"Negócio ruinoso". Oposição critica venda da Efacec à Mutares

"Negócio ruinoso". Oposição critica venda da Efacec à Mutares

A venda da Efacec à Mutares está a gerar polémica, com a oposição a exigir saber mais sobre o acordo, que classifica como “ruinoso”. O PSD e a Iniciativa Liberal já admitiram que vão avançar com uma comissão parlamentar de inquérito e o Chega vai apresentar uma providência cautelar para suspender a venda da empresa.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva, à chegada para a conferência de imprensa sobre conclusão do processo de venda da Efacec José Sena Goulão - Lusa

O líder do PSD, Luís Montenegro, já admitiu que irá avançar com uma comissão parlamentar de inquérito se o Governo não prestar “esclarecimentos urgentes” sobre o negócio, que descreve como “ruinoso”.

“Injetar 400 milhões de euros e vender por 15 milhões é claramente um negócio ruinoso. (…) António Costa e o Partido Socialista andam a brincar com o dinheiro dos portugueses”, afirmou.

A Iniciativa Liberal e o Chega já anunciaram que vão propor a constituição de uma comissão de inquérito à venda da Efacec.

O presidente da Iniciativa Liberal, Rui Rocha, fez o anúncio relativo a essa intenção do partido no Parlamento, esta quinta-feira, afirmando que para a Iniciativa Liberal “o dinheiro dos contribuintes é fundamental”.

O presidente do Chega também anunciou que o partido vai propor a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito e tentar suspender o negócio através de uma providência cautelar.

"A par da proposta que faremos de uma comissão parlamentar de inquérito à venda da Efacec, tendo sido um negócio que aparenta ter sido absolutamente ruinoso, o Chega decidiu ir um pouco mais longe e avançar com uma providência cautelar no tribunal, na jurisdição administrativa, para suspender este ato e esta venda, até termos toda a informação necessária em matéria de salvaguarda dos trabalhadores, de informação financeira e das garantias que têm de ser dadas aos portugueses e ao Governo quanto à gestão futura da Efacec", anunciou André Ventura.

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, André Ventura apelou ao PS para que viabilize a comissão de inquérito "em nome do interesse nacional".

O PCP considera, por sua vez, que a prioridade é “travar este negócio ruinoso” e não “analisar a desgraça” após estar feita, referindo-se a uma eventual comissão de inquérito.


“O Governo tem a responsabilidade política, perante o país, de ainda ir a tempo de travar este negócio ruinoso. O Governo deve impedir, travar esta decisão e este processo”, disse Bruno Dias em declarações aos jornalistas na Assembleia da República.

O Bloco de Esquerda também salientou que é contra a privatização da Efacec “desde o início” e admitiu que poderá não inviabilizar uma proposta de inquérito parlamentar para obter mais esclarecimentos sobre o processo.

“À partida não [seremos contra], mas teremos de conhecer pormenores, não sabemos o que se quer avaliar. Quando esse documento existir iremos pronunciar-nos em concreto”, disse a deputada Isabel Pires em declarações aos jornalistas no Parlamento.

“Nós estivemos contra, avançámos com uma apreciação parlamentar para que a reprivatização fosse retirada desse decreto, mas na altura foi chumbada pelo PS e por toda a direita, que concordam com essa privatização”, afirmou, salientando que o BE vai querer “todos os esclarecimentos” sobre o negócio em causa.
Marcelo considera que "não havia nenhuma solução boa"
O Presidente da República admitiu que o negócio de privatização da Efacec "ficou aquém" do que se desejava, mas admite que “não havia nenhuma boa solução” para a empresa.

“Não havia nenhuma solução boa ou muito boa comparada com o valor que teria tido a Efacec num contexto diferente, porque houve uma aparente resolução do problema por um grupo e depois isso falhou”, disse Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, esta quinta-feira.

O Presidente da República considera que o acordo “é bom para o ponto em que a situação chegou devido à conjuntura nacional e ao tempo decorrido”, mas admite que a solução encontrada “está aquém daquilo que nós ao longo do tempo sonhamos, pensamos e admitimos que seria possível para a Efacec”.

“Houve que salvar a Efacec in extremis e reprivatizá-la logo que possível”, explicou.

Já a ministra da Presidência defende que o Governo tomou a melhor decisão relativamente ao futuro da Efacec com a venda da empresa ao fundo alemão Mutares e desvalorizou as iniciativas dos partidos.


“Naturalmente que todas as decisões do Governo são escrutináveis”, disse Mariana Vieira da Silva, argumentando, no entanto, que “o Governo tomou aquela que considerou ser a melhor decisão sobre esta matéria tendo em conta a importância estratégica que a empresa tem, o número de postos de trabalho que assegura e o impacto que isso tem na nossa economia”, argumentou.

O negócio da venda da Efacec ao fundo alemão Mutares foi concluído esta quarta-feira. A Mutares entra com 15 milhões de euros em capital e 60 milhões em garantias. O Estado português, por sua vez, vai injetar 160 milhões de euros além da verba já investida na Efacec, calculada em cerca de 217 milhões de euros.
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