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NeoTerra aumenta aposta nas terras raras na província moçambicana de Tete

NeoTerra aumenta aposta nas terras raras na província moçambicana de Tete

A britânica NeoTerra aumentou de 51% para 70% a participação no projeto mineiro de Monte Muambe, província moçambicana de Tete, consolidando o controlo de um depósito de terras raras, fluorite e gálio que procura desenvolver para produção industrial.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

A informação foi divulgada pela empresa em comunicado ao mercado, em que anuncia a conclusão da terceira fase do acordo de investimento ("farm-out") celebrado em 2021 para o desenvolvimento do projeto, tendo já iniciado os procedimentos para a transferência formal da participação adicional na sociedade detentora da licença mineira.

Segundo a empresa, a passagem para uma posição de 70% resulta do cumprimento das obrigações de investimento previstas no acordo inicial, assinado em junho de 2021.

"O aumento da participação para 70% representa um marco importante para a empresa e reforça significativamente a nossa posição naquele que acreditamos ser um projeto mineiro de relevância estratégica", afirmou o presidente-executivo da NeoTerra Group Plc, Cédric Simonet, citado no comunicado.

O responsável acrescentou que a empresa continua concentrada no avanço dos vários componentes do projeto, incluindo fluorite, terras raras e gálio, procurando criar uma operação mineira de longo prazo no centro de Moçambique.

A empresa destaca que, durante a terceira fase do acordo, obteve uma licença mineira com validade de 25 anos para exploração de fluorite e terras raras em Monte Muambe e garantiu anteriormente uma subvenção de 1,875 milhões de dólares (1,6 milhões de euros) da Agência de Comércio e Desenvolvimento dos Estados Unidos (USTDA), destinada aos trabalhos de desenvolvimento da componente de terras raras.

O projeto de Monte Muambe, um vulcão extinto no centro de Moçambique, tem vindo a registar sucessivos avanços nos últimos dois anos. Em setembro, a empresa anunciou a candidatura a uma nova subvenção norte-americana através do programa US Africa Strategic Investment Program (USASIP), para expandir os recursos de fluorite e estudar a viabilidade de instalar em Moçambique uma unidade de produção de ácido fluorídrico.

Segundo a companhia, o financiamento destinava-se a apoiar "uma campanha de perfuração destinada a aumentar significativamente os recursos de fluorite, um estudo do mercado regional de fluorite e flúor e um estudo conceptual para uma unidade de produção de ácido fluorídrico em Moçambique".

Na altura, Cédric Simonet afirmou que o objetivo era avaliar se o projeto poderia sustentar uma cadeia industrial de maior dimensão: "Esta subvenção permitir-nos-á determinar se existe escala suficiente para sustentar uma produção de ácido fluorídrico em Moçambique, combinando os recursos de Monte Muambe com potenciais fontes adicionais de matéria-prima na região".

A fluorite é a principal matéria-prima utilizada na produção de ácido fluorídrico, produto considerado essencial para diversas indústrias, incluindo semicondutores, baterias, refrigerantes industriais e outros materiais tecnológicos.

Em agosto, a empresa anunciou igualmente ter alcançado uma taxa de recuperação de 85% de gálio em ensaios laboratoriais, considerando tratar-se da primeira demonstração prática do potencial de recuperação industrial daquele mineral crítico existente em Monte Muambe.

Meses antes, em junho, a mineira comunicou a descoberta de xenotime, mineral hospedeiro de terras raras pesadas, nos depósitos de fluorite do projeto, resultando, segundo a empresa, no reforço do potencial económico dos recursos existentes.

Segundo os dados mais recentes divulgados pela companhia, Monte Muambe possui recursos estimados em 13,6 milhões de toneladas de minério de terras raras, 3,48 milhões de toneladas de fluorite e 11,73 milhões de toneladas de minério contendo óxido de gálio com teor médio de 54,7 gramas por tonelada.

A NeoTerra Group Plc, anteriormente designada Altona Rare Earths, considera Monte Muambe um dos seus principais ativos de desenvolvimento e tem apontado a fluorite, o gálio e as terras raras como componentes centrais da estratégia de crescimento do projeto.

 

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