resultados económicos do primeiro ano de governação do Presidente Daniel Chapo, assumindo que eram expectáveis, mas aponta perspetivas "claramente melhores" para 2026.

Lusa /
Amanuel Sileshi - AFP

"Os resultados económicos (...) do primeiro ano de governação também são muito baixos, mas isso também não é nenhuma surpresa. O país esteve praticamente paralisado um trimestre, demorou dois trimestres a pôr tudo a funcionar e só o último trimestre de 2025 é que teve resultados minimamente positivos", disse Fernando Lima, em declarações à Lusa.

Segundo Lima, Chapo assumiu a Presidência de Moçambique - completa na quinta-feira um ano - numa situação que tornou "muito difícil" fazer melhor, descartando tratar-se de incapacidade, ao aludir às manifestações pós-eleitorais registadas entre outubro de 2024 e março de 2025.

Para 2026, segundo ano de mandato, o analista perspetiva resultados melhores, sugerindo, por isso, mais agilidade e uma "atitude muito mais agressiva" em vários setores, principalmente nos que podem ter uma grande influência na economia.

O analista apontou também para uma resposta "mais flexível e mais ágil" aos desafios e frustrações que o setor económico moçambicano enfrenta, que vêm à tona em alturas de crise, havendo crédito facilitado e mais disponibilidade de divisas para atrair o comércio externo.

"Os resultados de 2025 são muito maus, mas isso não é uma perspetiva, os resultados que se perspetivam para 2026 serão claramente melhores, mas ainda muito modestos", referiu.

Daniel Chapo foi investido como quinto Presidente de Moçambique em 15 de janeiro de 2025, em Maputo, pela presidente do Conselho Constitucional, Lúcia Ribeiro.

A cerimónia de investidura, realizada na Praça da Independência, centro de Maputo, foi marcada por fortes medidas de segurança face ao anúncio de manifestações e protestos, convocados pelo então candidato presidencial Venâncio Mondlane, que nunca reconheceu os resultados das eleições gerais de 09 de outubro de 2024.

As manifestações iniciaram-se pouco depois do anúncio dos resultados do escrutínio, tendo causado pelo menos 411 mortos, em resultado dos confrontos violentos entre a polícia e manifestantes.

Perante tiros da polícia para dispersar grupos de manifestantes, que se ouviam a partir da Praça da Independência, o então novo Presidente de Moçambique prometeu, no seu primeiro discurso, uma ampla reforma do Estado para reduzir o número de ministérios, criar entidades, fomentar a digitalização dos serviços públicos e combater a corrupção, entre outros objetivos.

Chapo defendeu também a união em Moçambique e disse que "a estabilidade social e política é a prioridade das prioridades", prometendo ser "não um Presidente distante, mas um filho da nação".

Formado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, em 2000, Daniel Francisco Chapo nasceu em Inhaminga, província de Sofala, centro de Moçambique, em 06 de janeiro de 1977, sendo por isso o primeiro candidato Frelimo e o primeiro Presidente nascido já depois da independência do país (1975).

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