Nova Classificação Nacional de Profissões em 2008

Uma "nova" Classificação Nacional de Profissões (CNP), documento onde estão identificadas, classificadas e descritas todas as profissões existentes em Portugal, deverá ser publicada em 2008, 14 anos depois da última revisão.

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Algumas profissões estão "extintas" DR

A primeira Classificação Nacional de Profissões - que é sobretudo utilizada em termos estatísticos e de emprego - foi feita em Portugal na década de 60, tendo sido publicada em vários volumes entre 1966 e 1974.

Em 1980 foi feita uma revisão da CNP, na qual estavam registadas 3.800 profissões, e em 1994 uma nova revisão fez baixar para 1.700 o número de profissões reconhecidas oficialmente.

Em entrevista à agência Lusa, Ana Campos, técnica superior do Instituto do Emprego e da Formação Profissional (IEFP) - envolvida no projecto em curso e na revisão da CNP de 1994 -, justificou a demora na publicação da nova revisão com a necessidade aguardar pela nova classificaçao internacional definida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A CNP baseia-se numa classificação internacional tipo de profissões, a CITP - Classification Internationale Type des Profissions - Bureau International du Travail, adoptada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

"Uma vez que a classificação internacional está a ser revista e deverá ser publicada em 2008, achámos que não fazia sentido a CNP sair antes porque depois tínhamos de adequá-la à estrutura internacional", adiantou a técnica.

A CNP obedece à estrutura internacional de profissões formada por nove grandes grupos que são subdivididos por sub grandes grupos, grupos, sub-grupos e grupos base.

Sobre a demora na realização de uma revisão da CNP de 1994, Ana Campos salientou que, de acordo com a OIT, a classificação deve ser revista entre 12 a 15 anos.

"Assim, quando sair no início de 2008 a classificação internacional tudo faremos para que a CNP seja publicada logo a seguir", afirmou.

Segundo Ana Campos, a revisão da CNP começou a ser feita há muito tempo, tendo a metodologia adoptada sido diferente da utilizada na revisão de 1994.

"Na anterior revisão (94) fazíamos muito trabalho no terreno junto das empresas, no mercado de trabalho e os técnicos identificavam áreas profissionais, o tipo de empresas, a dimensão e a localização geográfica", disse a responsável.

No projecto de revisão em curso, os técnicos basearam-se na CNP de 1994 e junto dos sindicatos, entidades patronais, associações sindicais, escolas, universidades, ordens e parceiros sociais tentaram confirmar as profissões.

"Só em situações muito específicas íamos fazer um levantamento para o terreno", afirmou.

A técnica adiantou à Lusa que o levantamento e a confirmação de profissões está feito, salientando que toda a informação já foi enviada para o Conselho Superior de Estatística que deverá depois aprovar a classificação.

Na opinião de Ana Campos, esta revisão é importante para que a classificação possa servir para o mercado de trabalho e para que possam ser feitas comparações com outros países.

"Nenhum jovem vai olhar para a CNP para escolher uma profissão, isto é um trabalho mais técnico, utilizado em termos estatísticos e de emprego", adiantou.

A CNP tem por objectivo "facilitar a comunicação em matéria de profissões, oferecendo aos estatísticos de outros países um instrumento que permite utilizar dados nacionais numa perspectiva internacional".

De acordo com a responsável, a nível nacional a CNP é utilizada sobretudo pelo IEFP e pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

"É usada na elaboração de estatísticas de mão-de-obra, nos censos e pelos centros de emprego", referiu ainda Ana Campos.


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