Novas ameaças de Trump. UE suspende processo de ratificação do acordo comercial com EUA

O processo de ratificação do acordo comercial que iria remover tarifas sobre os produtos norte-americanos foi suspenso pelo Parlamento Europeu.

RTP /
Foto: Yves Herman - Reuters

A decisão surge no Parlamento Europeu no seguimento das ameaças de Washington de impor tarifas a países europeus, na sequência da defesa da Gronelândia contra as investidas de Donald Trump.

O acordo para reduzir as tarifas para 15% aplicadas às exportações europeias foi alcançado em julho do ano passado, mas o processo que decorre em Estrasburgo para validar esse acordo foi agora suspenso.

É a reação do Parlamento Europeu às mais recentes ameaças de Donald Trump quanto a aplicação de novas taxas a um conjunto de países europeus caso se oponham aos planos dos Estados Unidos em relação à Gronelândia. Após este anúncio da União Europeia, o presidente norte-americano agendou uma conferência de imprensa para as 18h00.

A suspensão resulta de um acordo maioritário dos principais grupos políticos com assento no Parlamento Europeu, nomeadamente os grupos onde se incluem PSD, PS e Chega. O congelamento das discussões no Parlamento Europeu impede a ratificação e entrada em vigor do acordo.

O Partido Popular Europeu (PPE) já tinha mostrado reticências em relação à ratificação do acordo. O líder do grupo, Manfred Weber, tinha revelado no sábado, na rede social X, que “dadas as ameaças de Donald Trump em relação à Groenlândia, a aprovação não é possível nesta fase”.
Macron defende uso de "bazuca europeia"
O presidente francês, Emmanuel Macron, advertiu, no Fórum de Davos, que a UE pode ser forçada a utilizar o instrumento anticoerção comercial, a chamada “bazuca europeia”, contra os Estados Unidos.


“Podemos ser colocados numa posição em que teremos de usar o instrumento anticoerção contra os Estados Unidos. Isto é uma loucura. É o resultado da imprevisibilidade e da agressão inútil”, afirmou Macron numa intervenção no Fórum de Davos, que decorre nesta estância da Suíça.

Discursando de óculos escuros devido a um pequeno problema ocular, Macron exortou os outros Estados-membros da UE a não hesitarem em aplicar a “bazuca”.

Os socialistas, os liberais e os verdes já haviam pedido a ativação deste instrumento, criado para “dissuadir e responder à coerção económica” contra a União Europeia. 
Inicialmente pensado tendo em vista a China, este instrumento nunca foi utilizado até ao momento e permite restringir as atividades de empresas norte-americanas na UE.

A esquerda europeia, através do seu vice-líder, Martin Schirdewan, defendeu a suspensão total do acordo, afirmando que “é hora de proteger nossa economia, acionar o Instrumento Anticoerção e impor um imposto digital”.

No campo da direita, os Patriotas manifestam-se a favor da suspensão, enquanto os reformistas e conservadores consideram “um erro”.

O PPE, através do seu presidente, apelou a um desagravamento das tensões, recusando a implementação do mecanismo europeu anticoerção que, por exemplo, limitaria o acesso das empresas norte-americanas a contratos públicos europeus.

O mesmo se aplica ao ECR, cujo vice-presidente Nicola Procaccini também se manifestou contra tal medida.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, admitiu "alguma pertinência" quanto a este mecanismo.

c/agências
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