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Merkel avisa que poder financeiro da Alemanha “não é infinito”

Merkel avisa que poder financeiro da Alemanha “não é infinito”

O terramoto das dívidas soberanas na Europa da moeda única não pode ser superado com “soluções de facilidade” como as euro-obrigações, mas antes com passos para uma união política aprofundada entre países-membros. Ou seja, com cedências de soberania. É esta a posição que a chanceler alemã promete levar aos trabalhos da cimeira do G20, a realizar dentro de poucos dias em Los Cabos, no México. Diante do Bundestag, Angela Merkel deixou hoje um aviso aos demais líderes europeus: a “força da Alemanha não é infinita” e não haverá recursos suficientes para acudir ao “motor económico” da União Europeia se também este começar a falhar.

RTP /
Angela Merkel conversa com o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, depois do seu discurso sobre o estado da nação no Parlamento Tim Brakemeier, EPA

Quando os líderes das economias mais avançadas e emergentes se sentarem à mesa das conversações na estância balnear mexicana de Los Cabos, a 18 e 19 de junho, haverá um “tema central” que terá a primazia sobre “todos os outros”, nas palavras da chanceler alemã: “A crise europeia das dívidas soberanas”.

“Vai ser o tema central. Vai dominar as discussões. E como tal não há dúvida de que nós, a Alemanha, vamos ser o centro das atenções. É assim. Todos os olhos estão focados na Alemanha porque somos a maior economia da Europa, porque somos um grande exportador”, antecipou esta quinta-feira Angela Merkel, ao abordar a agenda da cimeira do G20 perante a câmara baixa do Parlamento alemão.

A somar às contínuas ondas de choque do pedido do Governo de Mariano Rajoy para o resgate financeiro da banca de Espanha, que deverá totalizar 100 mil milhões de euros, os trabalhos do G20 já irão decorrer com o conhecimento dos resultados das eleições legislativas gregas, que se realizam no domingo. Um escrutínio decisivo para a integridade da Zona Euro.

No Bundestag, Merkel sublinhou o momento crucial que se vive na Europa. Mas não retirou uma vírgula ao discurso que o seu Executivo tem propagado. Desde logo na rejeição de caminhos advogados pelo novo Presidente francês, François Hollande. A começar pela mutualização das dívidas públicas com recurso à emissão de eurobonds, passando por programas de estímulo ao crescimento económico que assentem em maior endividamento público, ou pela criação de um sistema europeu de garantias de depósitos bancários.

As fórmulas “aparentemente simples”, insistiu a governante alemã, “vão contra os tratados” e “são totalmente contraproducentes”. Merkel defende, pelo contrário, que o crescimento e a consolidação orçamental têm de estar a par: “Ambos os pilares são fundamentais e a crise só pode ser ultrapassada indo à raiz dos problemas, o endividamento maciço, a falta de competitividade e a falta de confiança na Europa”.
“Força da Alemanha não é infinita”
Na quarta-feira, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, acentuou a pressão sobre as lideranças da Europa comunitária. Em particular sobre a Alemanha, embora tenha considerado injusto fazer recair sobre o Governo de Angela Merkel a maior fatia de responsabilidade pelo arrastamento da crise financeira.

“Penso que o que vamos ver no G20 e que irá além da cimeira é o mundo a olhar para a Alemanha e para os grandes jogadores e a pedir-lhes que sejam mais claros, em relação ao que querem dizer estes grandes objetivos - a união bancária, o filtro de segurança para os países intervencionados e tudo o que está relacionado com o crescimento. Creio que seria melhor haver mais clareza o mais cedo possível”, frisou o responsável norte-americano.

Merkel responde à letra. Não é somente sobre a Europa que recai, segundo a chanceler, a obrigação de dar mostras de mais empenho na resolução da crise. É “o mundo inteiro”, contrapõe, que “deve parar de financiar o crescimento com novas dívidas” e dar mostras de que o comércio livre não seja “apenas uma declaração de intenções”, abolindo medidas protecionistas. Para consumo essencialmente europeu, Angela Merkel avisa que também a robustez económica da Alemanha tem limites.

“A Alemanha é forte. A Alemanha é o motor económico e a Alemanha é a âncora da estabilidade na Europa. Digo que a Alemanha está a colocar esta força e este poder ao serviço do bem-estar das pessoas, não só na Alemanha mas também para ajudar a unidade europeia e a economia global. Mas também sabemos que a força da Alemanha não é infinita”, enfatizou a chanceler diante dos deputados germânicos.

Depois de aplaudir, uma vez mais, a decisão espanhola de solicitar um resgate financeiro para a banca, Merkel insistiu na defesa de “um papel reforçado” do Banco Central Europeu no domínio da supervisão sistémica do Velho Continente. Assim como na conceção de uma Europa politicamente integrada, dotada de uma “união orçamental”. “É uma tarefa hercúlea, mas é inevitável”, concluiu.
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