Movimento MUNDA quer gestão democrática da bacia hidrográfica do Mondego
O MUNDA - Movimento Unidade e Defesa da Bacia Hidrográfica do Mondego exigiu hoje que a gestão do rio seja democrática, com as autarquias, e que não fique só sob a tutela de um organismo do Estado.
"O atual sistema de uma agência que só presta contas ao governo [Agência Portuguesa do Ambiente (APA)] e ignora olimpicamente congressos como este - foi convidada em maio ou junho e não esteve ninguém hoje - e que só surge quando há broncas, como as cheias de fevereiro, não serve, é um sistema gasto", considerou o dirigente do MUNDA, Jorge Gouveia Monteiro.
Este responsável falava à agência Lusa no final do primeiro congresso "Mondego, que futuro para esta bacia hidrográfica?", que decorreu hoje na cidade de Viseu e que foi coorganizado pelo MUNDA.
"Enquanto não houver regiões administrativas -- a bacia hidrográfica do Mondego coincide, quase totalmente com as Beiras -- e se houver uma região Centro com órgãos democraticamente eleitos tem de ser a região a gerir a bacia", defendeu.
Enquanto não há regiões, acrescentou, "tem de haver um diálogo muito intenso entre os serviços regionais da APA e, pelo menos, as três comunidades intermunicipais" (CIM) abrangidas pela bacia como são a da Região de Coimbra, a de Viseu e Dão Lafões e a das Beiras e Serra da Estrela.
Jorge Gouveia Monteiro lamentou ainda a "fraca adesão" ao congresso, nomeadamente por parte "da APA, mas também de responsáveis políticos", realçando que "só a presença na abertura, sem acompanhar os trabalhos do dia, não foi suficiente".
"Agora vamos mandar as conclusões aos autarcas, à APA e também à Presidência da República, do qual tivemos o alto patrocínio, para que este congresso tenha continuidade e conheçam os contributos valiosos que aqui foram deixados por parte de pessoas conhecedoras, como também são os académicos que participaram", realçou.
Dos assuntos em debate, o projeto da barragem de Girabolhos foi um dos grandes protagonistas, uma barragem projetada para o rio Mondego, abrangendo os concelhos de Seia, Gouveia, no distrito da Guarda, e Mangualde e Nelas, do distrito de Viseu.
"Mas nós não queremos o foco nessa ou noutra barragem. A nossa questão é mais abrangente. Tem de haver ponderação a alternativas a grandes obras como são as barragens, isto é, não aceitamos que se anunciem muitos milhões de euros, com muito sacrifício dos portugueses, sem ponderarem alternativas ou complementos", defendeu.
Jorge Gouveia Monteiro realçou ainda que, outra das "grandes conclusões apresentadas por praticamente todos os intervenientes" dos dois painéis do dia, foi que "sem floresta não há solução".
"A floresta é a barragem primordial nas cabeceiras do rio. É nas montanhas que pode, e deve, ficar a água do rio. Antes de mais nada, porque, se não [for assim], vem tudo por aí a baixo", resumiu o dirigente do MUNDA.