ESPECIAL
Presidenciais 2026. Projeções, contagem de votos, discursos e análise

"Não duvidem". Irlanda afirma que UE irá "obviamente" retaliar contra novas tarifas dos EUA

Os embaixadores da União Europeia deverão reunir-se de emergência este domingo para avaliar a resposta do bloco às ameaças de Donald Trump, podendo decidir sobre a ativação do mecanismo anti-coerção europeu.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Primeiro ministro da Irlanda, Micheál Martin Mauro Pimentel - AFP

Há quem já tenha certezas do que irá ser decidido, alertando que a crise poderá tornar-se muito grave "a nível global".O primeiro-ministro da Irlanda não duvida que a União Europeia irá retaliar se se concretizarem as tarifas anunciadas sábado pelo presidente norte americano,  como castigo pelos entraves europeus às suas intenções de anexar a Gronelândia.

"Está tudo a evoluir muito drasticamente, muito rapidamente. Não tenham dúvidas de que a Europa irá obviamente retaliar se estas tarifas forem impostas e isso levará a uma situação muito grave a nível global", disse Micheál Martin em entrevista ao programa "This Week" da emissora irlandesa RTÉ Radio.

De acordo com o Financial Times, este domingo, as capitais europeias poderão impor aos Estados Unidos tarifas no valor de 93 mil milhões de euros (107,71 mil milhões de dólares). Podem preferir restringir o acesso das empresas norte-americanas ao mercado do bloco.

Apesar de tudo, o líder do executivo da Irlanda diz ser "um pouco prematuro" ativar o mecanismo anti-coerção da UE, como pretenderá o presidente francês, Emmanuel Macron, de acordo com alguns meios de comunicação franceses.

Martin prefere apelar ao diálogo com Washington de forma a evitar um aprofundamento da crise comercial entre EUA e UE. 

Estas hipóteses deverão estar em cima da mesa da reunião dos embaixadores da UE, prevista para o final de domingo.
A ativação do mecanismo abriria a porta para Bruxelas aplicar uma ampla gama de sanções contra Washington, incluindo a imposição de tarifas alfandegárias ou restrições ao acesso a licitações públicas europeias.

"Obviamente, o diálogo precisa de acontecer para evitar que isso ocorra. Ainda não estamos a entrar em detalhes, e penso que é atualmente um pouco prematuro, mas é claro que pode ser posto em discussão", considerou o líder do executivo irlandês.O líder do Governo irlandês, defendeu ainda na rede social X, que a soberania da Gronelândia e da Dinamarca "não pode ser violada".

As palavras do chefe do Governo de Dublin seguem-se à decisão de Trump de impôr tarifas a produtos europeus, à revelia do acordo assinado entre os EUA e a UE.
União Europeia

O presidente norte-americano anunciou este sábado planos de impor uma tarifa de dez por cento a partir de 1 de fevereiro, sobre produtos oriundos da Alemanha, França, Reino Unido, Suécia, Noruega, Países Baixos, Finlândia e Dinamarca.

Estes oito países enviaram para a Gronelândia, esta semana, contingentes e armamento militar em apoio à Dinamarca, que insiste em manter o controlo do território semi-autónomo. 

A reação à ameaça foi imediata.

“Os europeus vão responder de forma unida e coordenada, caso elas se confirmem. Saberemos fazer respeitar a soberania europeia”, escreveu este sábado o presidente francês na rede social X.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, prometeu firmeza europeia na defesa do Direito Internacional e do seu território.

No mesmo dia, o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, assegurou já que o seu país não se deixará intimidar. Só a Dinamarca e a Gronelândia decidem as questões que lhes dizem respeito.

Já este domingo, a Dinamarca garantiu que "não tem dúvidas" do "forte apoio europeu, alertando que as ameaças tarifárias Trump colocam em risco a ordem mundial e a NATO.

O secretário-geral da NATO revelou igualmente ter conversado com Trump sobre a "situação de segurança" na Gronelândia e no Ártico.
"Inaceitável"

As tropas dos oito países europeus foram ostensivamente participar nos exercícios militares de preparação de operações no Ártico, envolvendo caças da Força Aérea da Dinamarca e um navio-tanque francês.

O presidente dos Estados Unidos, que insiste que a Dinamarca não tem meios para garantir a segurança da Gronelândia e área circundante, considerou que o envio das tropas constituía um obstáculo deliberado às suas intenções de anexar a ilha dinamarquesa.Numa mensagem na plataforma Truth Social, Donald Trump avisou que as tarifas serão aumentadas para 25 por cento em junho, se nada mudar por parte dos europeus. Estas tarifas permanecerão em vigor até que seja fechado um acordo "para a compra total e completa da Gronelândia" por parte de Washington, referiu Trump. 

O chefe do Governo da Irlanda classificou o anúncio de Trump como "completamente inaceitável", mas manifestou-se contra uma "reação impulsiva"
, diante da possibilidade do Parlamento Europeu não ratificar o acordo comercial entre os EUA e a União Europeia, que, na opinião do primeiro-ministro irlandês, foi assinado "de boa-fé".

O líder irlandês indicou também que pretende visitar a Casa Branca no próximo mês de março, porque acredita "no diálogo e no compromisso".

c/ agências
Tópicos
PUB