Municípios do Alto Alentejo contabilizam prejuízos de 16ME "para já"
Os prejuízos causados pelo mau tempo no distrito de Portalegre ascendem a 16 milhões de euros, "para já", segundo um levantamento que a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA) já entregou à CCDR do Alentejo.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da CIMAA, Joaquim Diogo, explicou que estes valores referem-se, por enquanto, aos danos verificados em infraestruturas municipais e em algumas infraestruturas privadas.
"Está a ser feito o trabalho relativamente a empresas e até na área agrícola", indicou, admitindo que, por isso, "este número pode subir exponencialmente, porque [a contabilização de prejuízos na] área agrícola está a ser feita por uma linha direta".
O levantamento dos danos realizado pela CIMAA foi entregue, esta terça-feira, à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo.
De acordo com o presidente da CIMAA, que agrega os 15 concelhos do distrito de Portalegre, os municípios mais afetados pelo mau tempo que assolou o país entre o final de janeiro e no mês de fevereiro, foram os de Portalegre, Gavião, Nisa e Ponte de Sor.
"Mas todos os municípios acabam por ter aqui algum `report` de prejuízos", acrescentou.
O presidente da CIMAA, que preside também à Câmara do Crato, manifestou-se ainda preocupado em relação à recuperação das estruturas danificadas, reivindicando que são "precisas medidas imediatas" por parte do Governo no âmbito do PTRR -- Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência.
"Essas medidas são necessárias para poder ajudar os municípios que já tiveram de gastar dinheiro e não têm ainda reembolso desses valores ou para investimentos muito pertinentes e necessários colocar em prática até ao fim do ano", alertou.
Joaquim Diogo, que acrescentou que a CCDR do Alentejo "ainda não teve nenhuma transferência de verbas", disse esperar que a resposta do Governo "seja rápida" para fazer frente aos problemas existentes.
"Relativamente à resiliência e transformação, os municípios têm um trabalho a fazer até meio deste mês e indicar quais as suas prioridades", afirmou.
As autarquias, continuou, estão "a trabalhar no sentido de apresentar os eixos estratégicos do Alto Alentejo", que serão "depois transformados com certeza na região Alentejo", para "poderem ser integrados no PTRR".
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou a 15 de fevereiro.