Menos de 20% dos danos por desastres naturais em África em 2025 cobertos por seguros
Menos de um quinto dos danos causados por desastres naturais em África em 2025 estavam segurados, e em Moçambique, um dos países mais afetados neste continente, praticamente nenhuma perda estava coberta por seguros, segundo a resseguradora Munich RE.
Os desastres naturais causaram no mundo danos de 224 mil milhões de dólares [192 mil milhões de euros], menos 39% do que no ano anterior, por "pura sorte", diz um relatório divulgado terça-feira pela resseguradora alemã.
Em África, "resultaram em perdas de aproximadamente três mil milhões de dólares [2,5 mil milhões de euros], menos de um quinto das quais estava segurado".
Mais de metade dos danos em África foram devido a três ciclones, lê-se no relatório, que dá conta que "um atingiu a ilha francesa da Reunião em fevereiro e os outros dois ciclones afetaram Madagáscar e Moçambique em janeiro e março" de 2025.
No documento, os autores escrevem também que "quase metade dos 900 milhões de dólares [773 milhões de euros] em perdas na Reunião estava segurada, enquanto praticamente nenhumas perdas em Moçambique estavam" cobertas por seguro.
Os autores do documento alertam para o crescente impacto de inundações, tempestades severas e incêndios florestais nas perdas e danos, salientando que "os cientistas concordam de forma generalizada que tais desastres naturais estão a tornar-se mais graves e mais frequentes em muitas partes do mundo".
A empresa alemã aponta que os danos causados por desastres naturais vitimaram no mundo cerca de 17.200 pessoas, bem acima das 11 mil do ano anterior, mesmo que em termos materiais (valor) as perdas tenham sido inferiores.
Os danos a nível global, de 224 mil milhões de dólares em 2025 representam uma melhoria de 39% face aos danos de 368 mil milhões de dólares [316 mil milhões de euros], em 2024, dos quais 147 mil milhões de dólares (126 mil milhões de euros) estavam cobertos por seguros, mas no relatório aponta-se que isto se deve a "pura sorte".
"O mundo foi claramente poupado a perdas potencialmente muito piores por pura sorte em 2025, principalmente pelo facto de nenhum furacão ter tocado o solo dos Estados Unidos, apesar de terem ocorrido várias tempestades severas nesse país no ano passado", afirma-se no relatório.